Indiciamento no caso Master aproxima punição, mas não fecha o rombo do banco de Brasília

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Indiciamento no caso Master aproxima punição, mas não fecha o rombo do banco de Brasília

A Polícia Federal indiciou nesta quarta-feira (28) o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, o ex-presidente do Banco de Brasília (BRB) Paulo Henrique Costa e outras 13 pessoas por fraudes nas operações entre as duas instituições. O passo aproxima uma eventual punição criminal dos envolvidos. Mas não devolve, por si só, nenhum real ao banco estatal do Distrito Federal.

Para quem tem ações do BRB, a pergunta que importa é outra: quanto do prejuízo volta, e quando.

Quem foi indiciado no caso Master e por quais crimes

O relatório tem 703 páginas e foi enviado ao Supremo Tribunal Federal (STF). Trata-se de um documento parcial. A corporação pediu mais 60 dias para concluir perícias e aprofundar a análise das movimentações financeiras. O pedido será avaliado pelo ministro André Mendonça, relator do caso no Supremo.

Indiciamento é a conclusão da polícia de que há indícios suficientes de crime contra uma pessoa. Não é condenação. A próxima etapa cabe à Procuradoria-Geral da República, que decide se apresenta denúncia à Justiça.

A Vorcaro, os investigadores atribuem gestão fraudulenta, indução de investidor ou repartição pública em erro, fraude à fiscalização, organização criminosa com agravantes de liderança e de participação de funcionário público, e lavagem de dinheiro. Costa responde por gestão fraudulenta e organização criminosa, com os mesmos agravantes. O empresário Augusto Lima, ex-sócio de Vorcaro, foi indiciado por gestão fraudulenta, organização criminosa e lavagem de dinheiro.

Segundo o relatório, Vorcaro e Costa formavam o núcleo que tomava as principais decisões do esquema. Vorcaro é apontado como líder. Ele teria centralizado a montagem, a compra e a transferência de carteiras de crédito usadas para levantar recursos.

O tamanho do rombo no Banco de Brasília

De acordo com a Polícia Federal, o BRB repassou cerca de R$ 16,7 bilhões ao grupo de Vorcaro entre julho de 2024 e outubro de 2025. Desse total, R$ 12,2 bilhões correspondem a operações com indícios de fraude. Uma auditoria independente contratada pela atual gestão do banco chegou a um número maior: R$ 21,9 bilhões em transações com o ecossistema do Master.

O banco estatal tentou comprar o Master em 2025. O Banco Central barrou o negócio. Depois, o BRB identificou carteiras de crédito sem lastro, ou seja, empréstimos que não tinham devedores ou garantias reais por trás. O prejuízo estimado foi provisionado em R$ 8,8 bilhões. Provisão é o valor que o banco separa no balanço para cobrir uma perda considerada provável.

Por que o indiciamento importa para o acionista do banco de Brasília?

O mecanismo passa pela Justiça cível. Em assembleia na segunda-feira (24) de agosto, os acionistas do BRB autorizaram o banco a processar ex-administradores para tentar recuperar o prejuízo com o Master e com a gestora Reag. A Lei das Sociedades por Ações exige esse aval antes de uma empresa cobrar seus antigos dirigentes.

Nessas ações, o banco precisa provar quem agiu e quanto do dano cada um causou. Um relatório policial que individualiza crimes de 15 pessoas tende a reforçar essa base de provas. O BRB já conseguiu na Justiça de Brasília o bloqueio de ações do próprio banco que estavam nas mãos de investigados.

Esta é a leitura central: o indiciamento melhora as chances de recuperação no longo prazo, mas não altera a situação de caixa do banco hoje.

Ações do BRB já refletem o pior cenário?

O mercado já cobrou a conta. As ações preferenciais do BRB acumulavam queda de 72% em 2026 até sexta-feira (11) de setembro. Os papéis deixaram o pregão regular da B3 e passaram a ser negociados apenas em leilão.

O que deve mover o preço daqui para frente é a recapitalização, não o inquérito. O banco apresentou ao Banco Central um plano para recompor o capital em fevereiro. A proposta previa emitir até 1,675 bilhão de novas ações ordinárias a R$ 5,29 cada, para levantar até R$ 8,8 bilhões. Para quem não comprar as novas ações, a diluição pode chegar a 83,95% nas ordinárias. Diluição é a redução da fatia de cada acionista na empresa quando novas ações são emitidas.

O prazo da capitalização vem sendo prorrogado. Um empréstimo do Fundo Garantidor de Créditos (FGC), entidade privada mantida pelos bancos para proteger depositantes, ainda estava em impasse em julho.

O que pode mudar essa leitura

O relatório é parcial. Novas perícias podem ampliar ou reduzir a lista de responsáveis e os valores envolvidos. A Procuradoria-Geral da República pode denunciar só parte dos indiciados.

A defesa de Vorcaro também contesta a tese central. Em depoimento à Polícia Federal na quinta-feira (15), ele negou fraude no BRB. Afirmou que o negócio com as carteiras da empresa Tirreno não foi concluído e que a troca de ativos gerou resultado positivo para o banco estatal. A defesa disse que pediria perícia.

E mesmo com condenações, não há prazo definido para o dinheiro voltar ao caixa do banco.

O que acompanhar a seguir

A decisão de Mendonça sobre a prorrogação de 60 dias. Uma eventual denúncia da Procuradoria-Geral da República. O avanço das ações de ressarcimento do BRB contra ex-dirigentes. E, principalmente, a definição da recapitalização, que decide quanto vale hoje a fatia de cada acionista.

Leia a história original Indiciamento no caso Master aproxima punição, mas não fecha o rombo do banco de Brasília por Lucas Espindola em br.beincrypto.com