BC vê economia mais forte em 2026 e inflação acima do teto da meta até o fim do ano

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O Banco Central elevou a projeção de crescimento da economia brasileira para 2026 e, ao mesmo tempo, piorou suas estimativas para a inflação, segundo o Relatório de Política Monetária (RPM) divulgado nesta quinta-feira (25).

A autoridade monetária passou a projetar expansão de 2% para o Produto Interno Bruto (PIB ) em 2026, acima da estimativa anterior de 1,6%, refletindo o desempenho mais forte da atividade econômica no primeiro trimestre, além da melhora das perspectivas para a agropecuária e a indústria extrativa.

De acordo com o BC, a atividade econômica ganhou força no início do ano. O PIB avançou 1,1% no primeiro trimestre de 2026, após crescimento de 0,3% no trimestre anterior, enquanto o mercado de trabalho seguiu resiliente, com a taxa de desemprego em mínima histórica e continuidade da expansão dos salários reais.

A revisão para o crescimento também incorpora a expectativa de maior dinamismo da demanda interna e dos setores mais sensíveis ao ciclo econômico, impulsionados por estímulos de natureza fiscal e creditícia.

Inflação supera teto da meta

Por outro lado, o Banco Central destacou uma deterioração do cenário inflacionário.

Segundo o relatório, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA ) acumulado em 12 meses subiu de 3,81% em fevereiro para 4,72% em maio, ultrapassando o limite superior do intervalo de tolerância da meta de inflação.

A média dos núcleos de inflação também avançou, passando de 4,46% para 4,52% no período.

O BC afirmou que todos os grupos do IPCA apresentaram variações elevadas no trimestre, com destaque para alimentação no domicílio e preços administrados. A inflação de serviços permaneceu pressionada, enquanto os preços de bens industriais voltaram a acelerar.

A autoridade monetária também atribuiu parte da alta dos preços aos impactos do conflito no Oriente Médio, especialmente sobre os combustíveis.

Além disso, o relatório aponta uma piora das expectativas inflacionárias, com elevação das projeções para 2026 e ampliação da desancoragem para 2027 e 2028.

Com isso, no cenário de referência utilizado pelo Copom , a inflação deve voltar a acelerar ao longo deste ano e encerrar 2026 em 5,2%, permanecendo acima do teto da meta por mais de dois trimestres consecutivos.

A partir de 2027, a trajetória projetada passa a ser de desaceleração, com o IPCA chegando a 3,1% no quarto trimestre de 2028.

Para o quarto trimestre de 2027, horizonte relevante da política monetária atualmente, a projeção de inflação foi elevada para 3,7%, acima dos 3,2% estimados no relatório anterior.

Segundo o BC, a alta das projeções reflete a surpresa inflacionária recente, uma estimativa mais elevada para o hiato do produto, o avanço dos preços do petróleo e de outras commodities, além da piora das expectativas de inflação.

A autoridade monetária ressaltou ainda que o ambiente externo continua marcado por elevada incerteza devido às indefinições sobre um acordo para encerrar os conflitos no Oriente Médio, cenário que tem aumentado a volatilidade dos preços de ativos e commodities e exigido cautela dos países emergentes.

Outras projeções revisadas pelo BC

Além da revisão para o crescimento da economia e da piora das estimativas para a inflação, o Banco Central também atualizou outras projeções macroeconômicas no Relatório de Política Monetária.

Nas contas externas, a autoridade monetária reduziu a projeção de déficit em transações correntes para US$ 56 bilhões em 2026, equivalente a 2,1% do PIB. Ao mesmo tempo, elevou a estimativa para o ingresso líquido de Investimento Direto no País (IDP) para US$ 75 bilhões, ou 2,8% do PIB.

Já para o mercado de crédito, o BC manteve a expectativa de crescimento nominal de 9% do saldo de crédito do Sistema Financeiro Nacional (SFN) neste ano. Segundo a instituição, uma revisão para baixo no crédito livre foi compensada por uma perspectiva mais favorável para as linhas direcionadas. A projeção continua indicando desaceleração do crédito pelo segundo ano consecutivo.

Para 2027, mantiveram a meta de superávit primário de 0,5% do PIB, enquanto o cenário oficial prevê continuidade da alta da dívida bruta, que deverá atingir 87,8% do PIB em 2029 antes de iniciar trajetória de queda gradual.