Efeito Lula: Bolsa tem o pior mês desde 2022 e dólar vai às alturas

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Efeito Lula: Bolsa tem o pior mês desde 2022 e dólar vai às alturas

O mercado financeiro brasileiro encerrou outubro sob forte pressão, com o dólar em disparada e a bolsa em queda acentuada. No mês, o Ibovespa perdeu 9,88%, o pior resultado desde junho de 2022, quando a queda foi de 11,5%. O dólar avançou 5,27% e passou a acumular alta de 0,81% em 2026.

O estrago se concentrou na reta final. Na última semana do mês, a moeda americana subiu mais de 9%, a maior valorização semanal desde a crise financeira de 2008. O Ibovespa recuou 18,12% no mesmo período, a pior queda semanal desde março de 2020, quando havia perdido 18,88% nos efeitos iniciais da pandemia.

Dólar fecha o mês no maior valor do ano

A moeda comercial terminou outubro cotada a R$ 5,446, o maior valor de fechamento de 2026. No último pregão do mês, chegou a R$ 5,463 antes de devolver parte dos ganhos.

Segundo João Victor da Silva, economista e analista de Mercado da Orsitec, parte dos investidores havia se posicionado para uma vitória de Flávio Bolsonaro. Com o resultado, houve uma revisão das perspectivas para a condução da economia.

“O mercado sempre reage às expectativas”, afirma. Na prática, os preços das ações, do dólar e dos contratos de juros incorporam projeções sobre crescimento, inflação e contas públicas. Quando o cenário esperado muda, os investidores ajustam suas operações, o que pode intensificar as oscilações", completa.

A alta semanal de 9,15% veio logo após o segundo turno das eleições presidenciais, e foi a maior desde outubro de 2008. Parte da volatilidade do último dia veio da formação da Ptax de fim de mês, taxa calculada pelo Banco Central e usada como referência para liquidar contratos futuros de câmbio.

Os investidores também reavaliaram posições após o resultado eleitoral. A expectativa pela definição da equipe econômica do próximo governo e pelas medidas para as contas públicas manteve o mercado atento à política fiscal. Antes do feriado de Finados, nesta segunda (2), houve ainda busca por proteção cambial.

Bolsa soma cinco quedas seguidas

O Ibovespa fechou o mês aos 167,9 mil pontos, no quinto pregão consecutivo de baixa. A pressão ganhou força depois da reeleição de Lula. No primeiro pregão após o resultado, na segunda (26), a queda acionou o circuit breaker, mecanismo que interrompe temporariamente as negociações diante de perdas expressivas.

A saída de capital estrangeiro também pesou. Dados da B3 apontaram retirada líquida de quase R$ 7,6 bilhões do mercado secundário de ações nos três primeiros pregões da última semana de outubro.

Cenário externo também pressionou

Além das incertezas domésticas, o mercado brasileiro acompanhou um ambiente internacional desfavorável, com cautela em relação às empresas de tecnologia dos Estados Unidos e às perspectivas para a inflação e os juros globais.

No último pregão do mês, o S&P 500 caiu 1,82% em Nova York, refletindo preocupações com os resultados das big techs e com os investimentos em inteligência artificial. A forte queda das ações de tecnologia e de IA pressionou o dólar e as bolsas de outros países.

Leia a história original Efeito Lula: Bolsa tem o pior mês desde 2022 e dólar vai às alturas por Luís De Magalhães em br.beincrypto.com