Mercado amplia apostas em alta de juros nos EUA após escalada da tensão no Oriente Médio e disparada do petróleo

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As apostas do mercado para os próximos passos do Federal Reserve (Fed) ficaram mais agressivas nos últimos dias. Os investidores passaram a atribuir maior probabilidade de uma alta de juros já na reunião de 29 de julho e reforçaram as expectativas de aperto monetário para setembro, segundo as probabilidades implícitas nos contratos futuros monitorados pelo CME FedWatch.

A mudança ocorre em meio a uma nova escalada das tensões no Oriente Médio, que levou o petróleo para a casa dos US$ 100 por barril e reacendeu preocupações com uma nova onda de pressões inflacionárias nos Estados Unidos.

Para a reunião de setembro, a probabilidade de manutenção dos juros despencou de 47,6% para 16,8%. Em contrapartida, as apostas em alguma alta de juros passaram de 52,4% para 83,2%. Dentro desse cenário, a chance de um aumento de 25 pontos-base avançou de 47,0% para 55,5%, enquanto a probabilidade de uma elevação de 50 pontos-base saltou de 5,4% para 27,7%.

Já para a reunião da próxima quarta-feira (29), a probabilidade de manutenção dos juros na faixa entre 3,50% e 3,75% caiu de 88,2%, há uma semana, para 62,1%. Em contrapartida, as apostas em uma alta de 25 pontos-base, para o intervalo entre 3,75% e 4,00%, avançaram de 11,8% para 37,9%.

A reprecificação reflete a avaliação de que a escalada das tensões geopolíticas pode dificultar o processo de desinflação nos Estados Unidos. Um petróleo mais caro tende a pressionar os preços de combustíveis, transporte e energia, elevando o risco de que a inflação volte a ganhar força.

Diante desse cenário, os investidores passaram a considerar que o Fed poderá manter uma postura mais cautelosa e, se necessário, retomar o ciclo de alta dos juros para evitar uma nova aceleração dos preços.

A decisão do Fed será anunciada na próxima quarta-feira (29) e será acompanhada de perto pelos mercados, que buscarão sinais do presidente Kevin Warsh sobre os próximos passos da política monetária.

O comunicado será observado em busca de pistas sobre como a autoridade monetária avalia os impactos da alta do petróleo, das tensões geopolíticas e da evolução da inflação sobre a trajetória dos juros nos Estados Unidos.