Mulheres, jovens, não alinhados e paulistas devem decidir eleição 2026, avaliam institutos de pesquisas

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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) segue favorito para conquistar o quarto mandato presidencial, a polarização com o antilulismo continua personificada em Flávio Bolsonaro (PL) e uma opção a essas duas correntes pode até surgir nas eleições 2026 . Mas o eleitor que pode decidir quem será o próximo ou a próxima presidente da República tem um perfil definido.

Mulheres, jovens, os próprios eleitores não alinhados a nenhuma dessas duas correntes e os do Estado de São Paulo e da Região Sul devem, segundo os institutos de pesquisa eleitoral, decidir quem comandará o País a partir de 2026. A avaliação foi feita por representantes de institutos de pesquisa eleitoral durante evento do Lide, em São Paulo, nesta segunda-feira (27).

Segundo Luciana Chong, CEO do Datafolha, a eleição de 2026 tem um porcentual menor do chamado “voto cristalizado” nos principais candidatos. Esse indicador é apontado na pesquisa espontânea, quando o entrevistado pelos institutos não é submetido a nomes dos candidatos a presidente nas pesquisas.

“O que se vê hoje é uma desmobilização maior do que em 2022, de eleitores que não citam os principais nomes espontaneamente”, disse a executiva. Nessa linha, mulheres, os mais jovens, principalmente os mais escolarizados, moradores da região Sul e os não alinhados ao lulismo e ao bolsonarismo podem definir a eleição, segundo ela.

Para o CEO da AtlasIntel, Andrei Roman, o quadro estrutural de uma corrida eleitoral normalmente favorece o candidato do governo, no caso Lula. Mas, segundo ele, pesquisas apontam para “uma clara erosão da base de apoio do lulismo no Brasil”, com a perda de votos pelo presidente dentro do seu núcleo cativo de eleitores: os dos Nordeste, jovens e da classe C.

Nessa linha, completa Murilo Hidalgo, presidente da Paraná Pesquisas, apesar de perder vantagem no Nordeste, Lula tem um crescimento no Estado de São Paulo, maior eleitorado do País. Isso pode compensar essa queda dentro do seu eleitorado tradicional.

“Não será Minas Gerais, mas é São Paulo que vai decidir quem vai ser o próximo presidente”, disse Hidalgo. Assim como os colegas, ele prevê uma disputa novamente equilibrada em 2026. “No segundo turno, pela realidade de hoje, uma vantagem de 53% a 47% para o vencedor será uma goleada”.

Felipe Nunes, CEO da Quaest, que participou por meio de um vídeo gravado, avaliou que a probabilidade de vitória de Lula saiu de 38% para quase 60% nos últimos meses. Segundo ele, dois dos quatro modelos de análise da Ciência Política caminham um pouco mais para a recondução do presidente, mas isso não significa que eleição está decidida.

“Pelo modelo dos fundamentos, Lula entra hoje numa posição mais competitiva do que no começo do ano. O modelo econômico é positivo, com programas como o Desenrola 2.0, a redução da jornada de trabalho e ampliação da isenção do imposto de renda que atingiram eleitor de centro”, disse Nunes.

Além disso, o modelo da calcificação é dividido, com cada lado com 35% das intenções de voto declarados e sem a intenção de mudança.

“No modelo das preocupações eleitorais, quando o eleitor aponta o candidato mais competente, está a maior dificuldade do governo, com violência e corrupção favorecendo candidatos da direita. É a melhor oportunidade da oposição”, disse afirmou Nunes. “Os modelos caminham um pouco mais para Lula, mas isso não significa que eleição está decidida e o mais provável é a disputa entre os dois polos”, concluiu.