O Brasil ficou em primeiro lugar no ranking mundial de adoção popular de cripto no índice de 2026 da Chainalysis. O país superou os Estados Unidos em um período em que o valor de mercado das criptomoedas foi reduzido pela metade.
A economia cripto brasileira movimentou US$ 252,5 bilhões nos doze meses encerrados em 30 de junho. Globalmente, a atividade on-chain caiu apenas 1,6% enquanto o mercado perdeu US$ 2,1 trilhões.
Como o Brasil superou os EUA sem liderar nenhuma categoria?
O Brasil ficou em quarto lugar ou melhor em todas as categorias avaliadas pelo índice. Ocupou a segunda posição em fluxos transfronteiriços, terceira em fluxos de serviços e atividade doméstica peer-to-peer (P2P), além do quarto lugar em saldos.
“… Em um ano em que mercados em baixa frearam o crescimento global, o Brasil apresentou desempenho expressivo em relação ao seu porte, superando mercados mais consolidados como os Estados Unidos”, afirma o relatório.
Essa regularidade determinou o resultado devido à forma como o índice é construído. A Chainalysis pontua cada país de 0 a 1 em cada categoria e então calcula a média geométrica. Segundo a empresa, o método favorece os países com bom desempenho geral, evitando que uma categoria forte esconda fraquezas em outros quesitos.
Os EUA ficaram em primeiro lugar em fluxos de serviços e em saldos. No entanto, caíram para a 11ª posição em fluxos transfronteiriços e para a 20ª em transferências P2P domésticas, o que deixou o país em segundo lugar na classificação geral.
O Brasil esteve em quinto lugar no ranking de 2025 da empresa liderado pela Índia. A Chainalysis revisou sua metodologia este ano, por isso as listas não são diretamente comparáveis. Enquanto isso, a América Latina expandiu sua economia cripto em 9,8%, mesmo diante da retração global.
Stablecoins mantiveram a economia cripto ativa enquanto o valor de mercado caía pela metade
O resultado do Brasil veio durante o que a Chainalysis chama de o pior mercado em baixa das criptomoedas desde 2022. Apesar disso, a atividade global permaneceu próxima de US$ 9,4 trilhões, uma redução em relação aos US$ 9,5 trilhões do período anterior.
Em comparação, o período de 2023 registrou uma queda de 23% na atividade diante de uma perda de US$ 0,3 trilhão em valor de mercado. A Chainalysis atribui a suavização da queda deste ano à diversificação dos usos da tecnologia.
“… A crescente variedade de aplicações em cripto atenuou a retração”, acrescenta a Chainalysis.
As transferências entre carteiras pessoais dentro dos países aumentaram 302,9%, atingindo US$ 228,7 bilhões. As stablecoins já representam 96% desse fluxo. Em contrapartida, as entradas em exchanges, protocolos de finanças descentralizadas (DeFi) e outros serviços caíram 4,3%.
As transferências transfronteiriças de stablecoins subiram 77,5%, totalizando US$ 220,3 bilhões, com o valor médio de cada transação próximo de US$ 3 mil. Philip Gradwell, vice-presidente de economia da Tether, declarou à Chainalysis que esse padrão indica uso comercial.
“… A atividade se tornou regular, ocorrendo em ritmo constante por meio das carteiras, e não em picos esporádicos. Esse é o padrão típico de comércio e negócios, e não de especulação”, afirmou Gradwell.
Os saldos em stablecoins oscilaram entre US$ 98 bilhões e US$ 109 bilhões durante a crise. A participação desses ativos nas reservas globais on-chain subiu para 22,5% em junho, à medida que outros ativos perderam valor.
https://youtu.be/sBKodsCSZRALeia a história original Brasil supera os EUA na adoção de cripto no pior bear market desde 2022 por Kamina Bashir em br.beincrypto.com