Oncoclínicas (ONCO3): Goldman Sachs se desfaz de ações da companhia; entenda

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O Goldman Sachs deixou a Oncoclínicas (ONCO3) após 11 anos do primeiro investimento na rede de oncologia. O banco gringo, que chegou a ter 93% da companhia, agora reduziu a participação para uma fatia residual de apenas 0,70%.

Na noite de quarta-feira (22), a Oncoclínicas recebeu do GLQ Broad Street veículo de investimento afiliado ao Goldman Sachs informando sobre um aditivo ao instrumento derivativo de liquidação financeira, resultando na redução de sua exposição econômica de 62.914.808 ações, ou 5,55% do capital social total para uma exposição equivalente a 7.914.808 ações ou 0,70% total.

Segundo fontes ouvidas pelo Valor Econômico , o Goldman está vendendo o que restou no mercado e procura zerar a posição. A saída seria motivada pela falta de perspectiva de crescimento em relação à companhia, que enfrenta um processo de recuperação extrajudicial.

As fontes citam ainda conflito entre acionistas como a Latache e outros minoritários, além do envolvimento da empresa com o Banco Master , de Daniel Vorcaro, estão entre os pontos que impactam a visão sobre a Oncoclínicas.

A companhia informou no comunicado ao mercado que fundo Josephina, também um veículo de investimento afiliado ao GS Group, detém 55.000.000 ações ou 4,845% do capital social total da companhia, tendo adquirido tais ações, por meio de transação privada, de Josephina III Fundo de Investimento em Participações.

“Além de tal exposição financeira do GLQ Broad Street e da participação do Josephina I, o GS Group não possui, nesta data, tampouco visa adquirir, quaisquer outros valores mobiliários ou instrumentos derivativos, de liquidação física ou financeira, referenciados em ações da companhia”, diz a Oncoclínicas.

A redução da participação do Goldman Sachs iniciou no ano passado, por conta de uma regra dos Estados Unidos, conhecida como Volcker Rule, que inviabiliza uma participação superior a 5% por mais de dez anos em uma companhia.

Disputa sobre OPA

No início desse mês, a Oncoclínicas anunciou que decisão da área técnica da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) de não obrigatoriedade pelo fundo Josephina III de realizar uma oferta pública de ações (OPA).

A decisão deu andamento a uma investigação da autarquia sobre a necessidade de que o fundo lance a OPA devido a uma reorganização societária feita pela Oncoclínicas em novembro de 2024, que teria disparado o poison pill , mecanismo que protege os direitos dos acionistas minoritários em caso de mudanças no controle da empresa.

Os minoritários da Oncoclínicas pleiteavam a realização da OPA. A leitura é de que a Centaurus deveria ter proposto uma oferta pelas ações após adquirir a fatia do Goldman Sachs na empresa.

O mecanismo de poison pill estipula a obrigatoriedade da realização de uma OPA sempre que um investidor adquirir uma participação acionária igual ou superior a 15%.

Uma reorganização societária fez com que o fundo Josephina III, veículo da gestora Centaurus, passasse a deter diretamente 31,83% do capital da Oncoclínicas, o que, em teoria, dispararia o poison pill e deveria dar aos demais acionistas a chance de vender as ações nas mesmas condições.

Entretanto, o colegiado entendeu que o mecanismo não foi acionado, uma vez que a Centaurus já detinha, de forma indireta, participação superior a 15% na rede de tratamento oncológico desde 2018, permanecendo com uma participação relevante quando houve a abertura de capital, em 2021.

Tendo em vista que o estatuto prevê que os acionistas com participação relevante antes do IPO se isentam da poison pill, a reorganização não é lida como a entrada de uma participação relevante, mas como a reorganização do que já existia.

Na época, a Oncoclínicas chegou a receber questionamentos de acionistas sobre a necessidade da OPA, afirmou que havia solicitado esclarecimentos ao Goldman Sachs e à Centaurus, concluiu que nada indicava que a gestora estivesse obrigada a lançar a oferta.