Vale (VALE3) dá fôlego ao Ibovespa e índice salta mais de 2%; dólar cai a R$ 5,05

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O Ibovespa (IBOV ) ignorou o tom negativo de Wall Street e ganhou fôlego com as blue chips, em dia de forte apetite a risco no cenário doméstico e valorização do petróleo em meio às tensões no Oriente Médio.

Nesta quarta-feira (22), o principal índice da bolsa brasileira terminou as negociações com alta de 2,44%, aos 177.547,57 pontos.

Já o dólar à vista encerrou as negociações a R$ 5,0517, com queda de 0,43%.

Por aqui, o ‘tarifaço’ de 25% sobre a importação dos produtos brasileiros nos Estados Unidos entrou em vigor nesta quarta-feira e ficou no radar dos investidores.

Na tentativa de conter os impactos, o governo federal anunciou a liberação de R$ 18,5 bilhões em linhas de financiamento para empresas afetadas.

Do total previsto para a nova etapa do plano Brasil Soberano, R$ 13,5 bilhões virão do Tesouro Nacional, enquanto R$ 5 bilhões serão disponibilizados pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), segundo o Palácio do Planalto.

O cenário corporativo também dividiu as atenções com resultados de Vale (VALE3).

Para Marcelo Boragini, especialista em renda variável da Davos Investimentos, o mercado brasileiro continua negociando a múltiplos inferiores aos observados nas bolsas de países desenvolvidos, o que mantém os ativos locais atrativos para o capital internacional.

“Esse diferencial de valuation , aliado ao início da temporada de balanços nos Estados Unidos, tem incentivado uma movimentação tática para mercados emergentes, com o Brasil figurando entre os principais destinos desses recursos”, afirmou o especialista.

Altas e quedas do Ibovespa

Entre as ações negociadas no Ibovespa, apenas cinco açõe fecharam em queda: TIM (TIMS3), Telefônica Vivo (VIVT3), Yduqs (YDUQ3), Caixa Seguridade (CXSE3) e Engie (EGIE3).

Já a ponta positiva foi liderada por WEG (WEGE3), que também foi a ação mais negociada da B3. WEGE3 subiu 9,47% (R$ 46,49) e movimentou R$ 1,5 bilhão em cerca de 74 mil negócios. As cotações são preliminares.

A companhia reportou lucro líquido de R$ 1,55 bilhão no segundo trimestre, um recuo de 2,1% ante o mesmo período do ano anterior e avanço de 7% sobre o último trimestre, mostra relatório de resultados divulgado ao mercado nesta quarta-feira (22).

A cifra veio em linha com as expectativas do mercado. Projeções reunidas pela Bloomberg apontavam para um lucro de R$ 1,5 bilhão no período.

Todos os olhos, porém, ficaram concentrados em Vale ( VALE3), que detém 11% de participação do índice e encerrou o dia com salto de 4% (R$ 75,13). Os investidores reagiram à prévia operacional e à eleição do conselho de administração – fatores que contribuem para a entrada de fluxo estrangeiro.

O relatório de produção da companhia confirmou a esperada recuperação operacional no segundo trimestre de 2026 (2T26). A mineradora registrou avanço na produção e nas vendas de seus principais segmentos de negócios, com destaque para o minério de ferro, que alcançou seu melhor desempenho para um segundo trimestre desde 2018.

Os acionistas ainda legeram, em Assembleia Geral Extraordinária (AGE) realizada nesta quarta-feira (22), Manuel Lino de Sousa Oliveira, conhecido como “Ollie”, para a presidência do conselho de administração da mineradora.

Ollie, que já integrava o colegiado e contou com o apoio da Previ, derrotou Marcelo Gasparino, em uma disputa que ganhou relevância por reacender o debate sobre a influência dos grandes acionistas na governança da companhia.

Ainda entre os pesos-pesados, Petrobras (PETR4 ; PETR3 ) ganha fôlego com a disparada do petróleo no exterior. PETR3 subiu de 2,37% (R$ 45,89) e PETR4 registrou alta de 1,94% (R$ 42,47).

Além disso, o BB Investimentos elevou a recomendação das ações PETR4 de neutra para compra. O preço-alvo é de R$ 45, o que implica em um potencial de valorização de 8% sobre o preço de fechamento de ontem.

A alta do IBOV ainda foi patrocinada por bancos: o Índice Financeiro (IFNC) terminou o pregão com alta de 2,19%.

Bancos, Vale e Petrobras correspondem a 50% da carteira teórica do Ibovespa.

Exterior

Os índices de Wall Street fecharam a sessão sem direção única, em meio a disparada dos preços do petróleo pelo quarto dia consecutivo com a continuação das hostilidades entre Estados Unidos e Teerã no Oriente Médio.

Confira o fechamento dos índices:

Dow Jones: -0,01%, aos 52.218,58 pontos; S&P 500: -0,14%, aos 7.498,96 pontos; Nasdaq: -0,57%, aos 25.690,903 pontos.

Na Europa, os índices fecharam em alta com balanços corporativos e à espera de uma nova decisão de política monetária do Banco Central Europeu (BCE). O índice pan-europeu Stoxx 600 encerrou as negociações com avanço de 0,58%, aos 646,93 pontos.

Na Ásia, os índices terminaram em tom negativo: o índice Nikkei, do Japão, caiu 0,18% os 66.115,60 pontos e o índice Hang Seng, de Hong Kong, teve perda de 0,95%, aos 24.892,66 pontos pontos.