Concorrente do Ozempic pode virar um trunfo para a Hypera (HYPE3), na visão da XP

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A Hypera ( HYPE3 ) se prepara para a reta final do processo regulatório de sua caneta injetável de semaglutida, o Semavy, nome registrado junto à Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos (CMED), para concorrer com Ozempic e Wegovy, da Novo Nordisk.

Caso o medicamento seja aprovado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) , além da estipulação de preço pela CMED, a XP Investimentos considera que as canetas podem ser um importante vetor de alta para a receita da Hypera, visto que o mercado potencial estimado no Brasil é de R$ 5 bilhões.

Após a patente da semaglutida da Novo Nordisk ter expirado em março, o Ozivy, da EMS, tornou-se o primeiro produto nacional de semaglutida aprovado, no fim de maio, acelerando a competição de preços na categoria, afirma a corretora.

“Embora o teto oficial de preço esteja em torno de R$ 800, os preços praticados no mercado estão significativamente abaixo desse nível, próximos de R$ 450“, diz a XP.

A corretora acrescenta que a mesma dinâmica de preços pode ser observada em Wegovy e Rybelsus, ambos da Novo Nordisk, bem como em Poviztra e Extensior, lançados pela Eurofarma em parceria com a Novo.

Por volta das 12h34 (horário de Brasília), a ação HYPE3 subia 1,62%, a R$ 21,33. No mesmo horário, o Ibovespa (IBOV) avançava 1,44%, aos 172.964,30 pontos.



Receita da Hypera

De acordo com a XP, após os estágios finais de liberação regulatória do Semavy, o medicamento pode já contribuir com as receitas da Hypera a partir do terceiro trimestre de 2026 (3T26). A expectativa da corretora é de que o preço-teto seja próximo ao do Ozivy, da EMS, de cerca de R$ 800.

Embora o ambiente competitivo tenha levado a preços inicias mais agressivos do que o esperado, com aproximadamente 50% de desconto ante o produto de referência, a XP ainda enxerga um perfil de rentabilidade atrativo para a farmacêutica.

Os principais fatores que sustentam essa visão incluem:

Margem bruta estimada em cerca de 50%, refletindo o acordo de compartilhamento de receitas com o fabricante; Ausência de necessidade de investimentos iniciais (capex) para o desenvolvimento do produto; Produto de alto valor unitário, o que deve permitir ganho de alavancagem operacional por meio da diluição das despesas de vendas, gerais e administrativas (SG&A).

Por ora, o cenário base da corretora para a Hypera não inclui a potencial contribuição da caneta de semaglutida.

“Mesmo em um cenário mais desafiador — marcado por maior concorrência e pressão sobre preços — acreditamos que o produto ainda deve gerar valor adicional para a empresa, ao menos por meio da diluição incremental das despesas operacionais”, avalia a XP.

A corretora tem recomendação de compra e preço-alvo de R$ 27 para HYPE3, o que implica um potencial de valorização de 34,3% ante o último fechamento (24).