Flávio Bolsonaro argumenta contra tarifas e defende Pix em audiência nos EUA

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O senador e pré-candidato do PL à Presidência Flávio Bolsonaro discursou nesta terça (7) perante o Representante Comercial dos EUA (USTR) contra a nova tarifa de 25% proposta sobre produtos brasileiros, distanciando-se de uma política que chegou a ser usada como instrumento de pressão em defesa de seu pai.

O filho de Jair Bolsonaro se vê entre uma aliança ideológica com o presidente norte-americano e o ressentimento dos brasileiros em relação às tarifas que Donald Trump impôs pela primeira vez no ano passado em uma tentativa de prejudicar o julgamento do ex-presidente.

Após a Suprema Corte dos EUA derrubar essa política, o USTR propôs uma nova tarifa de 25% sobre importações do Brasil com base no estatuto comercial da Seção 301, acusando o parceiro comercial sul-americano de práticas desleais. O USTR tomará uma decisão final até 15 de julho, após as audiências públicas desta semana, das quais o senador Bolsonaro participou.

Em um discurso de aproximadamente quatro minutos, ele se concentrou em acusações de censura e corrupção no Brasil, ao mesmo tempo em que defendeu o popular sistema de pagamento instantâneo Pix, de acordo com pessoas a par do assunto e uma gravação feita por um participante.

“O Pix não é um problema a ser resolvido, é uma solução”, disse ele em áudio ouvido pela Reuters , defendendo o sistema de pagamento do Banco Central lançado durante o governo de seu pai e agora citado por Washington como uma ameaça desleal a empresas como Visa e Mastercard.

O senador também argumentou contra o momento escolhido para a imposição das tarifas propostas ao Brasil. Ele destacou a aproximação das eleições de outubro, nas quais planeja disputar contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva , que tem resistido à crescente onda de aliados de direita de Trump na região.

“Em apenas 90 dias, o cenário político do país será completamente diferente”, disse Flávio Bolsonaro.

A tarifa norte-americana proposta com base no estatuto da Seção 301, tornada pública no início de junho, isentaria várias categorias de produtos brasileiros, como carne bovina, café, terras raras, outros metais e peças de aeronaves. Mas ainda ameaça exportações e empregos em setores brasileiros como calçados e pesca.

Representantes de vários grupos comerciais, incluindo a Associação Brasileira da Indústria do Arroz, a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) e a Confederação Nacional da Indústria (CNI), também estão participando das audiências públicas em Washington que começaram na segunda (6).