Os gestores de fundos da América Latina adotaram uma visão mais pessimista com bolsa brasileira em junho, de acordo com pesquisa mensal do Bank of America (BofA) divulgada nesta terça-feira (16) .
Se há um mês 66% dos entrevistados projetavam o Ibovespa (IBOV ) acima dos 190 mil pontos em dezembro deste ano, agora apenas 31% dos participantes da pesquisa esperam que o índice volte aos níveis históricos.
Além disso, cerca de 40% dos entrevistados pelo BofA esperam mais revisões para baixo dos resultados das empresas neste ano, ante 29% no levantamento de maio.
Parte do posicionamento mais cauteloso deve-se à incerteza eleitoral. Para 60% dos gestores, as eleições de outubro devem trazer mais volatilidade ao mercado apenas a partir de agosto, contra 40% da pesquisa anterior.
Já a perspectiva de juros mais altos nos Estados Unidos e o fortalecimento do dólar são apontados como os principais riscos externos para o mercado brasileiro.
A pesquisa contou com a participação de 31 gestores com aproximadamente US$ 115 bilhões em ativos sob gestão e foi realizada antes do anúncio de acordo entre Estados Unidos e Irã para pôr fim à guerra no Oriente Médio.
Para onde vai o dólar?
O levantamento do BofA ainda mostrou que as estimativas para o câmbio pioraram. A expectativa de um dólar mais fraco ante o real, entre R$ 4,81 a R$ 5,10 em dezembro deste ano, caiu de 66% em maio para 45% em junho.
Além disso, nenhum dos gestores entrevistados espera que o real fique abaixo de R$ 4,80 até o fim de 2026, contra 31% do mês anterior.
Cortes na Selic
A pesquisa do BofA ainda aponta que, para aproximadamente 83% dos gestores, os riscos geopolíticos podem desacelerar o ritmo do cortes na Selic pelo Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central. Em maio, a visão era compartilhada por 77% dos entrevistados.
Pelo quarto mês consecutivo, a pesquisa afirmou que não há um consenso entre os gestores entrevistados sobre o nível da Selic no final deste ano. Com o maior percentual entre as faixas de juros, 31% dos entrevistas veem a taxa entre 14,25% ao ano em dezembro.
Já 68% acreditam que a Selic não deve encerrar 2026 abaixo de 14% ao ano.
O BofA, por sua vez, prevê a taxa básica de juros a 14,25% em dezembro deste ano, considerando que o Comitê de Política Monetária (Copom) reduza os juros em 25 pontos-base pela última vez na próxima quarta-feira (17).