Régis Bittencourt (BR-116) vai a leilão hoje; três empresas disputam uma das principais rodovias do país

MoneyTimes
Ouvrir sur MoneyTimes

O leilão de concessão da rodovia Régis Bittencourt, a BR-116, acontece nesta quinta-feira (23) e envolve um dos ativos rodoviários mais atrativos disponíveis atualmente. Três empresas apresentaram propostas para a disputa: Motiva (MOTV3), Grupo EPR e Arteris (ARTR3), atual operadora da concessão.

O vencedor ficará responsável por administrar os 383 quilômetros da rodovia pelos próximos 15 anos, em um contrato que prevê R$ 7,1 bilhões em investimentos em obras e melhorias e R$ 4,1 bilhões em custos operacionais ao longo da concessão.

Ligando o estado de São Paulo ao Paraná, a Régis Bittencourt atende um dos principais corredores logísticos do país e é estratégica para o escoamento da produção agrícola. A expectativa dos analistas é de uma concorrência disciplinada, com a Motiva aparecendo como a empresa melhor posicionada.

Além disso, para o mercado , o resultado do leilão não definirá apenas o futuro operador de uma rodovia essencial para o Brasil, mas também servirá como um medidor de interesse do setor privado por novas concessões de infraestrutura.

Candidatas

Motiva

Como vencedora do releilão da rodovia Fernão Dias (BR-381) em um processo semelhante realizado anteriormente, a Motiva vem buscando ampliar sua presença no segmento rodoviário, sobretudo por meio de concessões consideradas premium, segundo o BTG Pactual.

Nesse contexto, a Régis Bittencourt se encaixa no perfil buscado pela companhia e é vista como um ativo estratégico, reunindo tráfego elevado, relevância logística e potencial para ganhos de eficiência operacional.

Em relatório, o Bank of America mantém recomendação de compra para a empresa e avalia que uma eventual vitória no leilão teria impacto positivo, com geração de cerca de R$ 200 milhões em capital para os acionistas.

Já o Santander adota uma visão mais otimista e estima potencial de geração de R$ 600 milhões, o equivalente a aproximadamente R$ 0,30 por ação.

Apesar do otimismo, os bancos ressaltam que o retorno financeiro dependerá da capacidade da Motiva de gerar ganhos de eficiência na operação, ameaçada pelo ambiente de juros elevados, pelo alto volume de investimentos exigido e pela necessidade de crescimento contínuo do tráfego ao longo da concessão.

Grupo EPR

O EPR surge como outro competidor relevante e natural para a a disputa, já que tem participado ativamente dos leilões de infraestrutura ao longo dos últimos anos e consolidado presença crescente no setor rodoviário.

O Grupo EPR é uma plataforma brasileira de investimentos em concessões de rodovias e mobilidade, criada a partir da parceria entre a Equipav, grupo com mais de 60 anos de atuação em infraestrutura, e a gestora de fundos Perfin. A companhia administra concessões rodoviárias nos estados de Minas Gerais e do Paraná.

Na avaliação do mercado, porém, o cenário de financiamento mais caro e a necessidade de preservar recursos para novos investimentos podem limitar o interesse da companhia pelo ativo.

Arteris

É uma das maiores concessionárias de rodovias do Brasil, responsável pela administração de mais de 3,2 mil quilômetros de estradas nos estados de São Paulo, Paraná, Santa Catarina, Rio de Janeiro e Minas Gerais. Controlada pelos grupos Abertis e Brookfield, a companhia opera concessões federais e estaduais.

Responsável pela concessão da Régis Bittencourt desde 2008, a Arteris disputa o leilão com a potencial vantagem de já conhecer bem o ativo e as suas características operacionais.

Por outro lado, análises do BTG indicam que a companhia hoje enfrenta um cenário de maior alavancagem financeira e restrições de capital, o que ajudam a explicar a reestruturação da concessão e podem limitar sua agressividade na disputa.

* Sob supervisão de Maria Carolina Abe