Juros altos e incertezas sobre a economia seguem pressionando a bolsa. Ainda assim, analistas de bancos e corretoras veem espaço para ações se destacarem nos próximos meses, seja pela recuperação após quedas recentes ou pelo potencial de valorização.
As recomendações foram reunidas no Money Picks , programa semanal do Money Times que destaca os papéis com mais potencial (assista na íntegra acima) e mostra se é hora de comprar ou vender.
Banco Inter: mercado pode ter exagerado no pessimismoO Banco Inter (INBR32) está entre os destaques da seleção. As ações acumulam queda superior a 30% no ano, afetadas principalmente pelo aumento da inadimplência.
Para o BTG Pactual , porém, o mercado exagerou na percepção de risco. Após reuniões com a administração, os analistas passaram a demonstrar mais confiança na tese. Entre os pontos citados estão uma carteira de crédito mais protegida e menor exposição às oscilações dos juros.
Nubank: desconto abre oportunidadeO Nubank (NU) também aparece entre as recomendações. Os papéis recuaram cerca de 30% em meio ao aumento de despesas, dúvidas sobre a expansão internacional e mudanças na diretoria financeira.
Mesmo assim, o Itaú BBA vê uma oportunidade. Segundo o banco, a ação negocia com desconto relevante em relação à média histórica. A projeção é de lucro de US$ 4,2 bilhões em 2026, alta de 46% na comparação anual, além de retorno sobre patrimônio próximo de 30%.
Petrobras: geração de caixa sustenta teseA Petrobras (PETR4) segue como uma das preferidas dos analistas. A XP elevou o preço-alvo da estatal para R$ 63.
A revisão reflete a expectativa de forte geração de caixa, estimada em US$ 17,7 bilhões em 2026. Mesmo com uma política de preços mais conservadora, a perspectiva de petróleo em patamares elevados continua sustentando a tese para a ação, segundo a casa.
Tenda: valuation atrativo e potencial da AleaNo setor de construção, a Tenda (TEND3) aparece como destaque do JP Morgan. O banco vê espaço para valorização por causa do valuation atrativo e da negociação abaixo dos múltiplos dos concorrentes.
A capacidade de repassar preços acima da inflação também reforça a visão positiva. Outro ponto é a Alea, operação de casas pré-fabricadas que, na avaliação do banco, ainda não está totalmente refletida no preço da ação.
Cosan: aposta em recuperaçãoA Cosan (CSAN3) completa a lista. Para a Empiricus , a holding começa a colher os resultados do processo de desalavancagem e reorganização dos negócios.
Movimentos recentes, como a venda de ativos e a reestruturação da Raízen (RAIZ4) , devem reduzir a alavancagem e as despesas financeiras. Com isso, a casa vê espaço para uma reprecificação dos papéis.
Mesmo em um cenário desafiador, os analistas avaliam que ainda há oportunidades — sobretudo para investidores com horizonte de longo prazo.
*Com supervisão de Maria Carolina Abe