Fiagros: saiba como funciona classe de ativos que une investidores da bolsa ao mundo do agronegócio

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Muito provavelmente, você deve saber que o agronegócio está no coração da economia do Brasil. Segundo dados do Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada da USP) e da CNA (Confederação da Agricultura e Pecuária), o setor representou 25% do PIB do país em 2025, além de representar, também, quase metade do nosso mercado de exportações.

Porém, essa não é uma máquina que se sustenta sozinha. Mesmo que empresas e produtores consolidados já possuam uma receita recorrente, a robustez da cadeia de produção pede por fontes diversificadas de financiamento.

“Produtores, cooperativas, tradings e agroindústrias precisam de capital para custear safras, adquirir insumos e máquinas, ampliar a armazenagem e investir em tecnologia e infraestrutura”, afirma Caio Araújo, analista da Empiricus Research.

Fonte: Cepea e CNA

Nesse sentido, como forma de complementar a captação de recursos para o agronegócio, o mercado de capitais entrou com um novo recurso: os Fiagros . Por meio deles, duas classes se unem: produtores do setor e investidores.

“Para o setor, os Fiagros representam uma fonte adicional de capital. Para o investidor, oferecem uma forma de acessar uma das atividades mais relevantes da economia brasileira”, afirma o analista.

Explicaremos um pouco mais sobre essa classe de ativos, a quem ela se destina nos dois lados da moeda, e para quem ela pode fazer sentido quando o assunto é montar uma carteira completa de investimentos.

Saiba como os Fiagros funcionam, a quem se destinam e como investir

Um Fiagro, em seu nome completo, é um Fundo de Investimento nas Cadeias Produtivas Agroindustriais. Como acontece no mundo dos fundos em geral, o objetivo é captar recursos de investidores para aplicar em uma estratégia: neste caso, ativos que fomentam o agronegócio brasileiro.

Os Fiagros ainda não são muito conhecidos do amplo público de investidores pessoa física, e isso até faz sentido quando consideramos o tempo de existência: “caçulas” do mercado de capitais brasileiro, só entraram em vigor oficialmente em 2021 e, atualmente, possuem cerca de 600 mil investidores ativos.

Por mais que existam outros tipos de financiamento agro, os Fiagros oferecem uma alternativa que pode beneficiar não apenas quem solicita o crédito (empresas e produtores rurais), mas também investidores que desejam se expor a este mercado de forma facilitada.

Esses investidores podem receber remunerações prefixadas ou pós-fixadas, indexadas principalmente ao CDI ou ao IPCA. Os Fiagros são negociados em bolsa de valores, assim como ocorre com os fundos imobiliários (FIIs).

Em quais ativos um Fiagro pode investir?

A depender da estratégia preferida de seus gestores, um Fiagro pode investir em diversos ativos ligados ao mundo do agronegócio:

Certificados de recebíveis (ligados a imóveis rurais); Cotas de outros fundos; Debêntures; Direitos creditórios; LCAs e CRAs; Dentre outros.

E esses títulos, de quebra, podem estar expostos a empresa e produtores de grãos, açúcar, etanol, proteínas e outros insumos.

Porém, apesar das diversas possibilidades, Caio Araújo aponta que há uma maior ocorrência de fundos voltados aos títulos de crédito, especialmente CRAs (Certificados de Recebíveis do Agronegócio).

“Na prática, a maior parte dos Fiagros negociados em bolsa se concentra em crédito. Isso significa que a exposição do investidor costuma estar ligada à capacidade de pagamento de produtores, cooperativas, tradings, usinas, frigoríficos e empresas de insumos, e não a uma posição direta no preço da soja, do milho ou do boi gordo.”

Entender quais ativos compõem um Fiagro é de grande importância, porque a influência nos retornos esperados e riscos assumidos é direta. Portanto, o investidor deve estar atento antes de tomar qualquer decisão.

Quais as vantagens de investir em um Fiagro?

Dentre os pontos que podem ser vantajosos para o investidor, podemos destacar:

Diversificação de carteira para o investidor que se identifica com o setor agro e gostaria de expor parte de sua carteira a essa temática; Acesso pelo home broker e liquidez diária, tal como comprar ações ou FIIs (com prazo máximo de até 2 dias úteis para o recebimento dos valores); Isenção de Imposto de Renda: rendimentos de Fiagros negociados exclusivamente em bolsa ou mercado de balcão são isentos de IR, observando algumas regras específicas; Gestão profissional: é uma forma de o investidor “terceirizar” a estratégia de retornos para um gestor profissional, ao invés de montar uma cesta de ativos por conta própria.

E os riscos envolvidos?

Fiagros são considerados investimentos de renda variável, que têm seus riscos e acompanham a volatilidade da bolsa de valores, assim como acontecem com fundos imobiliários (FIIs) e ações.

Além disso, cada Fiagro se expõe aos riscos dos ativos nos quais investe: aqueles que investem em terras e imóveis rurais, por exemplo, estão sujeitos a riscos como vacância e liquidez dos imóveis.

Já aqueles que optam por investir primariamente em títulos de crédito são expostos a riscos como inadimplência dos credores, garantias e liquidez dos títulos. Além, também, da marcação ao mercado desses títulos.

Portanto, antes de selecionar onde e como investir, é necessário respeitar seu perfil, tolerância ao risco e objetivos como investidor, analisando cada caso com cautela.

Relatório completo disponível: entenda mais sobre o mundo dos Fiagros

Agora, você já conhece melhor o mundo dos Fiagros, mas esse texto é apenas a superfície de todo um ecossistema mais complexo.

Se você deseja conhecer a classe mais a fundo, o analista Caio Araújo preparou um dossiê completo: “Fiagros: a ponte entre o agro e o mercado de capitais” . O material está disponível no BTG Content, a plataforma de conteúdos oficial do BTG Pactual.

Para liberar seu acesso ao conteúdo gratuito, é bem simples. Basta clicar no botão abaixo e seguir as instruções na tela:

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