Santander Brasil lucra R$ 3 bilhões no 2T26 com carteira em alta e reforço de provisões

Santander Brasil lucra R$ 3 bilhões no 2T26 com carteira em alta e reforço de provisões

O Santander Brasil registrou lucro líquido gerencial recorrente de R$ 3,014 bilhões no segundo trimestre de 2026. O resultado representa queda de 20,4% em relação ao primeiro trimestre e recuo de 17,6% na comparação com o mesmo período de 2025. O balanço foi divulgado aqui.

O lucro gerencial recorrente é a medida que o banco usa para mostrar o desempenho das operações do dia a dia. Ela exclui efeitos pontuais que não devem se repetir. No trimestre, o principal deles foi uma provisão trabalhista de R$ 291 milhões. Pelo critério contábil, sem esse ajuste, o lucro foi de R$ 2,667 bilhões, queda de 28,4% no trimestre e de 25,8% em 12 meses.

A rentabilidade também recuou. O ROAE recorrente ficou em 12,5%, com queda de 3,4 pontos percentuais no trimestre e de 3,8 pontos em um ano. O ROAE mede quanto o banco gera de lucro sobre o próprio patrimônio. É o indicador mais usado pelo mercado para comparar bancos entre si.

Como o Santander Brasil fechou o balanço do 2T26?

A receita total somou R$ 20,675 bilhões, com alta de 0,4% em 12 meses e queda de 2,7% no trimestre. A margem financeira atingiu R$ 15,341 bilhões, com recuo de 3,0% em três meses e de 0,4% no ano. As comissões chegaram a R$ 5,334 bilhões, com avanço de 2,5% em 12 meses.

Do outro lado da conta, as provisões cresceram em ritmo bem mais forte que as receitas. É essa diferença que explica o lucro menor no período.

Provisões do Santander sobem e explicam o lucro menor

O resultado de PDD, sigla para provisão para devedores duvidosos, somou R$ 7,654 bilhões no trimestre. O avanço foi de 20,6% em três meses e de 11,5% em 12 meses. A PDD é o dinheiro que o banco separa do lucro para cobrir empréstimos que provavelmente não serão pagos.

As despesas de provisão isoladas cresceram 21,0% no trimestre, para R$ 8,260 bilhões. Já a recuperação de créditos que já haviam sido baixados como perda somou R$ 607 milhões, alta de 25,7% no trimestre, mas queda de 32,3% no ano.

O banco atribui o movimento a três fatores. O primeiro é o ambiente de crédito ainda desafiador, com juros altos e endividamento elevado das famílias. O segundo é o reforço de provisão em casos específicos do atacado, o segmento de grandes empresas. O terceiro é a mudança na regra interna de baixa a prejuízo, que acelerou o reconhecimento das perdas.

O custo de crédito, que mede o peso das provisões sobre a carteira em 12 meses, ficou em 3,81%. Houve piora de 0,1 ponto percentual no trimestre e leve melhora de 0,1 ponto no ano.

Inadimplência acima de 90 dias segue no radar do banco

O índice de inadimplência acima de 90 dias fechou o trimestre em 3,3%. O número ficou estável em três meses, mas avançou 0,7 ponto percentual em 12 meses.

O detalhamento mostra onde está a pressão. Na pessoa física, o índice chegou a 5,1%, alta de 1,1 ponto em um ano. Na pessoa jurídica, ficou em 1,6%. Entre pequenas e médias empresas, o indicador atingiu 5,3%, com avanço de 1,1 ponto no ano. Nas grandes empresas, permaneceu em 0,2%.

O banco aponta pressão nos segmentos de baixa renda, agronegócio e cartão de baixa renda. Já a inadimplência de curto prazo, de 15 a 90 dias, encerrou o período em 3,3%, com leve queda no trimestre e estabilidade no ano.

O volume de baixas a prejuízo somou R$ 7,009 bilhões, alta de 27,3% no trimestre e queda de 14,6% em 12 meses. A carteira renegociada terminou junho em R$ 47,8 bilhões, com cobertura de 43,3%, ante 44,6% três meses antes.

Carteira de crédito do Santander cresce 5,8% em 12 meses

A carteira de crédito ampliada alcançou R$ 714,769 bilhões em junho de 2026. O avanço foi de 1,3% no trimestre e de 5,8% em 12 meses. A carteira ampliada é o conceito que soma ao crédito tradicional itens como avais, fianças e títulos privados.

O crescimento veio das áreas que o banco escolheu priorizar. O financiamento ao consumo subiu 15,3% em um ano, para R$ 100,766 bilhões. As pequenas e médias empresas avançaram 11,5%, para R$ 95,957 bilhões. As grandes empresas cresceram 6,8%, somando R$ 254,623 bilhões.

Na pessoa física, o saldo ficou praticamente estável em 12 meses, com R$ 263,424 bilhões. Por dentro, houve troca de composição. O cartão de crédito subiu 13,0%, para R$ 65,198 bilhões. O crédito imobiliário avançou 10,6%, para R$ 77,214 bilhões. Na direção oposta, o consignado caiu 14,7% e o crédito pessoal recuou 8,6%.

O movimento é deliberado. O Santander vem reduzindo a exposição ao segmento massificado, formado pela base de clientes de menor renda e maior risco. A mudança de mix aparece no spread. A taxa média da margem com clientes ficou em 10,03% ao ano, ante 10,41% no trimestre anterior e 10,55% um ano antes. O spread é a diferença entre o que o banco cobra ao emprestar e o que paga para captar recursos.

No financiamento de veículos, o banco manteve a liderança na carteira de pessoa física, com 20% de participação de mercado. O LTV da carteira ficou em 57,3%, com queda de 0,8 ponto no trimestre. O LTV mede quanto do valor do bem foi financiado. Quanto menor, maior a garantia por trás da operação.

Comissões avançam com cartões e consórcios

As comissões totalizaram R$ 5,334 bilhões, alta de 2,5% em 12 meses e queda de 1,9% no trimestre.

As receitas com cartões chegaram a R$ 1,638 bilhão, avanço de 10,5% no ano. A administração de recursos cresceu 26,4%, para R$ 581 milhões, puxada por consórcios, que subiram 23,8%. A corretagem e colocação de títulos avançou 14,8% no ano, mas recuou 15,0% no trimestre por um mercado menos aquecido.

O contraponto veio da conta corrente. A linha caiu 12,2% em 12 meses, para R$ 825 milhões, com maior participação de isenções de tarifas. No trimestre, o banco também lançou o Beyond Wealth, marca global de family office voltada a soluções patrimoniais personalizadas.

Eficiência e inteligência artificial na agenda do Santander

As despesas gerais somaram R$ 6,578 bilhões, queda de 0,8% no trimestre e alta de 2,6% no ano, abaixo da inflação do período.

Mesmo assim, o índice de eficiência subiu para 39,3%. O indicador mede quanto o banco gasta para cada real de receita. Quanto menor, melhor. A alta de 1,5 ponto no trimestre e de 2,4 pontos no ano reflete a base de receitas mais pressionada, e não um descontrole de gastos.

A mudança de estrutura é visível. O banco encerrou junho com 47.327 funcionários, 6.591 a menos que um ano antes. A rede caiu para 858 lojas, contra 1.036 em junho de 2025. A produtividade medida em clientes ativos por funcionário subiu de 620 para 726 em um ano.

A tecnologia aparece como alavanca central. O banco afirma que a inteligência artificial está disponível para 100% dos colaboradores e que dobrou o número de iniciativas com a tecnologia em um ano. As aplicações citadas incluem inteligência preditiva para priorizar oportunidades comerciais e análise de acionamentos em casos de fraude com cartões.

A base de clientes chegou a 76,2 milhões, alta de 6% em 12 meses. Os clientes ativos somaram 34,4 milhões, avanço de 3%.

Capital sólido e o que o balanço sinaliza para o setor

As captações de clientes atingiram R$ 688,514 bilhões, com alta de 3,7% no trimestre e de 6,9% no ano. A pessoa física responde por 51% do total de depósitos, quatro pontos percentuais a mais que um ano atrás. No segmento Select, voltado à alta renda, as captações cresceram 30% em dois anos.

Os indicadores de solvência seguem confortáveis. O índice de Basileia ficou em 15,3%, com alta de 0,2 ponto no trimestre. O índice mede a folga de capital do banco frente aos riscos que ele assume. O capital principal, conhecido como CET1, ficou em 11,2%, com queda de 0,4 ponto em 12 meses.

O valor de mercado do Santander Brasil ficou em R$ 100,292 bilhões em junho, com recuo de 12,3% no trimestre e de 8,9% em 12 meses, acompanhando um período mais desafiador para o setor. O banco aprovou R$ 2 bilhões em juros sobre capital próprio no período, ante R$ 1,5 bilhão um ano antes.

O balanço reforça um ponto que atravessa o sistema financeiro brasileiro em 2026. Com a Selic ainda em patamar restritivo, mesmo após o início do ciclo de cortes, o crédito à pessoa física segue como o elo mais sensível da cadeia. A resposta do Santander tem sido reduzir a exposição ao risco mais alto, priorizar transacionalidade e investir em tecnologia.

Leia a história original Santander Brasil lucra R$ 3 bilhões no 2T26 com carteira em alta e reforço de provisões por Lucas Espindola em br.beincrypto.com