Tarifas de Trump: XP vê impacto limitado para frigoríficos e alerta para uma ação; veja recomendações

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A nova tarifa de 25% imposta pelos Estados Unidos sobre a maior parte das importações brasileiras deve ter efeitos limitados para os frigoríficos do país, mas acende um sinal de alerta para a Jalles ( JALL3 ), na avaliação da XP Investimentos .

Em relatório divulgado nesta sexta-feira (17), os analistas afirmam que a confirmação da medida, que entra em vigor em 22 de julho, mantém a carne bovina brasileira fora da nova rodada de tarifas e preserva, no curto prazo, a competitividade dos exportadores do setor.

Os EUA justificaram a decisão com base em supostas práticas comerciais desleais do Brasil, citando questões relacionadas ao comércio digital, ao Pix, à proteção da propriedade intelectual, ao acesso ao mercado de etanol e a temas ambientais.



Apesar de autoridades americanas sinalizarem abertura para negociações, o governo brasileiro já criticou a medida e indicou que poderá recorrer à Organização Mundial do Comércio (OMC).

Jalles é a mais exposta

Se os frigoríficos escaparam da nova tarifa, a mesma leitura não vale para a Jalles. Para a XP, a empresa é a companhia brasileira mais exposta à mudança por sua atuação no mercado de açúcar orgânico dos Estados Unidos.

Os analistas destacam que, diferentemente do regime anterior — considerado temporário —, a nova política comercial americana tem características mais permanentes, tornando a perda de competitividade um risco estrutural para a companhia.

Na avaliação da corretora, isso tende a dificultar o repasse de preços no curto prazo e, principalmente, abrir espaço para que concorrentes de outros países avancem sobre a participação atualmente ocupada pelo Brasil no mercado americano de açúcar orgânico.

Carne bovina segue protegida

Segundo a XP, a principal conclusão do anúncio é que a carne bovina brasileira continua isenta da tarifa adicional de 25%.

Na prática, a carga tarifária efetiva para as exportações fora da cota permanece em 26,4%, sem alterações em relação ao cenário anterior.

Com isso, a corretora afirma que não vê mudanças materiais para os exportadores brasileiros de carne bovina no curto prazo.

Apesar da avaliação positiva, a XP ressalta que o risco comercial não desapareceu. Os Estados Unidos ainda podem recorrer a outros instrumentos para limitar as importações, principalmente por meio de exigências ambientais e relacionadas ao desmatamento, o que pode resultar em novas restrições ou em regras adicionais de conformidade para o setor.

Etanol segue como ponto de atenção

A XP também chama atenção para um possível acordo comercial envolvendo o etanol.

Hoje, o Brasil cobra tarifa de 18% sobre as importações do biocombustível americano. Caso esse percentual seja reduzido em uma eventual negociação entre os dois países, a corretora avalia que o etanol dos Estados Unidos ganharia competitividade no mercado brasileiro.

Embora isso não altere significativamente o equilíbrio entre oferta e demanda, poderia reduzir a janela de oportunidade para o envio de etanol produzido no Centro-Sul ao Nordeste durante a entressafra da região.

Ainda assim, a XP considera improvável uma solução para essa questão no curto prazo. Para os analistas, o tema é politicamente sensível em um ano eleitoral e deve ser tratado dentro de um pacote mais amplo de negociações comerciais, e não de forma isolada.

Veja as recomendações da XP para ações do agronegócio

EmpresaTickerRatingPreço Atual (R$)Preço-Alvo (R$)Upside
AmbevABEV3Venda15,613,0-17%
JBSJBSS32Compra61,489,045%
MBRFMBRF3Neutro15,420,533%
MinervaBEEF3Neutro3,77,294%
M. Dias BrancoMDIA3Neutro17,827,957%
CamilCAML3Compra4,48,388%
São MartinhoSMTO3Neutro15,514,8-5%
JallesJALL3Compra2,04,1102%
SLC AgrícolaSLCE3Neutro13,516,421%
BrasilAgroAGRO3Neutro19,022,518%
3tentosTTEN3Compra15,123,656%
VittiaVITT3Compra3,55,147%
Boa SafraSOJA3Compra6,011,896%