Cripto movimenta R$ 283 bi no Brasil, mas só um presidenciável responde sobre o setor

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Cripto movimenta R$ 283 bi no Brasil, mas só um presidenciável responde sobre o setor

Brasil lidera ranking global de adoção de cripto e operações somaram R$ 283,1 bilhões apenas no primeiro semestre deste ano. O BeInCrypto procurou seis presidenciáveis para saber quais são os planos para a indústria de ativos digitais

Às vésperas da eleição de 2026, o BeInCrypto procurou os seis principais candidatos à Presidência da República para saber como pretendem tratar um mercado que já movimenta bilhões de reais no país, alcança milhões de brasileiros e entra em uma nova fase regulatória.

Brasil na liderança global

O último Global Crypto Adoption Index 2026, da Chainalysis, coloca o Brasil na primeira posição mundial em adoção de ativos digitais. Já a 2ª Pesquisa Nacional de Criptomoedas, realizada pela Paradigma Education em parceria com o Datafolha, mostra que 17,2% dos brasileiros, quase 29 milhões de pessoas, já investiram em criptomoedas.

Estamos falando de um setor que vem crescendo a dois dígitos ano após ano. É uma oportunidade importante para transformar a relevância econômica que cripto já conquistou no Brasil em relevância política, afirma Marina Fagali, Diretora no Brasil do movimento global Juntos por Cripto.

Segundo a Receita Federal, as stablecoins já respondem por cerca de 80% do volume declarado de criptoativos no território nacional. Apenas no primeiro semestre de 2026, as operações com cripto no país movimentaram R$ 283,1 bilhões, o maior volume já registrado no período desde o início da série histórica.

Os números indicam que os ativos digitais deixaram de ser uma discussão restrita a um pequeno grupo de investidores. A indústria envolve tecnologia, mercado financeiro, empreendedorismo, formação profissional, atração de investimentos, novos modelos de negócios e inclusão financeira.

Ao mesmo tempo, o Brasil entrou em uma nova etapa regulatória, com o avanço das regras do Banco Central para prestadores de serviços de ativos virtuais.

Lula, Bolsonaro, Cury, Caiado e Zema ignoram indústria cripto

Diante desse cenário, o BeInCrypto procurou Luiz Inácio Lula da Silva (PT), Flávio Bolsonaro (PL), Renan Santos (Missão), Augusto Cury (Avante), Ronaldo Caiado (PSD) e Romeu Zema (Novo). Dos seis presidenciáveis consultados, apenas Renan Santos respondeu às perguntas da reportagem.

Para Fagali, o silêncio da maioria revela uma distância entre o debate político e uma atividade econômica que já alcançou escala no país.

A ausência de resposta dos presidenciáveis é um sintoma muito claro de algo que temos discutido nos debates sobre cripto e eleições: há um descolamento entre a política e temas que já são relevantes para a população e para a economia brasileira.

A diretora do Juntos por Cripto vê a situação com preocupação, mas também como uma oportunidade.

É justamente uma das razões para a atuação do Juntos por Cripto: aproximar a sociedade da política por meio da pauta cripto e, ao mesmo tempo, fazer com que os representantes políticos compreendam melhor a relevância que esse setor já tem para a população.

O que o BeInCrypto quis saber dos candidatos?

Todos os seis presidenciáveis receberam perguntas sobre o papel da indústria de ativos digitais na estratégia econômica brasileira. Regulação, tributação, segurança jurídica, inovação, pesquisa, formação profissional, fintechs e atração de empresas, capital e talentos estiveram entre os temas em comum apresentados a todos pela reportagem.

O BeInCrypto também questionou como o próximo governo pretende posicionar o Brasil na disputa internacional por investimentos na economia digital e quais políticas poderiam permitir, por exemplo, que empresas brasileiras do setor cresçam sem perder competitividade para companhias instaladas em outras jurisdições.

Perguntas para cada plano de governo

Além das questões comuns, cada candidato recebeu perguntas relacionadas às propostas econômicas e tecnológicas apresentadas por sua candidatura.

Luiz Inácio Lula da Silva (PT) — não respondeu

Ao atual presidente, perguntamos qual deve ser o papel do Estado no desenvolvimento da indústria de ativos digitais: apenas regulador ou também indutor de investimentos, infraestrutura e tecnologia. A questão considerou a política do atual governo de ampliar a capacidade tecnológica brasileira e atrair investimentos para setores estratégicos.

Flávio Bolsonaro (PL) — não respondeu

Ao candidato do PL, as questões foram sobre como suas propostas de desburocratização, digitalização e maior liberdade econômica seriam aplicadas à indústria de ativos digitais. Nós questionamos se seu governo revisaria exigências regulatórias e como conciliaria maior liberdade econômica com proteção ao consumidor, combate a fraudes e prevenção à lavagem de dinheiro.

Renan Santos (Missão) — respondeu

Renan Santos foi o único dos seis presidenciáveis consultados a responder ao BeInCrypto. Suas propostas para a indústria de ativos digitais são apresentadas na próxima reportagem.

Romeu Zema (Novo) — não respondeu

Ao candidato do Novo, solicitamos repostas sobre suas propostas de redução da carga tributária e de menor intervenção estatal seriam aplicadas à indústria de ativos digitais. Também solicitamos informações sobre como seu governo lidaria com as diferenças de custos regulatórios e tributários entre empresas instaladas no Brasil. E as plataformas estrangeiras, que oferecem serviços aos consumidores brasileiros.

Augusto Cury (Avante) — não respondeu

Ao candidato do Avante, perguntamos se ativos digitais, tokenização e tecnologias de registros distribuídos fariam parte de sua estratégia de desenvolvimento tecnológico, que prevê, entre outros pontos, ampliar o uso de inteligência artificial (IA) pelo Estado. O papel das universidades na formação de profissionais. Criação de startups em áreas como inteligência artificial, ativos digitais e novas tecnologias financeiras estavam entre as questões enviadas.

Ronaldo Caiado (PSD) — não respondeu

Para o candidato do PSD, perguntamos como a indústria de ativos digitais entraria em sua estratégia de ampliação do capital de risco, atração de talentos e transformação da pesquisa brasileira em empresas competitivas internacionalmente.

Indagamos se stablecoins, tokenização e ativos digitais poderiam fazer parte de uma próxima etapa da infraestrutura financeira digital brasileira, após iniciativas como Pix, Open Finance e gov.br. E qual deveria ser a divisão de papéis entre Estado e iniciativa privada?

Setor quer levar pauta cripto ao segundo turno

A ausência de respostas, segundo o Juntos por Cripto, não encerra a tentativa de levar o tema para a agenda eleitoral. O movimento pretende aumentar a interlocução com as campanhas, sobretudo se a disputa presidencial avançar para uma segunda rodada.

Nosso próximo movimento será ampliar a pressão sobre os candidatos à Presidência, especialmente diante da possibilidade de um segundo turno, para que apresentem compromissos claros em relação à indústria de ativos digitais, ressalta Fagali .

O que está em jogo neste domingo?

Além do próximo presidente da República, os brasileiros irão escolher 27 governadores, 54 senadores, 513 deputados federais e mais de mil deputados estaduais e distritais.

A renovação será especialmente significativa no Senado: dois terços das 81 cadeiras estarão em disputa. Os eleitos terão papel direto na discussão e aprovação de leis que podem definir, por exemplo, os próximos capítulos da regulação e do desenvolvimento da indústria de ativos digitais no Brasil.

Dados do Juntos por Cripto mostram que, dos atuais 594 parlamentares, apenas 3% já se posicionaram a favor do mercado cripto. Apenas 3%.

O potencial existe e é enorme. O que ainda falta é que governantes e representantes políticos compreendam essa dimensão. Temos muito trabalho pela frente, mas também uma oportunidade de aproximar definitivamente a agenda política de uma realidade econômica que já está presente na vida de milhões de brasileiros”, finaliza Marina Fagali.

Leia a história original Cripto movimenta R$ 283 bi no Brasil, mas só um presidenciável responde sobre o setor por Aline Fernandes em br.beincrypto.com