“Em estrada com muita neblina, você diminui a velocidade”: entenda o recado do Itaú para os investidores

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O cenário internacional segue envolto em incertezas e exige mais cautela dos investidores. Esta foi a principal mensagem do economista Pedro Schneider, da equipe de macroeconomia do Itaú Unibanco, durante o evento Macro em Pauta nesta terça-feira (21).

Ao resumir o ambiente global, o economista recorreu a uma analogia: “Em uma estrada com muita neblina, você diminui a velocidade”, comparando o momento atual à baixa visibilidade provocada pela escalada das tensões no Oriente Médio durante a última semana.

Segundo Schneider, a combinação entre o conflito envolvendo Irã e Estados Unidos, a volatilidade do petróleo e a persistência da inflação global tornou o ambiente mais desafiador para os mercados. Embora o Itaú mantenha a projeção de que o barril do petróleo encerre o ano em US$ 80, o economista reconheceu que a retomada das tensões elevou novamente os preços da commodity .

Nesta terça-feira (21), o petróleo Brent negocia próximo dos US$ 90 por barril, reacendendo preocupações sobre inflação e juros tanto no Brasil quanto nos Estados Unidos.

“Em ambiente de visibilidade muito baixa, o mercado toma menos risco, e a condução da política econômica também precisa ser feita com mais cautela”, afirmou Schneider. Para ele, o conflito adiciona um prêmio de risco aos ativos globais, mas a principal consequência é aumentar a incerteza em um momento em que a inflação já pressiona bancos centrais ao redor do mundo.

Na avaliação do Itaú, mesmo que o conflito seja resolvido, o pano de fundo para a economia global continuará penoso, com mercados de trabalho resilientes, inflação ainda elevada e expectativa de novos aumentos de juros pelo Federal Reserve (Fed).

Decisões de juros

No cenário de política monetária, o Itaú manteve a avaliação de que o Fed ainda deverá elevar os juros nos próximos meses. Segundo Schneider, a combinação de um mercado de trabalho resiliente, inflação persistente e o risco adicional provocado pela alta do petróleo reforça a necessidade de uma postura mais restritiva por parte do banco central americano. A expectativa da equipe econômica do banco é de duas altas de 0,25 ponto percentual, nas reuniões de setembro e outubro.

Para o Brasil, o diagnóstico é diferente, mas o espaço para cortes também é limitado. O Itaú segue projetando mais uma redução de 0,25 ponto percentual na reunião de agosto do Comitê de Política Monetária ( Copom), levando a Selic para 14% ao ano. Depois disso, a avaliação é de que o Banco Central deverá interromper o ciclo de afrouxamento monetário.

Na visão do banco, o cenário externo mais adverso, somado à persistência das incertezas fiscais domésticas e aos impactos da alta do petróleo sobre a inflação, exige uma postura cautelosa da autoridade monetária brasileira.

Embora o processo de desinflação siga em curso, a avaliação é que o Banco Central deverá preservar uma política monetária restritiva por mais tempo, evitando sinalizações de novos cortes enquanto os riscos permanecerem elevados.