A SLC Agrícola (SLCE3 ) comunicou nesta sexta-feira (26) que exerceu de forma irrevogável e irretratável, o direito de preferência para a aquisição da totalidade dos imóveis rurais que compõem o portfólio denominado “Bloco Mato Grosso”, do Grupo Radar.
A companhia disse que o valor total da transação alcançou R$1,85 bilhão, com sinal de R$700 milhões a ser depositado em conta vinculada em até cinco dias úteis, enquanto o saldo de R$1,15 bilhão será pago na data da lavratura.
O bloco compreende um conjunto de propriedades localizadas no Mato Grosso, de aproximadamente 41.214 hectares físicos de área de matrícula, que correspondem a aproximadamente a 28,8 mil hectares agricultáveis, que historicamente oportunizam 100% de plantio de segunda safra, afirmou a SLC. Em relação aos 28,8 mil hectares agricultáveis, a SLC disse que já opera 17,6 mil hectares.
“A aquisição será realizada na modalidade ‘porteira fechada’, em caráter indivisível e em igualdade de condições com a proposta recebida pelas proprietárias dos ativos”, acrescentou em fato relevante à Comissão de Valores Mobiliários (CVM).
BTG vê expansão e SLC Agrícola capturando oportunidades
De acordo com o BTG Pactual, a SLC reforçou durante seu o Investor Day sua estratégia resiliente a ciclos do agronegócio, destacando que o ambiente para o segue desafiador, com custos de insumos mais elevados, margens pressionadas e incertezas para a safra 2026/27, mas também cria oportunidades para empresas com balanço robusto.
A companhia vê fundamentos construtivos para soja e algodão no longo prazo, diante de uma oferta global mais restrita e da manutenção do crescimento da demanda, embora os fertilizantes continuem pressionando a rentabilidade no curto prazo.
A administração destacou que o setor pode estar migrando de uma crise de balanço patrimonial para uma crise de rentabilidade, cenário no qual a SLC pretende continuar expandindo e capturando oportunidades.
“Entre os destaques operacionais estão os avanços em irrigação, que aumentam a produtividade e reduzem riscos climáticos, e o forte crescimento da SLC Sementes, que vem ganhando participação de mercado em soja e algodão”, explicam Thiago Duarte e Guilherme Guttilla.
A reforma tributária foi apontada como positiva para o setor, apesar da maior necessidade de capital de giro, enquanto o portfólio de terras foi reavaliado em R$13,5 bilhões, com valorização de 1% no comparativo anual.
As estimativas foram revisadas para refletir custos mais elevados e margens menores nos próximos anos, mantendo um cenário de curto e médio prazo pressionado. Ainda assim, a combinação de escala, produtividade acima da média, qualidade dos ativos e potencial de valorização das commodities sustenta a recomendação de compra do BTG, com preço-alvo de R$20 por ação.
*Com informações da Reuters