Petróleo dispara 4% com novos riscos à oferta no Oriente Médio

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Os preços do petróleo ampliam os ganhos e são negociados próximos das máximas de quase seis semanas nesta quarta-feira (22), à medida que se intensificaram os temores de novas interrupções na oferta após as forças dos Estados Unidos atingirem alvos militares iranianos pela 11ª noite consecutiva, enquanto navios-tanque de petróleo deram meia-volta no Mar Vermelho após alertas da milícia Houthi, apoiada pelo Irã.

Os contratos futuros do petróleo Brent subiam US$ 3,29, ou 3,61%, para US$ 94,30 por barril às 5h07 (horário de Brasília). O petróleo West Texas Intermediate (WTI) dos Estados Unidos avançava US$ 3,14, ou 3,72%, para US$ 87,48 por barril.

Os ganhos ocorreram depois que o petróleo fechou esta terça-feira (21) no maior nível em cinco semanas, após as forças dos EUA atingirem alvos no sul e no oeste do Irã, enquanto o Irã atacou instalações dos Estados Unidos no Bahrein, Kuwait e Jordânia.



As Forças Armadas dos Estados Unidos informaram que iniciaram sua mais recente rodada de ataques contra o Irã. Os ataques americanos ocorreram pouco depois de o Exército do Kuwait informar que suas defesas aéreas estavam interceptando drones iranianos nesta quarta-feira.

A sucessão de ataques aumentou os temores de novas interrupções no fornecimento global de energia depois que os Houthis do Iêmen, alinhados ao Irã, abriram uma nova frente na guerra envolvendo o Irã ao ameaçarem atacar embarcações que transportam petróleo saudita no estreito de Bab el-Mandeb e anunciarem um bloqueio naval à Arábia Saudita.

A hidrovia de Bab el-Mandeb, na entrada sul do Mar Vermelho, tornou-se uma rota cada vez mais importante para as exportações de petróleo bruto da Arábia Saudita, à medida que o tráfego pelo Estreito de Ormuz caiu acentuadamente desde que o cessar-fogo entre os Estados Unidos e o Irã entrou em colapso no início deste mês.

Três navios-tanque carregados com petróleo saudita com destino à China e à Índia deram meia-volta no Mar Vermelho ontem, seguindo em direção ao Canal de Suez em vez de enfrentar a navegação pela costa do Iêmen, após um alerta da milícia Houthi do Iêmen, alinhada ao Irã.

“Isso obrigaria os navios-tanque a entrar e sair do Mar Vermelho por meio do Canal de Suez, acrescentando tempo e custos significativos às viagens para a Ásia”, disseram hoje estrategistas de commodities do ING, acrescentando que as tensões no Mar Negro também aumentam a incerteza sobre a oferta.

O Caspian Pipeline Consortium deixou de receber petróleo do Cazaquistão após suspender os carregamentos na segunda-feira (20) devido a ataques contra navios-tanque em seu terminal no Mar Negro, atribuídos a drones ucranianos. A Ucrânia não comentou os ataques.

“Quanto mais tempo a suspensão se prolongar, maior a probabilidade de o Cazaquistão ser forçado a reduzir sua produção nas atividades de exploração e produção”, afirmou o ING.

Dados do American Petroleum Institute (API) mostraram que os estoques de petróleo bruto e de destilados dos Estados Unidos aumentaram na semana passada, enquanto os estoques de gasolina recuaram, segundo fontes do mercado. Os dados antecedem a divulgação dos números oficiais da Administração de Informação de Energia dos Estados Unidos (EIA), prevista para hoje.