A economia dos agentes de IA está realmente em alta? 6,4 milhões de pagamentos mostram outro cenário

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A economia dos agentes de IA está realmente em alta? 6,4 milhões de pagamentos mostram outro cenário

Por toda parte, a mídia financeira e painéis de conferências repetem a mesma mensagem: agentes autônomos de IA estão prestes a assumir as finanças e movimentar grandes somas de capital em nosso nome.

Um novo relatório do BeInCrypto Intelligence, elaborado em colaboração com AWS, Cloudflare, Chainalysis e Zoomex, revela uma diferença expressiva entre as expectativas para as finanças autônomas e aquilo que as máquinas realmente fazem com dinheiro.

O relatório The State of AI Agent Payments 2026 monitora pagamentos realizados e ferramentas financeiras baseadas em IA. Suas conclusões desafiam a empolgação do mercado:

90,8% dos 402 pagamentos analisados eram inferiores a um centavo. Em 35 dias de análise, envolvendo 6,4 milhões de transações, apenas US$ 119.947 foram movimentados. Grande parte desse volume envolveu acesso a APIs, recursos computacionais e solicitações automáticas de dados. Preparação institucional ainda está muito atrás dos micropagamentos. Na avaliação do relatório, que vai até 100 pontos, os micropagamentos receberam nota 60,7, enquanto fluxos financeiros institucionais atingiram apenas 12,0. Pessoas continuam no comando das decisões financeiras. Em 14 das 19 ferramentas de IA avaliadas, os agentes operavam dentro de limites predefinidos de gastos ou ordens de negociação. Interfaces rotuladas como IA representaram menos de 0,55% do volume negociado da Hyperliquid, e os fluxos de preparação de ordens da Zoomex exigiram confirmação humana.

Seis dos 12 fluxos institucionais avaliados conseguiram iniciar ou concluir pagamentos dentro dos limites autorizados. Ainda não está claro se empresas vão confiar aos agentes valores significativos.

O BeInCrypto ouviu três executivos do setor sobre o que separa os micropagamentos dos volumes elevados de capital.

Preparação de pagamentos por agentes de IA em diferentes casos de uso financeiro. Fonte: BeInCrypto ResearchPreparação de pagamentos por agentes de IA em diferentes casos de uso financeiro. Fonte: BeInCrypto Research

Pagamentos maiores exigem custódia mais segura

Marcel Robert Harmann, fundador e CEO da THORWallet, prevê aumento nas negociações conduzidas por agentes ao longo dos próximos 12 meses. Plataformas como a Hyperliquid já oferecem APIs para execução automatizada. O desafio está em controlar os fundos.

…Microtransações, nas quais agentes pagam por dados ou processamento, continuarão dominando o volume de operações. A tendência é que o volume aumente à medida que mais negociações reais sejam realizadas por agentes.…

Harmann aponta as assinaturas por limiar como alternativa para reduzir o risco de conceder amplo acesso de uma carteira a um agente de IA. Em vez de depender apenas de uma chave, um pagamento pode exigir autorização de vários participantes, incluindo um signatário extra responsável por verificar se está conforme as políticas.

…Com assinaturas por limiar, o agente pode deter uma parte da chave e um signatário independente de políticas fica com outra. Assim, podemos adaptar nossos fluxos à nova realidade.…

Esse método possibilita que agentes iniciem transferências de valores mais altos, sem permitir que possam movimentar os recursos de forma autônoma.

Harmann também avalia que as autoridades devem adotar monitoramento automatizado conforme o volume de transações aumenta. Segundo ele, pessoas não têm condições de revisar individualmente cada pagamento feito por máquinas. Os sistemas de supervisão precisarão identificar atividades suspeitas no mesmo ritmo, com os humanos mantendo poder de decisão final.

O risco do acesso financeiro por agentes de IA. Fonte: BeInCrypto ResearchO risco do acesso financeiro por agentes de IA. Fonte: BeInCrypto Research

O próprio sistema financeiro pode precisar ser reconstruído

O fundador e CEO da ZeruAI, Ashutosh Sahoo, acredita que os obstáculos vão além da custódia.

…Não espero uma mudança significativa além dos micropagamentos enquanto não começarmos a construir um sistema financeiro nativo para IA. A infraestrutura bancária atual, as regras de conformidade e os modelos de responsabilidade foram feitos para humanos e empresas, não para agentes econômicos autônomos.…

Atualmente, os agentes costumam operar dentro de limites fixos de gastos, com obrigações comerciais e mecanismos de parada de emergência. Para Sahoo, esses modelos representam apenas automação supervisionada, não autonomia financeira de fato.

…A verdadeira virada ocorre quando paramos de encaixar agentes na estrutura financeira humana e começamos a desenhar sistemas financeiros adequados às suas capacidades.…

Sua proposta mudaria a forma como a conformidade é tratada. Ao invés de conferir pagamentos após executados, os sistemas poderiam aplicar permissões de gastos e regras de risco diretamente via protocolo.

…Se o código é lei, grande parte da regulação financeira poderia ser aplicada diretamente na camada dos protocolos, substituindo a fiscalização retroativa.…

Esse cenário levanta dúvidas sobre quem definiria essas regras e quem teria permissão para alterá-las. Sahoo teme ainda que sistemas financeiros desenhados por máquinas possam, eventualmente, se tornar complexos demais para os humanos compreenderem, mesmo quando as decisões sigam lógicas coerentes.

Um agente pode seguir todas as regras e mesmo assim perder dinheiro

A fundadora e CEO da HumanWrite Technologies, Tamara Frater, prevê um avanço desigual. Contratar poder computacional é simples; já decisões de investimento envolvem riscos muito maiores.

…Os próximos 12 meses devem trazer mais experimentação, mas não acredito que o mercado passe diretamente de pagamentos inferiores a um dólar para decisões financeiras autônomas em larga escala.…

Frater destaca o risco de falhas mesmo quando o agente atua dentro dos limites autorizados. Um sistema pode respeitar o teto de gastos e, ainda assim, agir com base em comandos equivocados ou enviar recursos para destinatários errados.

“A maior preocupação é um agente tomar uma decisão errada mesmo atuando dentro de suas permissões autorizadas. Limites de gastos reduzem a exposição, mas não garantem que o destinatário, a instrução ou as informações subjacentes estejam corretos.”

O relatório documenta dois incidentes em que um total de US$ 281.200 foi enviado para carteiras controladas por atacantes antes das recuperações. Esses casos mostram por que limitar o quanto uma máquina pode gastar não resolve a questão de em quem ela deve confiar.

Frater prevê que instituições financeiras e reguladores utilizarão IA para identificar atividades suspeitas conforme as transações automatizadas se multiplicam. No entanto, ela defende que as decisões permaneçam rastreáveis a pessoas responsáveis.

“O desafio será tornar a supervisão mais ágil sem dificultar o rastreamento da responsabilidade.”

O próximo teste é capital real

Os três executivos têm opiniões distintas sobre como os pagamentos com IA devem evoluir. Harmann prioriza a segurança das carteiras, Sahoo defende sistemas financeiros estruturados em agentes autônomos e Frater destaca o risco das transações autorizadas, mas equivocadas.

O que une suas perspectivas é a diferença entre processar um pagamento e ser confiável para tomar uma decisão financeira.

Para os investidores, o número de transações é um indicador fraco de adoção. O melhor teste é o valor comercial sustentado e se empresas vão confiar aos agentes decisões com menos intervenção humana.

Por enquanto, a primeira onda dos pagamentos com agentes demonstra que máquinas podem operar pequenas quantias em blockchain. A próxima etapa precisa mostrar se as companhias vão permitir que elas movimentem valores expressivos.

Leia a história original A economia dos agentes de IA está realmente em alta? 6,4 milhões de pagamentos mostram outro cenário por Brian McGleenon em br.beincrypto.com