Eleições 2026: dólar pode cair mais? Líderes avaliam riscos para o Brasil após as urnas

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Eleições 2026: dólar pode cair mais? Líderes avaliam riscos para o Brasil após as urnas

Com Lula e Flávio Bolsonaro na disputa presidencial, representantes da Solana Foundation, Mercado Bitcoin, Truther, Z.ro Global, Juntos por Cripto e Obsidiam analisam os riscos para o câmbio, os desafios econômicos e o futuro dos criptoativos no país.

Brasil vai às urnas neste domingo

O Brasil vai às urnas neste domingo (25) para decidir quem ocupará a Presidência da República pelos próximos quatro anos. De um lado, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que busca a reeleição. Do outro, Flávio Bolsonaro (PL), senador e filho do ex-presidente Jair Bolsonaro.

O resultado de uma disputa marcada pela polarização política deve movimentar as expectativas para o dólar, os juros, a Bolsa e os rumos da economia brasileira. Mas existe uma particularidade que coloca os investidores de criptomoedas em uma posição diferente daqueles que operam nos mercados tradicionais.

Enquanto a B3 e o mercado de câmbio brasileiro estarão fechados durante a apuração dos votos, o mercado de criptoativos continuará funcionando normalmente, 24 horas por dia, sete dias por semana. Na prática, investidores poderão negociar Bitcoin (BTC) e stablecoins atreladas ao dólar, como o USDT, enquanto os votos estiverem sendo contabilizados, horas antes da abertura dos mercados tradicionais na segunda-feira (26).

As negociações de stablecoins em reais poderão, portanto, oferecer uma primeira indicação de como parte dos investidores está reagindo ao resultado eleitoral. Essas cotações, entretanto, não equivalem ao dólar comercial e podem apresentar diferenças decorrentes de liquidez, demanda e condições específicas das plataformas.

Dólar volátil na eleição de 2022: e agora?

A história recente mostra como uma eleição pode provocar mudanças bruscas nas expectativas cambiais. Em 2022, após a vitória de Lula sobre Jair Bolsonaro, o dólar comercial chegou à região de R$ 5,40 no primeiro pregão depois do segundo turno. Ao longo daquela mesma segunda-feira, porém, o movimento se inverteu: a moeda americana encerrou o dia em queda de 2,54%, cotada a aproximadamente R$ 5,16.

O episódio demonstra que a reação inicial dos investidores nem sempre determina a tendência dos dias seguintes. Desta vez, o mercado cripto estará novamente aberto enquanto o país conhece seu próximo presidente. Diante desse cenário, o BeInCrypto ouviu seis lideranças ligadas à indústria de ativos digitais para entender até que ponto o resultado das urnas poderá influenciar o dólar, a economia e o futuro do setor no Brasil.

As entrevistas revelam diferentes perspectivas sobre o câmbio e a condução econômica, mas apontam para uma preocupação comum: independentemente de quem vença, o país precisará enfrentar desafios fiscais, regulatórios e estruturais para continuar atraindo investimentos e inovação.

A reportagem apresentou aos entrevistados a seguinte questão:

Diante da polarização política e das incertezas sobre os rumos do Brasil, qual é a sua perspectiva para o cenário político e econômico nos próximos meses? Você vê espaço para uma queda adicional do dólar? E, independentemente do resultado eleitoral, como avalia os possíveis impactos sobre o crescimento e a consolidação da indústria de criptoativos no país?

Dólar pode cair mais, mas problema fiscal preocupa executivos

A possibilidade de uma nova queda do dólar divide opiniões entre as lideranças do mercado cripto. Embora os juros elevados possam favorecer a entrada de capital estrangeiro, os desequilíbrios fiscais brasileiros continuam sendo apontados como um obstáculo à valorização sustentada do real.

Fabrício Tota, vice-presidente de Novos Negócios do Mercado Bitcoin, não acredita que uma mudança de governo seja suficiente para resolver problemas econômicos que atravessam diferentes administrações.

O Brasil tem uma capacidade quase inesgotável de produzir crises. Mudam os governos, mudam os discursos, mas os problemas fiscais, a insegurança jurídica e a instabilidade política continuam por aqui, firmes e fortes, afirma Tota.

Os juros elevados podem contribuir para atrair investidores estrangeiros interessados nos rendimentos oferecidos pelos ativos brasileiros. A dificuldade, entretanto, está em transformar esse fluxo de recursos em uma tendência duradoura de fortalecimento da moeda nacional.

Nossos juros elevados ajudam a atrair capital, mas é difícil apostar numa valorização duradoura do real enquanto o problema fiscal continuar sendo empurrado com a barriga, observa o VP do MB.

Guilherme Nazar, empreendedor e integrante do Board of Advisors da Z.ro Global, compartilha a preocupação com as contas públicas, mas identifica forças internacionais capazes de pressionar o dólar independentemente do resultado das eleições brasileiras.

Sua análise considera os desequilíbrios comerciais dos Estados Unidos (EUA) e a necessidade de recuperar a competitividade das exportações americanas. Esse cenário poderia favorecer o real no médio e longo prazo, ainda que o ambiente político doméstico provoque oscilações durante o processo.

O cenário político doméstico não muda a direção do movimento no médio/longo prazo. Ele afeta apenas a velocidade e a volatilidade no caminho, avalia Nazar.

Uma eventual vitória de um candidato percebido como mais favorável pelo mercado poderia acelerar a valorização do real. Em contrapartida, sinais de deterioração fiscal tenderiam a aumentar a volatilidade e dificultar uma recuperação consistente da moeda brasileira. A margem de atuação do próximo presidente, contudo, será limitada por problemas estruturais que não desaparecem com a troca de governo.

O Brasil tem um problema fiscal que não pode mais ser negligenciado, independentemente de quem vencer, afirma.

Banco Central pode limitar impactos da polarização no câmbio

A independência do Banco Central surge como outro elemento relevante nas projeções para o dólar após as eleições presidenciais de 2026.

Rocelo Lopes, criador da Truther e Chief of Digital Currency da Rezolve AI, acredita que a política continua influenciando o câmbio, mas perdeu parte do peso que exercia sobre o mercado em disputas eleitorais anteriores.

A questão política influencia, porém eu não acredito que já influencia tanto quanto influenciava no passado. É claro, você pode ter uma flutuação de R$ 5,20 para R$ 5,00, por exemplo. É uma flutuação considerável, sim, mas não significa que vai derreter completamente ou chegar a R$ 6,00, R$ 7,00 de uma hora para outra, afirma.

A autonomia da autoridade monetária, atualmente presidida por Gabriel Galípolo, é apontada por Lopes como um dos fatores capazes de reduzir o risco de oscilações extremas provocadas exclusivamente pelo resultado das urnas.

Eu acredito que qualquer um, seja de direita, seja de esquerda, seja de centro, qualquer um que entre, tem que ter uma boa política de relacionamento com o BC, porque o presidente do Banco Central vai ficar além do presidente que venha a ganhar a eleição, acrescenta.

Mesmo reconhecendo que algumas decisões da instituição não representam o cenário ideal para o setor de criptomoedas, Rocelo considera positivo o trabalho realizado na busca pela estabilidade econômica.

Antonio Neto, head LatAm da Solana Foundation, também enxerga espaço para novas quedas do dólar. Uma eventual mudança política poderia provocar uma reação positiva dos investidores, mas o elevado endividamento brasileiro e as restrições orçamentárias dificultariam a sustentação desse movimento.

Com certeza ainda há espaço para uma queda do dólar, talvez muito mais pela euforia e mudança de alguma coisa, caso venha a acontecer com o resultado das eleições. Mas, independentemente disso, o Brasil ainda tem uma dívida muito grande e uma limitação do que se pode fazer dentro do orçamento disponível para os próximos dois anos, que em boa parte já está comprometido, ressalta.

O interesse internacional pelo Brasil, entretanto, não garante que a entrada de capital estrangeiro resulte em uma valorização prolongada do real.

Sem dúvida, há interesse internacional de entrada de capital no Brasil, mas isso não necessariamente vai se refletir no dólar no médio prazo. E, quando falamos de médio prazo, estamos falando de seis meses a um ano, talvez, observa Neto.

As perspectivas para a indústria de criptoativos também passam pela continuidade das políticas regulatórias. Enquanto Rocelo cobra maior participação de especialistas na formulação de políticas públicas, Antonio destaca que o desenvolvimento do setor depende de decisões institucionais e condições econômicas que ultrapassam os ciclos eleitorais.

As expectativas são similares às de outros anos, em que a gente continua trabalhando para avançar, independentemente do presidente. O que é muito mais relevante para a gente é a política econômica e o caminho que está sendo seguido do ponto de vista da participação da indústria, inovação e atração de capital, investimento e talento, conclui.

Bitcoin não vota: a alternativa diante das incertezas políticas

Em meio às discussões sobre os efeitos da política econômica sobre o real, Fabrício Tota chama a atenção para uma característica que diferencia o Bitcoin das moedas tradicionais: sua política monetária não depende das decisões de governos ou bancos centrais.

É justamente nesse ambiente que uma das grandes virtudes do Bitcoin fica mais evidente: o BTC não vota, não tem partido e sua política monetária não depende de Brasília, afirma o executivo do MB.

A independência do protocolo, contudo, não elimina a volatilidade da criptomoeda. Seu preço continua sujeito às condições de mercado, às mudanças na liquidez global e ao comportamento dos investidores. Ainda assim, Tota considera que a estrutura monetária do Bitcoin oferece uma alternativa de diversificação em períodos de instabilidade política.

É volátil, claro, mas oferece ao investidor uma alternativa de diversificação que não precisa apostar no sucesso de um governo ou no fracasso de outro.

A declaração evidencia uma diferença importante entre o Bitcoin e o real (R$). Enquanto a moeda brasileira está sujeita às decisões de política monetária e às condições econômicas nacionais, a emissão de novos bitcoins segue regras estabelecidas pelo protocolo da rede.

Isso não significa que o preço do BTC esteja imune às eleições, aos juros americanos ou às mudanças no apetite global por risco. O mercado de criptomoedas permanece sensível às condições macroeconômicas, mesmo quando seus fundamentos tecnológicos independem de governos.

A continuidade operacional da rede Bitcoin, entretanto, representa um contraponto à instabilidade política.

Amanhã saberemos quem vai governar o Brasil. O Bitcoin, como sempre, continuará produzindo um bloco a cada dez minutos, destaca Tota.

Mercado cripto pode avançar independentemente do próximo presidente

Apesar das divergências sobre a trajetória do dólar, as lideranças ouvidas pelo BeInCrypto demonstram confiança na continuidade do desenvolvimento da indústria brasileira de ativos digitais. A expansão da tokenização, o amadurecimento das regras para prestadoras de serviços de ativos virtuais e a integração da blockchain ao sistema financeiro são apontados como movimentos que tendem a avançar independentemente de mudanças no comando do Executivo.

Antonio Neto, da Solana Foundation, observa que o crescimento do setor está cada vez mais associado a políticas institucionais e ao trabalho de reguladores e autarquias, cujas atividades não se encerram com os ciclos eleitorais.

A tecnologia blockchain também vem conquistando espaço como infraestrutura de mercado, deixando de ser associada exclusivamente à especulação com criptomoedas.

Esse amadurecimento amplia as possibilidades de aplicação da tecnologia, embora a disponibilidade de recursos, as condições regulatórias e a capacidade de atrair investimentos ainda representem obstáculos à adoção em larga escala.

Guilherme Nazar identifica movimento semelhante na aproximação entre os ativos digitais e o sistema financeiro tradicional.

O avanço da regulação das prestadoras de serviços de ativos virtuais, as iniciativas de tokenização da Anbima e a agenda regulatória da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) são exemplos de transformações que podem fortalecer a infraestrutura financeira brasileira.

A integração dessas iniciativas tende a reduzir a distância entre o mercado cripto e os serviços financeiros convencionais, abrindo espaço para novas aplicações e modelos de negócios.

Fabrício Tota também reconhece os avanços regulatórios conquistados pelo Brasil. A preocupação agora se concentra na capacidade de aplicar as regras de maneira consistente e garantir condições equilibradas de concorrência.

Agora vem a parte mais difícil: fazer as regras valerem para todos.

A fiscalização efetiva e a segurança jurídica poderão favorecer o desenvolvimento de soluções envolvendo stablecoins, pagamentos digitais e tokenização de ativos do mercado de capitais.

Rocelo Lopes critica falta de conhecimento dos governantes sobre o mercado cripto

A continuidade das políticas públicas, entretanto, não elimina as críticas à forma como o poder público brasileiro tem conduzido discussões relacionadas à indústria de ativos digitais.

Rocelo Lopes questiona o conhecimento técnico dos governantes sobre blockchain, criptomoedas e stablecoins. A deficiência, em sua avaliação, não está restrita a um partido ou corrente ideológica.

Todos eles têm uma coisa em comum: não conhecem a fundo o que é o mercado de blockchain, o que é o mercado de criptoativo, o que é o mercado de stablecoin. Todos eles não têm esse entendimento, critica.

A ausência de profissionais com experiência prática nas discussões governamentais é apontada como um dos principais problemas. Rocelo defende que empreendedores e especialistas que participaram diretamente da construção do mercado sejam ouvidos na elaboração de políticas públicas. Entre os nomes mencionados estão João Canhada, da Foxbit, e profissionais do Mercado Bitcoin, que poderiam contribuir com experiências relacionadas aos desafios enfrentados pelas empresas do setor.

O certo é justamente trazer técnicos, seja o governo de esquerda ou o governo de direita. Trazer pessoas técnicas com conhecimento suficiente de mercado para tentar fazer isso, aponta Rocelo.

A crítica também alcança projetos de desenvolvimento de stablecoins e infraestrutura blockchain que, na visão de Lopes, não contaram com a participação de profissionais preparados para lidar com as particularidades dessas tecnologias.

Eu vi frustrações do mercado que foi: vamos tentar fazer uma stablecoin no Brasil. Falharam por quê? Não chamaram as pessoas certas para fazer stablecoin. Não chamaram as pessoas certas para construir uma blockchain para esse setor.

As preocupações vão além da regulamentação dos criptoativos. A perda de profissionais qualificados, a carga tributária e as dificuldades para empreender também aparecem entre os desafios que o próximo governo precisará enfrentar.

A classe média está desaparecendo, porque ou ela está ficando pobre ou ela está indo embora do país.

A saída de brasileiros em busca de melhores oportunidades no exterior representa, na visão de Rocelo, um risco para a capacidade do país de desenvolver novos negócios e preservar profissionais especializados.

Eu tenho uma preocupação: qual é a política que vai ser criada para a gente não perder talentos? Isso é importante.

A revisão das políticas tributárias e industriais também integra suas propostas. O empreendedor defende uma discussão mais ampla sobre os custos de produção no Brasil e as alternativas para aumentar a competitividade das empresas nacionais.

Em uma das passagens mais contundentes da entrevista, Rocelo chega a defender a saída do país como alternativa para quem não encontra condições de desenvolver seus projetos. As criptomoedas aparecem nesse contexto como instrumentos capazes de ampliar a autonomia financeira e facilitar a movimentação de recursos, independentemente das fronteiras nacionais.

Eu estou tomando a minha atitude, que é desenvolver produtos para dar a liberdade financeira dos usuários. Se o usuário quer ter essa liberdade de ele virar o banco, eu estou dando a ferramenta para ele.

A cobrança por mudanças, contudo, não deveria ficar restrita ao governo. Rocelo também defende uma postura mais ativa de cidadãos e empresários, com maior participação nas discussões públicas e pressão sobre deputados e senadores.

Milhões de brasileiros já investiram em cripto

A dimensão social e política da indústria de ativos digitais também ganha relevância diante do crescimento do número de brasileiros que utilizam ou já investiram em criptomoedas.

Marina Fagali, diretora do Juntos por Cripto, relaciona as perspectivas para o setor à capacidade do próximo governo de transmitir confiança e previsibilidade econômica.

O Brasil atravessa um momento de incerteza política que naturalmente traz reflexos para a economia, especialmente sobre a confiança dos investidores e as expectativas em relação à condução da política fiscal. No câmbio, existe espaço para uma queda adicional do dólar, mas esse movimento depende de fatores que vão além do resultado eleitoral, como o cenário internacional, a trajetória dos juros e a capacidade do país de transmitir previsibilidade econômica.

O crescimento da participação dos brasileiros nesse mercado também amplia a importância das discussões regulatórias.

Levantamento do Datafolha em parceria com a Paradigma, citado por Marina, aponta que aproximadamente 29 milhões de brasileiros investem ou já investiram em criptomoedas. A pesquisa indica que 17,2% da população com mais de 16 anos já investiu em criptoativos, percentual 2,3 vezes superior aos 7,4% que declararam ter investido em ações na Bolsa.

Outro dado revela o peso político desse público: cerca de 66% dos investidores em criptomoedas consideram importante eleger representantes no Congresso comprometidos com a proteção de seus direitos. Os números reforçam a percepção de que os ativos digitais deixaram de representar apenas um mercado de nicho e passaram a fazer parte da realidade financeira de milhões de brasileiros.

Esse crescimento também aumenta a responsabilidade dos formuladores de políticas públicas na construção de regras capazes de proteger os usuários sem comprometer a inovação.

“A consolidação dessa indústria depende de diálogo entre governo, reguladores e empresas, mas também de ouvir os milhões de brasileiros que já utilizam ativos digitais e desejam participar da construção de um ambiente regulatório mais seguro, moderno e favorável à inovação”, destaca Marina.

Reforma tributária também desafia o próximo governo

Além das perspectivas para o dólar e para a indústria de ativos digitais, a implementação da reforma tributária deverá influenciar o ambiente de negócios nos próximos anos.

Henrique Giron, Country Manager da Obsidiam, chama a atenção para os desafios operacionais e financeiros que acompanharão a adaptação das empresas às novas regras.

Independentemente do resultado eleitoral, vejo os próximos meses como um período de adaptação para a economia brasileira. O avanço da reforma tributária e a implementação gradual do split payment exigirão das empresas uma revisão de sistemas, processos e planejamento financeiro, aponta Giron.

A transição poderá exigir investimentos em tecnologia, mudanças nos processos internos e ajustes na gestão financeira, especialmente diante dos possíveis impactos sobre o fluxo de caixa.

O sucesso dessas mudanças dependerá da capacidade de transformar a reforma em um sistema mais simples e previsível, capaz de estimular a produtividade e melhorar as condições para novos investimentos.

Esse esforço pode trazer custos de transição e desafios para o fluxo de caixa. No médio e longo prazo, porém, vejo espaço para um cenário favorável, desde que o país transforme essas mudanças em simplificação, produtividade e segurança jurídica, conclui.

Depois das urnas, o desafio será transformar expectativas em resultados

A eleição presidencial poderá provocar movimentos imediatos no câmbio e nos ativos de risco, mas as avaliações dos executivos indicam que o futuro da indústria cripto brasileira dependerá de fatores que ultrapassam o resultado de domingo.

Entre eles, a trajetória fiscal, a previsibilidade econômica, a segurança jurídica e a capacidade de atrair investimentos aparecem como questões centrais para os próximos anos. Ao mesmo tempo, a consolidação das stablecoins, a expansão da tokenização e a integração da blockchain ao sistema financeiro representam oportunidades que não estão necessariamente vinculadas a um único governo.

Enquanto Lula e Flávio Bolsonaro disputam a Presidência, a indústria de ativos digitais segue avançando em um ambiente no qual decisões políticas nacionais convivem com tecnologias e mercados de alcance global.

A primeira reação dos investidores poderá aparecer nas negociações de Bitcoin e dólar digital ainda durante a apuração dos votos. Mas a resposta mais importante para o futuro do setor provavelmente não estará nas oscilações de uma única noite.

Estará na capacidade do próximo governo oferecer condições para que a inovação, os investimentos e os talentos permaneçam no Brasil. E, diferentemente do mercado tradicional, o Bitcoin não precisará esperar a abertura do pregão de segunda-feira para continuar funcionando.

Leia a história original Eleições 2026: dólar pode cair mais? Líderes avaliam riscos para o Brasil após as urnas por Aline Fernandes em br.beincrypto.com