Fortuna incalculável: saiba quem foi o homem mais rico de todos os tempos

MoneyTimes
Öffnen unter MoneyTimes

Elon Musk, fundador da Tesla, da SpaceX e da xAI e dono do X, é o homem mais rico do mundo na atualidade, de acordo com a lista de bilionários em tempo real da Forbes . Nesta quinta-feira (16), a fortuna de Musk é estimada em US$ $860,7 bilhões.

Mas, quando o assunto é riqueza acumulada ao longo da história, há um nome que aparece acima de todos os demais: Mansa Musa, imperador do Império do Mali, na África Ocidental do século XIV.

Na realidade, “Mansa” era o título recebido por Musa Keita I ao assumir o poder, em 1312. O termo pode ser traduzido como “imperador”, “soberano” ou “rei dos reis”.

Em uma época de prosperidade na África Ocidental — e Mansa Musa redefiniu o significado do que era ser rico.

“Os relatos da época sobre a riqueza de Musa são tão impressionantes que é quase impossível ter uma noção de quão rico e poderoso ele realmente era”, disse Rudolph Butch Ware, professor associado de História da Universidade da Califórnia, em entrevista à rede britânica BBC.

Apesar das inúmeras tentativas, nenhum estudo conseguiu calcular a fortuna de Mansa Musa com precisão. Ainda assim, algumas estimativas apontam que ela poderia superar facilmente US$ 3 trilhões — cerca de R$ 15,2 trilhões, valor superior ao PIB brasileiro de 2025, estimado em R$ 12,7 trilhões.

O vasto território de Mansa Musa

A riqueza do Império do Mali vinha principalmente de dois recursos extremamente valorizados na época: ouro e sal. Esses produtos abasteciam mercados da Europa, do Oriente Médio e de outras regiões da África.

No auge de seu poder, o império abrangia áreas dos atuais Mali, Chade, Níger, Guiné, Gâmbia, Senegal, Nigéria e Mauritânia, na costa oeste africana.

“Imagine a quantidade máxima de ouro que um ser humano poderia possuir e dobre esse valor”, afirmou o professor Ware à revista Money , em 2015.

Durante o reinado de Mansa Musa, o Império do Mali era responsável por quase metade de todo o ouro do Velho Mundo, segundo o Museu Britânico.

Além disso, os principais centros comerciais que negociavam ouro e outras mercadorias estavam sob seu domínio, ampliando ainda mais a riqueza do imperador.

Mapa do Império do Mali durante o reinado de Mansa Musa, por volta de 1337. (Imagem: Simeon Netchev)

A peregrinação que revelou o homem por trás do ouro

Foi durante uma peregrinação a Meca que a fama de Mansa Musa ultrapassou as fronteiras do Império do Mali.

Muçulmano devoto, o imperador atravessou o Deserto do Saara e o Egito acompanhado por uma das maiores caravanas já registradas. Estima-se que a jornada reuniu cerca de 60 mil pessoas, formando uma verdadeira cidade em movimento pelo deserto.

O grupo era composto pela corte real, oficiais, soldados, griôs (contadores de histórias e artistas tradicionais), mercadores, condutores de camelos e aproximadamente 12 mil escravizados.

Segundo relatos da época, os integrantes da caravana vestiam brocados de ouro e seda persa.

A viagem também contava com cem camelos, cada um carregando centenas de quilos de ouro, além de cabras e ovelhas para alimentação.

Ao chegar ao Cairo, capital do Egito, Mansa Musa distribuiu ouro com tamanha generosidade que sua passagem deixou marcas na economia da região por anos. Sua estadia de três meses teria provocado uma forte desvalorização do metal, que persistiu por cerca de uma década.

O impacto econômico teria causado perdas de aproximadamente US$ 1,5 bilhão, segundo estimativa da empresa norte-americana de tecnologia financeira SmartAsset.com.

Na viagem de volta para casa, Mansa Musa passou novamente pelo Egito e, segundo alguns relatos, tentou ajudar a recuperar a economia local retirando parte do ouro de circulação. Para isso, teria recomprado o metal por meio de empréstimos obtidos com credores egípcios a taxas de juros elevadas.

Outras versões, porém, afirmam que ele simplesmente gastou tanto durante a peregrinação que acabou ficando sem ouro.

“Ele distribuiu tanto ouro do Mali ao longo do caminho que os griôs não gostam de exaltá-lo em suas canções, porque acreditam que ele desperdiçou as riquezas do império fora de suas fronteiras”, afirmou Lucy Duran, da Escola de Estudos Africanos e Orientais de Londres, à BBC, em 2019.

Timbuktu, o El Dorado africano

Graças aos investimentos de Mansa Musa, o Timbuktu se transformou em um dos maiores centros religiosos, intelectuais e comerciais da África medieval.

A cidade, que já era uma importante rota comercial do Império do Mali, ganhou ainda mais relevância após os investimentos do imperador.

Em 1327, ele encomendou a construção da Mesquita de Djinguereber. O projeto foi entregue ao poeta e arquiteto andaluz Abu Es Haq es Saheli, que teria recebido cerca de 200 quilos de ouro pelo trabalho — valor que hoje corresponderia a aproximadamente US$ 8,2 milhões.

Timbuktu, África. (Imagem: oversnap/IStock)

Além da arquitetura, Mansa Musa incentivou as artes, financiou a produção literária e investiu na educação.

Bibliotecas, escolas e estudiosos transformaram Timbuktu em um polo de conhecimento, atraindo estudantes de diferentes partes do mundo para o que mais tarde se tornaria a Universidade de Sankoré.

O fim do Império do Mali

Após a morte de Mansa Musa, em 1337, aos 57 anos, o império foi herdado por seus filhos. No entanto, eles não conseguiram manter a unidade construída pelo imperador.

Estados menores se separaram e, aos poucos, o Império do Mali entrou em declínio.

A chegada posterior dos europeus à região representou o golpe final para as antigas terras governadas por Musa.

“Se os europeus tivessem chegado em número significativo durante a época de Mansa Musa, quando o Mali estava no auge de seu poder militar e econômico, e não apenas alguns séculos depois, quase certamente a história teria sido diferente”, afirmou o professor Ware à BBC.

*Sob supervisão de Ricardo Gozzi.