Selic: “O Banco Central está disposto a cortar, quer cortar e vai cortar”, avalia analista da Empiricus

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A inflação mais comportada no Brasil elevou as apostas de corte de juros no curto prazo. Ainda assim, a sinalização do Banco Central (BC) limita um otimismo mais amplo com o cenário à frente.

Em junho, o IPCA-15 subiu 0,41%, abaixo da expectativa de 0,44%, acumulando alta de 4,80% em 12 meses. Mais do que o resultado cheio, a composição do indicador foi o que sustentou uma leitura mais positiva.

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Segundo Laís Costa, analista da Empiricus Research, o headline veio abaixo da mediana das expectativas e o qualitativo também foi melhor. “Quando você olha a média dos núcleos, dá para dizer que teve um comportamento mais construtivo”.

A melhora dos núcleos — que capturam a parte mais persistente da inflação — contribuiu para a reprecificação da curva de juros. Esse movimento já se reflete nas expectativas para as próximas decisões do Comitê de Política Monetária (Copom) .

“Houve um aumento da probabilidade de corte já na próxima reunião”, afirma Laís. Na visão dela, o ciclo de flexibilização deve continuar no curto prazo. “O Banco Central está disposto a cortar. Ele quer cortar e vai cortar.”

Assista à entrevista na íntegra no Giro do Mercado desta quinta-feira (25)

O cenário internacional também contribui para esse ajuste. Nos Estados Unidos, o PCE subiu 0,4% em maio, abaixo do esperado, reduzindo a pressão sobre o Federal Reserve e abrindo espaço para flexibilização monetária — inclusive em economias emergentes.

“A curva de juros lá fora puxa para baixo, e isso ajuda muito. O Brasil não negocia em isolamento”, diz Laís.

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BC levanta alerta para o médio prazo

Apesar da melhora nos dados correntes, o BC adotou um tom mais cauteloso em seu Relatório de Política Monetária. A autoridade elevou para 79% a probabilidade de estouro do teto da meta de inflação e revisou a projeção de crescimento do PIB para 2%.

Para a analista, o ponto central está na reação da autoridade monetária ao cenário. “O que parece é que temos uma função de reação muito mais sensível à atividade do que à inflação”, afirma.

Essa postura limita uma melhora mais consistente das expectativas de longo prazo, mesmo diante de dados pontualmente positivos. “Embora o dado recente tenha sido melhor, quando ampliamos o horizonte, ainda vemos um viés mais altista para a inflação”, diz.

A revisão para cima do crescimento econômico reforça um quadro de atividade resiliente, o que tende a dificultar a convergência da inflação à meta. Isso também aparece nas projeções: “Seguimos com 5,6%, ainda bastante acima do objetivo”, afirma Laís.

Na prática, o alívio recente da inflação melhora o cenário de curto prazo e dá suporte aos ativos. No entanto, a comunicação do Banco Central mantém elevado o prêmio de risco, especialmente na curva de juros.

*Sob supervisão de Juliana Américo