Petrobras (PETR4): Santander e BTG projetam salto da produção no 2T26; veja o que esperar

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A Petrobras (PETR4) começa a revelar nesta terça-feira (28), após o fechamento do mercado, o seu desempenho do segundo trimestre de 2026 (2T26). A estatal divulgará o relatório de produção e vendas, que servirá como uma prévia para o balanço financeiro do período, marcado para 6 de agosto.

As projeções do Santander e do BTG Pactual apontam para um trimestre de forte crescimento do Ebitda e do lucro. O relatório desta terça-feira mostrará se a operação da estatal sustenta o otimismo dos bancos.

O Santander espera “forte desempenho” da área de exploração e produção, apoiado pela alta do petróleo e pela boa execução operacional. Para o banco, Petrobras e Prio (PRIO3) devem ser os principais destaques do setor no trimestre.

Rodrigo Almeida e Gustavo Cunha, analistas do BTG, também destacam o desempenho operacional. Segundo a dupla, a produção da Petrobras vem se mantendo próxima ou acima do teto das estimativas para 2026.

O mercado deverá observar a produção total, os volumes do pré-sal e o desempenho dos principais campos. O efeito das paradas para manutenção também deverá entrar nas contas.

Parte dessas paradas foi transferida para o segundo semestre. Por isso, apesar dos volumes recentes acima das expectativas, o BTG considera prematuro concluir que a Petrobras superará sua meta anual de produção.

Refino reforça projeções

Além do avanço da produção, Santander e BTG esperam contribuição positiva das refinarias.

O Santander avalia que o refino deve permanecer resiliente, enquanto a área de exploração e produção será o principal motor do resultado. Na visão do banco, essa combinação deverá mais do que compensar o impacto negativo do imposto de 12% sobre as exportações de petróleo.

O BTG destaca que aproximadamente 70% do petróleo produzido pela Petrobras é utilizado como matéria-prima em suas próprias refinarias. Isso permite à companhia capturar tanto o resultado da produção quanto as margens obtidas na venda de combustíveis.

“Se a dinâmica atual dos spreads de refino se mantiver no segundo semestre de 2026 e em 2027, a geração de caixa e a capacidade de pagamento de dividendos da Petrobras podem melhorar ainda mais”, afirmam Almeida e Cunha.

As margens mais favoráveis levaram o BTG a reduzir de US$ 67 para aproximadamente US$ 60 por barril sua estimativa de preço de equilíbrio para o fluxo de caixa livre da estatal.

No relatório desta terça, indicadores como carga processada, fator de utilização das refinarias e vendas de diesel e gasolina poderão oferecer as primeiras pistas sobre a rentabilidade do segmento.

O Santander colocou a Petrobras entre os potenciais destaques positivos da temporada. O banco estima Ebitda de R$ 87,565 bilhões, com crescimento de 51,1% em relação aos R$ 57,933 bilhões registrados no segundo trimestre de 2025.

Já o BTG projeta Ebitda ajustado de US$ 18,9 bilhões. A estimativa representa alta de 67% frente ao primeiro trimestre e de 106% na comparação anual.

“Esperamos um segundo trimestre forte em nossa cobertura de energia e produtos químicos no Brasil, sustentado principalmente pelos preços mais altos do Brent e pelas interrupções na oferta global provocadas pelos conflitos geopolíticos”, afirmam Aline de Souza Cardoso, Andres Soto e Ulises Argote, autores do relatório do Santander.

Lucro pode chegar a R$ 40 bilhões

Para o lucro líquido, o Santander estima R$ 40,369 bilhões, avanço de 49,9% em relação aos R$ 26,937 bilhões registrados um ano antes.

A margem líquida deve subir de 22,6% para 27,4%, enquanto a margem Ebitda é projetada em 59,5%, ante 48,6% no 2T25.

O BTG trabalha com um lucro líquido de US$ 9,5 bilhões, alta de 53% na comparação trimestral e de 102% em relação ao mesmo período de 2025.

Embora as projeções estejam apresentadas em moedas diferentes e utilizem critérios que podem variar, Santander e BTG convergem na expectativa de uma forte aceleração dos resultados da Petrobras.

“O setor de petróleo e gás se destaca claramente de forma positiva, com revisões para cima tanto no lucro líquido quanto no Ebitda”, dizem os analistas do Santander.

Dividendos de US$ 2,5 bilhões?

O relatório operacional não deverá trazer um anúncio de dividendos. A expectativa é que uma nova remuneração aos acionistas seja apresentada com o balanço financeiro de 6 de agosto.

O BTG projeta fluxo de caixa ao acionista de US$ 2,6 bilhões no trimestre e estima que a Petrobras anuncie aproximadamente US$ 2,5 bilhões em dividendos.

Para 2026, o banco calcula dividend yield próximo de 10%. Em um cenário otimista para o petróleo e para as margens de refino, o retorno poderá ser ainda maior.

“No nosso cenário otimista para o Brent e as margens de refino, o rendimento do fluxo de caixa ao acionista chegaria a 22% em 2027, com um retorno em dividendos de aproximadamente 14%”, dizem Almeida e Cunha.

O relatório do Santander não apresenta uma projeção específica de dividendos para o segundo trimestre. O banco, porém, mantém recomendação equivalente à compra para a Petrobras e preço-alvo de US$ 24 para os ADRs negociados em Nova York.

O BTG também recomenda compra e estabelece preço-alvo de US$ 22 por ADR, equivalente a R$ 56 por ação, para o fim de 2027.