Petróleo sobe mais de 2% após EUA e Irã trocarem ataques, aumentando temores sobre fragilidade da trégua

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Os preços do petróleo avançam mais de 2% nesta quarta-feira (8), depois que o Irã e as forças militares dos Estados Unidos trocaram ataques aéreos e Washington restabeleceu sanções sobre as vendas de petróleo bruto de Teerã, aumentando os receios de que a frágil trégua entre os dois países esteja se desfazendo e que o fornecimento de petróleo do Oriente Médio volte a ser interrompido.

Os contratos futuros do petróleo Brent subiam US$ 1,74, ou 2,35%, para US$ 75,90 por barril às 5h07 (horário de Brasília). O petróleo West Texas Intermediate (WTI), dos Estados Unidos, avançava US$ 1,58, ou 2,24%, para US$ 72,02 por barril.

Ambos os contratos já haviam registrado alta de cerca de 3% na noite desta terça-feira (7), após os Estados Unidos revogarem a licença geral que autorizava a venda de petróleo bruto iraniano.



“Embora a revogação não altere de forma fundamental a dinâmica do mercado de petróleo, ela é importante do ponto de vista do sentimento dos investidores. A medida aumenta o risco de colapso do acordo temporário entre Estados Unidos e Irã”, afirmaram estrategistas de commodities do ING nesta quarta-feira.

Os ataques aéreos dos Estados Unidos foram uma resposta aos ataques iranianos contra três embarcações comerciais que transitavam pelo Estreito de Ormuz, informou ontem o Comando Central dos EUA. Em seguida, a Guarda Revolucionária do Irã declarou que atingiu instalações militares norte-americanas no Bahrein e no Kuwait na madrugada de hoje.

“O atual conflito lembra ao mercado o quão frágil ainda é a passagem pelo Estreito de Ormuz”, afirmou Saul Kavonic, diretor de pesquisa da MST Marquee.

“Isso representa um fator contrário ao sentimento predominante de que o mercado poderá enfrentar um excesso de oferta, o que pode levar parte das posições vendidas recordes a ser encerrada”, disse. Ele acrescentou que, caso as tensões persistam e o tráfego pela hidrovia permaneça abaixo de 50% dos níveis anteriores à guerra, as restrições de oferta resultantes poderão sustentar preços mais elevados para o petróleo.

Acordo derrubou preços

Após Estados Unidos e Irã assinarem um acordo de trégua no mês passado, os preços do petróleo recuaram para níveis anteriores ao conflito, e os operadores acumularam grandes posições vendidas em contratos futuros de petróleo, apostando em novas quedas dos preços.

As expectativas de que uma grande quantidade de petróleo retida no Oriente Médio voltaria ao mercado contribuíram para a queda das cotações.

O Irã não assumiu a responsabilidade pelos ataques às embarcações, mas o Catar atribuiu a autoria a Teerã, incluindo o ataque contra um navio-tanque catariano de gás natural liquefeito (GNL), que informou ter sido atingido por um drone que provocou um incêndio na casa de máquinas.

Um navio-tanque de petróleo bruto de bandeira saudita, que se acredita ser o superpetroleiro Wedyan, também foi danificado na costa de Omã, segundo fontes de segurança marítima. A causa do incidente não foi esclarecida de imediato.

Os ataques renovaram as preocupações com o tráfego de navios-tanque pelo Estreito de Ormuz, por onde, antes do início da guerra em fevereiro, passavam cargas equivalentes a cerca de um quinto do fornecimento global de energia.

O Irã está reforçando seu controle sobre o Estreito de Ormuz e determinou que as embarcações utilizem uma rota mais próxima de sua costa, em vez da via situada mais perto de Omã, que também faz fronteira com a hidrovia. Os Estados Unidos insistem que a passagem deve permanecer livre para todos, como ocorria antes do início do conflito.

Desde o início da guerra, diversos países vêm reduzindo seus estoques para compensar a escassez de oferta.

Os estoques de petróleo bruto dos Estados Unidos voltaram a cair na semana passada, informaram fontes do mercado ontem, citando dados do Instituto Americano do Petróleo (API). Analistas consultados pela Reuters esperavam uma redução de aproximadamente 2,4 milhões de barris nos estoques de petróleo na semana encerrada em 3 de julho.