Tráfego de petroleiros por Ormuz fica praticamente parado enquanto ataques colocam à prova trégua no Irã

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O tráfego de petroleiros pelo Estreito de Ormuz ficou praticamente paralisado nesta quinta-feira (9), segundo dados e fontes, à medida que os riscos à navegação se intensificaram após os Estados Unidos terem retomado os ataques aéreos contra o Irã, o que provocou uma retaliação de Teerã no Golfo Pérsico.

Apenas dois petroleiros haviam atravessado o estreito até as primeiras horas da quinta-feira. Entre eles estava o superpetroleiro Berg 1, que havia carregado na Ilha de Kharg, no Irã , e está sujeito a sanções dos EUA, de acordo com análise da Kpler.

O petroleiro Well Sail, com bandeira das Ilhas Marshall, também atravessou o estreito, segundo a análise da Kpler. Seu destino de carregamento anterior ficava próximo a Sharjah, nos Emirados Árabes Unidos, de acordo com dados de rastreamento de navios da LSEG.

Fontes do setor de navegação afirmaram que as embarcações estão cada vez mais desligando seus transponders públicos de rastreamento, tornando mais difícil identificar todos os navios que estão cruzando o estreito.

“O tráfego de petroleiros pelo Estreito de Ormuz praticamente parou, o que diz mais sobre a percepção de risco no momento do que qualquer declaração de Washington ou Teerã”, escreveu Jorge Leon, chefe de análise geopolítica da Rystad Energy, em um relatório.

Nova escalada coloca em risco trégua entre EUA e Irã

As Forças Armadas iranianas lançaram ataques contra infraestruturas militares dos EUA em países vizinhos do Golfo Pérsico nesta quinta-feira, em resposta aos ataques dos EUA às províncias do litoral sul e do leste do Irã, colocando ainda mais pressão sobre uma trégua que já dura três semanas.

A mais recente escalada no conflito de quatro meses começou no início desta semana com ataques a três petroleiros no estreito, pelos quais os EUA responsabilizaram Teerã.

A Marinha da Guarda Revolucionária do Irã afirmou na quinta-feira que os ataques dos EUA ao Irã e a intervenção no redirecionamento do tráfego marítimo estavam atrapalhando a reabertura gradual do estreito, alertando que qualquer nova intervenção dos EUA provocaria uma “resposta devastadora”.

O Estreito de Ormuz era responsável por cerca de um quinto do abastecimento global de petróleo antes do início da guerra, em 28 de fevereiro, com ataques dos EUA e de Israel contra o Irã.

O tráfego diário nas últimas duas semanas havia subido para seus níveis mais altos desde o início da guerra, com uma média de 40 navios transitando pelo estreito, o que ainda estava muito aquém da média pré-conflito de 125 a 140 travessias diárias.

Ataque a navio-tanque de GNL revela risco para embarcações de alto valor

Algumas seguradoras especializadas em riscos de guerra aconselharam as empresas de navegação a suspender as viagens pelo estreito, enquanto outras estão revisando os termos de suas apólices após a retomada dos ataques a navios, informaram fontes do setor de seguros à Reuters.

“A perspectiva de reabertura do Estreito de Ormuz parece mais frágil após a última escalada”, afirmou a corretora marítima Clarksons em um relatório.

Uma das três embarcações atingidas nesta semana, o navio-tanque de GNL do Catar Al Rekayyat, com bandeira das Ilhas Marshall, continua encalhado e aguardando operações de resgate na costa de Omã, depois que um projétil atingiu a embarcação na noite de terça-feira, provocando um incêndio na sala de máquinas.

Apesar dos temores iniciais de uma explosão, fontes do setor afirmaram que o risco é baixo por enquanto e que sua carga de gás natural liquefeito parece estar segura.

O registro naval das Ilhas Marshall, um dos principais estados de bandeira do mundo, informou à Reuters que não houve relatos de feridos ou impactos ambientais como resultado do incidente envolvendo o Al Rekayyat.

“Como mostraram incidentes recentes, o mercado de seguros contra riscos de guerra marítima enfrenta agora a perspectiva de perdas potencialmente graves envolvendo embarcações de valor substancial”, disse um subscritor de seguros contra riscos de guerra marítima, que pediu para não ser identificado devido à delicadeza da situação.