Petróleo supera US$ 95 e acende alerta nos mercados; até onde vai o barril?

MoneyTimes
MoneyTimesで開く

Nos últimos 11 dias, a nova escalada nas tensões entre Estados Unidos e Irã deu um novo ‘fôlego’ para os preços do petróleo , com o barril de volta ao nível de US$ 90 – no maior nível em cinco semanas.

Nesta quarta-feira (22), o contrato mais líquido do petróleo Brent, referência para o mercado internacional, para setembro fechou com alta de 3,36%, a 94,07 o barril, na Intercontinental Exchange (ICE), em Londres, depois de superar US$ 95 o barril.



Já na New York Mercantile Exchange (Nymex), nos EUA , o contrato d o petróleo West Texas Intermediate (WTI) para agosto teve avanço de 2,95%, a US$ 86,83 o barril.

Os preços do petróleo também acumulam alta de quase 30% em relação às mínimas deste ano, de US$ 72 o barril, registradas em 17 de junho após a assinatura do memorando de entendimento (MoU) entre EUA e Irã.

A recente disparada dos preços, avalia o analista Luis Costa, do Citi, levou o mercado a reavaliar os perfis energéticos dos mercados emergentes e resultou em uma ação de preços mais nervosa nos países mais expostos da Ásia e da região da Europa Central, Oriente Médio e África, onde havia posições relevantes dos investidores.

Na avaliação do economista Pedro Schneider, da equipe de macroeconomia do Itaú Unibanco, a combinação entre o conflito envolvendo Irã e Estados Unidos, a volatilidade do petróleo e a persistência da inflação global tornou o ambiente mais desafiador para os mercados.

Segundo ele, o conflito adiciona um prêmio de risco aos ativos globais, e também aumenta a incerteza em um momento em que a inflação já pressiona bancos centrais ao redor do mundo.

O Itaú projeta o Brent a US$ 80 o barril em dezembro deste ano. O economista, porém, durante o evento Macro em Pauta, realizado na última terça-feira (21), reconheceu que a recente retomada das tensões no Oriente Médio elevou novamente os preços da commodity .

Para o analista Daniel Cobucci, do BB Investimentos, a recente escalada das tensões no Oriente Médio com redução do tráfego no Estreito de Ormuz e as ameças de bloqueio de rotas marítimas no Mar Vermelho pelos Houthis, do Iêmen, devem ancorar os preços do petróleo em níveis elevados por mais tempo do que o previsto.

Esse cenário, na visão dele, beneficia Petrobras (PETR4) enquanto produtora de baixo custo sem exposição direta à zona de conflito. A casa elevou a recomendação das ações PETR4 para compra e tem preço-alvo de R$ 45 para dezembro.

Até onde vai o petróleo?

A equipe de commodities do Goldman Sachs destaca que a curva futura do Brent está modestamente acima das projeções do banco, de US$ 80 o barril no quarto trimestre deste ano (4T26). As estimativas incorporam uma potencial desescalada do conflito no Oriente Médio entre setembro e dezembro deste ano.

Por outro lado, os analistas do banco afirmam que os riscos para os preços do barril estão inclinados para cima, especialmente no curto prazo. Diante disso, eles estimam que o Brent possa superar US$ 120 por barril no 4T26 e registrar uma média de US$ 100 em 2027, caso as interrupções em Ormuz persistam ao longo do próximo ano.

“Esse cenário pressupõe que a produção do Golfo se recupere totalmente apenas em dezembro de 2027, apoiada por ampliações na infraestrutura de oleodutos”, afirmaram os analistas do Goldman Sachs.