Dólar avança 1% e supera R$ 5,16, no maior nível intradia desde fevereiro, com Fed e Copom

O dólar ganha força ante o real acompanhando o desempenho da moeda no exterior após as decisões de juros no Brasil e nos Estados Unidos e em meio à queda nos preços do petróleo com a assinatura do acordo de paz entre Washington e Teerã.

Por volta de 11h (horário de Brasília), o dólar bateu máxima intradia a R$ 5,1691, com avanço de 1,10%. Já o DXY, indicador que compara o dólar a uma cesta de seis divisas globais, como euro e libra, operava com alta de 0,54%, aos 100,631 pontos, no mesmo horário.

“O diferencial de juros ainda oferece suporte ao real, mas o ambiente internacional mais restritivo limita os movimentos mais consistentes de apreciação da moeda brasileira”, avaliou Gabriel Mollo, analista de investimentos da Daycoval Corretora.

Ontem (17), o Comitê de Política Monetária (Copom ) cortou a Selic de 14,50% para 14,25% ao ano. Essa foi a terceira redução consecutiva do Banco Central, em linha com o esperado pelo mercado. A decisão do colegiado foi unânime.

O BC destacou piora marginal das projeções de inflação, aumento das incertezas no cenário externo – com atenção especial às tensões no Oriente Médio – e passou a enfatizar o “ajuste total” do ciclo de política monetária, em vez do ritmo de cortes.

Na leitura de economistas e analistas, o corte não altera a direção do ciclo, mas altera sua “elasticidade”, com o espaço para continuidade mais estreito e mais dependente dos dados.

Sendo assim, parte do mercado avalia que o comunicado manteve a “porta aberta” para novos cortes na Selic, na contramão do tom adotado pelos principais bancos centrais ao redor do mundo.

A leitura de um Copom mais ‘dovish’ pressiona a curva de juros nos vértices de médio e longo prazos, que já estavam pressionadas, com a “rolagem” do horizonte relevante do BC para o primeiro trimestre de 2028 já na próxima decisão, em agosto – e que refletem na pressão sobre a moeda brasileira.

Também na véspera, o Comitê Federal do Mercado Aberto (Fomc, na sigla em inglês) do Federal Reserve (Fed, o Banco Central dos EUA) manteve os juros inalterados na faixa de 3,50% a 3,75% ao ano , como o esperado. Essa foi a quarta manutenção consecutiva, em uma decisão unânime.

O destaque, porém, foi a coletiva de imprensa, a primeira de Kevin Warsh no comando do Fed. Durante o pronunciamento, o novo presidente indicou que o BC poderá promover mudanças em sua estratégia de comunicação com o mercado, incluindo a realização de coletivas de imprensa e outros instrumentos de orientação aos investidores.

Após a decisão e as falas de Warsh, o mercado adiantou a aposta de elevação nos juros. Agora, os agentes financeiros veem 69,5% de chance de o Fed elevar os juros em setembro, segundo a ferramenta FedWatch, do CME Group. Antes da decisão, dezembro era o mês mais provável para um ajuste para cima dos juros.

Na avaliação do Chris Turner, chefe global de estratégia de mercados do ING, a postura mais ‘dura’ adotada pelo Fed provocou um achatamento baixista de 10 pontos-base na curva de juros e fortaleceu o dólar.

Para ele, a divisa pode se fortalecer mais caso haja surpresas positivas nos dados de atividade econômica ou inflação dos Estados Unidos. “Mas este ano não é 2022, e qualquer aperto monetário promovido pelo Fed será um ajuste, e não o início de um novo ciclo de alta de juros”, destaca o estrategista.

“Embora o dólar possa continuar sustentado, não vemos um catalisador para uma forte ruptura altista. Isso é ainda mais válido diante da queda dos preços da energia, após a assinatura do acordo entre Estados Unidos e Irã, e de um ambiente favorável aos ativos de risco”, acrescenta Turner.

Cenário geopolítico

O cenário geopolítico também continua no radar, ainda que em segundo plano. Ontem, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, assinou um acordo de paz com o Irã, que prevê o fim permanente das hostilidades e inicia um prazo de 60 dias para negociações sobre o futuro do programa nuclear do país persa.

A íntegra do texto ainda não foi publicada pela Casa Branca ou pelo regime iraniano. O que se sabe até agora foi divulgado extraoficialmente por autoridades americanas e pela mídia oficial iraniana.

O pacto para encerrar a guerra entrou em vigor imediatamente após a assinatura, segundo o primeiro-ministro do Paquistão, Shehbaz Sharif, que mediou as negociações.

Em reação, os preços do petróleo operam no menor nível desde março, com o barril do Brent cotado abaixo de US$ 80.