Título do Tesouro dos EUA de curto prazo atinge maior nível em mais de um ano com Warsh

Os rendimentos dos títulos do Tesouro dos Estados Unidos, os Treasuries, de curto prazo renovaram as máximas do ano na tarde desta quarta-feira (17) em reação à primeira reunião de política monetária do Federal Reserve (Fed, o Banco Central dos EUA) sob o comando de Kevin Warsh.

Em destaque, o yield (rendimento) do título de 2 anos, considerado mais sensível à política monetária, bateu máxima intradia a 4,229%, no maior nível desde fevereiro de 2025, ante o ajuste anterior 4,047%.

Já o rendimento do título de 10 anos, a principal referência para os empréstimos do governo norte-americano, subiu mais de 8 pontos-base, para 4,501%, na máxima intradia.

O movimento foi impulsionado pela atualização das projeções do Fed, revisado trimestralmente, para os principais indicadores macroeconômicos e as mudanças na postura do BC sob o comando de Warsh.

Como o esperado, o Comitê Federal do Mercado Aberto (Fomc, na sigla em inglês) do Fed manteve os juros inalterados na faixa de 3,50% a 3,75% ao ano . Essa foi a quarta manutenção consecutiva, em uma decisão unânime.

A primeira mudança, porém, foi vista no comunicado da decisão do Fed com a exclusão do forward guidance , com a retirada do trecho em que o Fomc afirmava que avaliaria a “magnitude e o momento de ajustes adicionais” na taxa de juros.

Já durante a coletiva de imprensa, o Warsh indicou que o BC poderá promover mudanças em sua estratégia de comunicação com o mercado, incluindo a realização de coletivas de imprensa e outros instrumentos de orientação aos investidores.

“Acho que os mercados funcionam melhor quando reagem aos dados que chegam. Funcionam menos eficientemente quando tentam responder à pergunta de como o Federal Reserve reagirá a essas informações”, afirmou.

Warsh endurece discurso sobre inflação, evita sinalizar cortes e deixa mercado sem pistas

Ele também revelou que não enviou uma projeção para o dot plot , por considerar que a ferramenta não é particularmente útil para a condução da política monetária. Segundo ele, as projeções foram feitas “a lápis, com uma grande borracha”, sugerindo que os dirigentes reconhecem a elevada incerteza do cenário.

No gráfico de pontos ( dot plot ), o Comitê apontou para uma nova alta de 25 pontos-base nos juros até dezembro, além de elevar as estimativas para a inflação, medida pelo índice de gastos com consumo (PCE), de 2,7% para 3,6% em 2026.

Após a decisão e as falas de Warsh, o mercado adiantou a aposta de elevação nos juros. Agora, os agentes financeiros veem 66,3% de chance de o Fed elevar os juros em setembro, segundo a ferramenta FedWatch, do CME Group. Antes da decisão, dezembro era o mês mais provável para um ajuste para cima dos juros.

E no Brasil?

A disparada dos rendimentos dos Treasuries também apagou boa parte do alívio na curva de juros brasileira acumulado nos últimos dias com a perspectiva de fim da guerra no Oriente Médio, com a expectativa de inflação e juros nos EUA elevados por mais tempo – o que pode ‘dificultar’ o caminho do Banco Central do Brasil no curto prazo.

A taxa de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2027, de curtíssimo prazo, bateu máxima intradia a 14,355% ao ano, uma alta de 10 pontos-base ante o ajuste anterior. A taxa de DI encerrou a 14,320%, ante 14,255% nesta quarta-feira.

Já a taxa de DI para janeiro de 2029, que tem apresentado forte volatilidade neste ano, chegou a saltar 36 pontos-base, a 14,700% e encerrou a sessão a 14,685% ante 14,405% do ajuste anterior.

Por aqui, o mercado ficou à espera da decisão do Comitê de Política Monetária (Copom). Segundo a última atualização, as Opções do Copom precificavam 79% de chance de o Comitê cortar os juros em 25 pontos-base, o que levaria a Selic para 14,25% ao ano, sendo a última redução do BC até dezembro.

O que são os Treasuries?

Os Treasuries são os títulos do Tesouro dos Estados Unidos, ou seja, títulos da dívida do governo norte-americano.

Em linhas gerais, os Treasurys são considerados o investimento mais seguro do mundo, pelo fato de o governo dos EUA nunca ter dado calote na história e ainda ser o emissor da moeda — no caso o dólar.

Assim como os títulos do Tesouro brasileiro, os Treasuries possuem diferentes vencimentos, sendo os mais relevantes os de 2, 10 e 30 anos.

Ou seja, ao comprar Treasuries o investidor empresta dinheiro para o governo dos Estados Unidos, com a perspectiva de receber algum retorno financeiro nesses períodos, dada uma taxa negociada diariamente.

Essas taxas, também chamadas de yields (rendimentos) variam de acordo com a perspectiva dos investidores para a trajetória da taxa de juros da maior economia do planeta. Hoje, a faixa atual dos juros está entre 3,50% a 3,75% ao ano.