O presidente do PT, Edinho Silva, afirmou que o presidente da Argentina, Javier Milei , “não pode vir ao Brasil e atacar as instituições brasileiras”. A declaração foi dada em entrevista ao jornal argentino La Nación . No último sábado (25), Milei chamou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) de “presidiário” e o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes de “lixo careca”, em convenção do PL.
Na entrevista ao La Nación publicada nesta quinta-feira (30), Edinho afirmou que Milei é chefe de governo e “não pode confundir suas funções com as de um ativista político”.
Também disse que o Brasil quer apurar a origem dos recursos usados pelo presidente argentino na viagem a São Paulo. Segundo ele, caso fique comprovado o uso de dinheiro público, a candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) à Presidência pode ser cassada. “A lei brasileira proíbe interferência estrangeira no processo eleitoral”, disse.
As declarações de Milei foram dadas na convenção partidária que oficializou o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) como candidato ao Palácio do Planalto. O discurso provocou crise diplomática entre o Brasil e a Argentina, com a participação de ministros, tanto do governo federal quanto do STF, e a convocação do embaixador do país vizinho para prestar esclarecimentos.
Edinho também disse que o ataque de Milei atinge o Estado brasileiro, e não um partido político, o que afeta empresas e trabalhadores argentinos dependentes da relação comercial entre os dois países.
“Líderes vêm e vão, mas os países permanecem”, afirmou Edinho, ao comparar a postura do argentino à de Donald Trump , presidente dos Estados Unidos . “Se Milei não entende isso, ele não está apto para o cargo que ocupa”, disse.
Edinho também comentou a decisão do Itamaraty de negar vistos a dois diplomatas dos Estados Unidos que, segundo o jornal The Washington Post , vinham ao Brasil para questionar a legitimidade das eleições. Para o presidente do PT, a decisão foi correta.
“Respeitamos as eleições dos Estados Unidos, mesmo que tenham sido questionadas por sua própria liderança. Pedimos reciprocidade. Não aceitaremos nenhuma interferência”, afirmou.
Edinho também criticou Flávio Bolsonaro por voltar a levantar dúvidas sobre a confiabilidade das urnas eletrônicas em reunião com embaixadores. Segundo ele, o senador repete o discurso do pai, que resultou na tentativa de golpe de 8 de janeiro de 2023.
“As urnas foram auditadas por todas as organizações imagináveis, e ninguém conseguiu violar a segurança”, disse, ao afirmar que o PT venceu e perdeu eleições com o sistema e nunca questionou sua legitimidade.