Banco do Brasil lucra R$ 3,9 bilhões no 2T26 com inadimplência em 5,61%

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Banco do Brasil lucra R$ 3,9 bilhões no 2T26 com inadimplência em 5,61%

O Banco do Brasil registrou lucro líquido ajustado de R$ 3,9 bilhões no segundo trimestre de 2026. O valor representa alta de 3,3% sobre o mesmo período de 2025 e avanço de 13,9% em relação ao primeiro trimestre deste ano. Os dados constam do balanço divulgado.

O lucro líquido contábil somou R$ 3,175 bilhões no trimestre, com crescimento de 4,6% em 12 meses e de 2,7% na comparação trimestral. A diferença entre os dois indicadores existe porque o lucro ajustado exclui itens extraordinários do período. Já o lucro contábil considera todos os efeitos do resultado, inclusive os eventos não recorrentes.

O semestre, porém, conta outra história. No acumulado do primeiro semestre de 2026, o lucro ajustado ficou em R$ 7,3 bilhões. O número é 34,2% menor que os R$ 11,2 bilhões registrados em igual intervalo de 2025. No lucro contábil, a queda semestral chega a 36,1%.

O que sustentou o lucro do Banco do Brasil no 2T26?

A margem financeira bruta atingiu R$ 27,5 bilhões no trimestre, alta de 0,2% na comparação trimestral e de 9,6% em 12 meses. Essa linha mede a diferença entre o que o banco ganha ao emprestar e aplicar recursos e o que paga para captar dinheiro. É o principal motor da receita de qualquer instituição financeira.

Segundo o balanço, o avanço trimestral refletiu principalmente a elevação de 2,1% no resultado de tesouraria. Tesouraria é a área que administra a carteira de títulos e a liquidez do banco.

No acumulado do semestre, a margem financeira bruta cresceu 12,1% e somou R$ 54,9 bilhões. O impulso vem das receitas de crédito, com destaque para as operações com pessoas físicas, que subiram 15,3%. As receitas de tesouraria avançaram 16,0% no mesmo período.

Custo do crédito do BB sobe 43,3% no semestre

O custo do crédito correspondeu a R$ 18,5 bilhões no segundo trimestre. O valor representa elevação de 16,1% sobre o 2T25 e redução de 2,1% frente ao primeiro trimestre. Esse indicador reúne as despesas com perda esperada em operações de crédito, somadas aos descontos concedidos e descontadas as receitas de recuperação.

No semestre, o custo do crédito alcançou R$ 37,3 bilhões. A alta é de 43,3% em relação ao primeiro semestre de 2025. É a linha que mais pesou sobre o resultado acumulado do banco.

O cálculo segue a Resolução CMN nº 4.966/21. A norma alterou a forma como os bancos brasileiros provisionam perdas de crédito.

Inadimplência do Banco do Brasil chega a 5,61%

A inadimplência acima de 90 dias encerrou junho em 5,61%. O indicador estava em 3,96% um ano antes e em 5,05% ao fim de março. A piora equivale a 165 pontos base em 12 meses. Um ponto base corresponde a 0,01 ponto percentual.

O índice de cobertura terminou o período em 148,45%. A métrica mostra quanto o banco tem provisionado para cada real de operação vencida há mais de 90 dias. Em junho de 2025, o indicador estava em 183,16%. Em março deste ano, marcava 158,39%.

A leitura é direta. O banco tem mais crédito vencido e menos folga de provisão do que tinha um ano antes.

Carteira de crédito do BB soma R$ 1,3 trilhão

A carteira de crédito totalizou R$ 1,3 trilhão em junho de 2026. O crescimento foi de 0,6% no trimestre e de 1,5% em 12 meses.

O agronegócio segue como maior bloco, com R$ 421,6 bilhões. A carteira agro avançou 0,8% no trimestre e 4,1% em 12 meses. A carteira de pessoa jurídica somou R$ 404,1 bilhões, com alta de 2,7% no trimestre e recuo de 4,0% na comparação anual.

A carteira de pessoa física alcançou R$ 357,6 bilhões. Houve redução de 1,2% no trimestre e elevação de 4,4% em 12 meses, impulsionada pelo desempenho do crédito consignado.

Receitas de serviços e despesas administrativas do BB

As receitas de prestação de serviços totalizaram R$ 9,1 bilhões no trimestre. O avanço foi de 3,4% sobre o 1T26 e de 4,2% sobre o 2T25. No semestre, o crescimento chegou a 4,9%.

No trimestre, destacaram-se administração de fundos, com alta de 6,3%, conta corrente, com 7,6%, e operações de crédito e garantias, com 4,7%. Na leitura semestral, as maiores altas vieram de taxas de administração de consórcios, com 14,1%, operações de crédito e garantias, com 13,3%, e administração de fundos, com 10,4%.

As despesas administrativas somaram R$ 10,1 bilhões no 2T26, alta de 0,6% no trimestre e de 4,1% em 12 meses. No semestre, a expansão foi de 4,8%. O banco destaca que o número ficou abaixo do reajuste salarial de 5,7% concedido aos bancários pelo acordo coletivo firmado em setembro de 2025. O balanço afirma que a instituição manteve os investimentos em tecnologia e cibersegurança.

O índice de eficiência de 12 meses ficou em 28,0%. O indicador mede quanto das receitas é consumido por despesas administrativas. Quanto menor, melhor.

Capital, dividendos e o desempenho da ação BBAS3

O Capital Principal atingiu 11,27% em junho, contra 10,97% um ano antes. O Índice de Basileia ficou em 13,91%, abaixo dos 14,14% de junho de 2025. Os dois indicadores medem a capacidade do banco de absorver perdas em relação ao risco assumido.

O retorno sobre o patrimônio líquido, chamado de RSPL pelo banco, ficou em 8,3% no trimestre. O índice avançou frente aos 7,3% do 1T26 e recuou levemente sobre os 8,4% do 2T25. No semestre, o RSPL caiu de 12,6% para 7,3%.

O total de ativos alcançou R$ 2,58 trilhões em junho, alta de 6,0% em 12 meses. Os recursos de clientes cresceram 8,4% e chegaram a R$ 954 bilhões. O patrimônio líquido ficou em R$ 189,2 bilhões.

O banco destinou R$ 926 milhões em juros sobre capital próprio e dividendos no trimestre, o equivalente a R$ 0,16 por ação. O montante é 79,3% maior que o registrado no 2T25.

A ação BBAS3 encerrou o trimestre cotada a R$ 19,90. A queda foi de 13,4% no trimestre e de 9,9% em 12 meses. O papel negocia a 0,63 vez o valor patrimonial e a 7,84 vezes o lucro dos últimos 12 meses.

Guidance 2026 do Banco do Brasil sob pressão

O banco mantém projeções corporativas para 2026, chamadas de guidance. São intervalos que a administração espera cumprir ao longo do ano, sem garantia de resultado.

Três linhas já superam o teto projetado no acumulado do semestre. A margem financeira bruta cresceu 12,1%, contra intervalo de 7% a 11%. A carteira sustentável avançou 8,8%, acima da faixa de 2% a 6%. A carteira de agronegócios subiu 4,1%, quando a projeção prevê variação de menos 2% a mais 2%.

Duas linhas ficaram abaixo do previsto. A carteira de pessoas físicas cresceu 4,4%, contra intervalo de 6% a 10%. A carteira de empresas recuou 6,4%, quando a projeção admite queda máxima de 3%.

O lucro líquido ajustado do semestre, de R$ 7,3 bilhões, corresponde a pouco mais de um terço do piso da projeção anual, que vai de R$ 18 bilhões a R$ 22 bilhões. O custo do crédito acumulado, de R$ 37,3 bilhões, já representa mais da metade do intervalo previsto para o ano inteiro, de R$ 65 bilhões a R$ 70 bilhões.

Leia a história original Banco do Brasil lucra R$ 3,9 bilhões no 2T26 com inadimplência em 5,61% por Lucas Espindola em br.beincrypto.com