Raízen (RAIZ4): Cinco gestoras têm apetite para comprar dívidas, diz jornal

Ao menos cinco gestoras estariam de olho nos créditos da Raízen (RAIZ4) , em meio ao processo de recuperação extrajudicial (RE) da companhia, segundo informações do Broadcast , do Estadão . De acordo com as informações, Makalu, Geribá, Laplace e Mapa estão se posicionando para concorrer com a IG4 com propostas para assumir dívidas de credores.

Na semana passada, a companhia homologou o plano de RE, que prevê a conversão de 45% das dívidas — que chegam a R$ 64,7 bilhões — em ações, que agora estão com um valor de mercado extremamente baixo, com as ações valendo centavos.

A conversão deve promover um cenário em que os credores passarão a possuir 80% do capital social da joint venture entre Shell e Cosan. Ainda de acordo com o Broadcast, a ideia é que, dependendo do valor e forma de aquisição dos créditos, aqueles que emprestaram dinheiro à Raízen poderiam recuperar um valor maior de recursos e reduzir o desconto da troca.

Também está no radar que a conversão das dívidas resulte em uma corporação sem controle definido, tendo em vista a diversidade de credores, o que pode impactar a governança e gestão da Raízen.

De acordo com uma das fontes ouvidas pelo Broadcast os bancos têm potencial para restar com um volume maior de ações da companhia, o que daria mais cadeiras no conselho de administração.

Os planos das gestoras

Vale pontuar que essas cinco gestoras são conhecidas pela atuação com ativos problemáticos. Segundo o Broadcast , elas miram operação diferentes na busca pelos créditos da Raízen.

Segundo as fontes ouvidas, a Makalu visa avançar sobre os créditos concedidos às operações de açúcar e etanol, por conta de experiência com reestruturação no segmento. Já a Geribá Investimentos estaria de olho para os créditos relacionados às operações de combustíveis.

No caso da Laplace, as conversas estão voltadas para os bancos credores, com o intuito de viabilizar saídas em diferentes estruturas, incluindo a criação de um veículo para gestão das ações, de acordo com o jornal.

Depois de assumir o controle da Braskem ( BRKM5 ), no início deste mês, a gestora de private equity IG4 apresentou uma oferta não vinculante pelos créditos da produtora de açúcar e etanol e distribuidora de combustíveis, segundo o jornal Valor Econômico .

A reportagem apurou com fontes que a gestora pretende adquirir 50% mais um dos créditos, tornando-se controladora da companhia após a reestruturação financeira. A proposta vai ser apresentada aos credores da Raízen, em sua maioria detentores de títulos de dívida emitidos no exterior, debêntures e Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRAs).

Segundo o Valor, se não tiver a adesão de ao menos 50%, a IG4 não manterá a oferta. A intenção da gestora seria conduzir uma reestruturação financeira de forma organizada na Raízen, reduzindo a dispersão dos credores.

Recuperação extrajudicial da Raízen

A Raízen deu um passo importante em seu processo de recuperação extrajudicial (RE). A companhia obteve a adesão de credores que representam 75,45% dos créditos abrangidos pelo plano, alcançando o quórum necessário para protocolar a maior recuperação extrajudicial da história do Brasil.

A maior produtora de açúcar e etanol do Brasil protocolou uma proposta para reorganizar aproximadamente R$ 64,7 bilhões em dívidas.

O plano prevê a conversão de parte dos créditos em ações, a emissão de novos instrumentos de dívida, aportes dos acionistas e uma reorganização societária que separará os negócios de energia e combustíveis.

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