Renda fixa impulsiona boom de ETFs; veja os fundos novos que lideram em captação, com Bradesco e BTG na ponta

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Os ETFs , principal aposta do mercado financeiro para ano, seguem em forte expansão. Depois de terem encerrado 2025 com uma captação líquida recorde de R$ 23,1 bilhões, os fundos de índice já atraíram outros R$ 32,4 bilhões somente entre janeiro e junho deste ano, superando todo o fluxo registrado no ano passado, segundo dados da Anbima .

O avanço reflete o crescente interesse dos investidores e gestoras por produtos negociados em bolsa que combinam diversificação, baixo custo e facilidade de acesso.

Para dimensionar esse avanço, um levantamento do ETFs Brasil junto com a Teva Índices mostra que os dez maiores ETFs lançados desde janeiro de 2025 já acumulam R$ 23,48 bilhões em captação líquida até meados de julho.

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Ticker Data de lançamento Gestora Índice de referência Patrimônio líquido (R$) Cotistas Captação líquida (R$) Classe de ativos
BLFT11 17/10/2025 Bradesco Asset Management Índice Teva Tesouro Selic Curto Prazo 13.306.652.693 247 8.953.510.778 Renda Fixa
LLFT11 13/06/2025 BTG Pactual Asset Management Índice Teva Tesouro Selic Longo Prazo 6.092.533.817 985 5.446.406.921 Renda Fixa
LFTI11 22/12/2025 Itaú Unibanco Asset Management Índice Teva Tesouro Selic 3.124.758.700 681 1.899.668.562 Renda Fixa
TD3511 24/02/2026 Itaú Unibanco Asset Management Índice ANBIMA NTN-B 2035 1.516.445.148 353 1.504.595.772 Renda Fixa
GOLX11 22/12/2025 XP Allocation Asset Management LBMA Gold Price 1.185.488.315 1.176 1.285.124.569 Alternativos
SPBZ11 04/11/2025 BTG Pactual Asset Management S&P 500 Futures Quanto USD-BRL Currency Adjusted Index 985.276.978 55 845.779.825 Ações Internacionais
LFIN11 22/09/2025 BTG Pactual Asset Management Índice Teva Letras Financeiras DI Qualidade 857.813.663 1.435 801.026.015 Renda Fixa
MIDB11 18/02/2026 BTG Pactual Asset Management Índice Teva ITBR IPCA 2035 757.547.130 14 743.229.002 Renda Fixa
AUPO11 15/12/2025 BTG Pactual Asset Management Índice Teva ITBR Liquidez 692.019.843 23.743 642.596.574 Renda Fixa
SPXH11 29/12/2025 XP Allocation Asset Management S&P 500 Futures Quanto USD-BRL Currency Adjusted Index 519.461.108 597 509.306.291 Ações Internacionais

**(1) Considera apenas os ETFs lançados a partir de 01/01/2025. (2) Dados de 20/07/2026. (3) Captação líquida entre 01/01/2025 e 20/07/2026.

O ranking reúne produtos de diferentes classes de ativos e gestoras, mas revela uma concentração dos recursos em poucas estratégias: renda fixa, ações internacionais e alternativos.

Renda fixa como o principal motor dos ETFs

A predominância da renda fixa entre os ETFs é evidente. Dos dez fundos com maior captação líquida lançados desde janeiro de 2025, oito pertencem a essa classe de ativos. Juntos, eles acumularam R$ 20,84 bilhões em aportes até 20 de julho, o equivalente a cerca de 89% dos recursos captados pelo grupo, evidenciando que os investidores têm priorizado estratégias mais conservadoras em meio ao cenário de juros elevados.

O movimento acompanha o ambiente macroeconômico: com a Selic em patamar elevado, os ETFs de renda fixa passaram a oferecer uma forma simples de acessar títulos públicos e outros ativos pós-fixados, combinando diversificação, liquidez em bolsa e custos geralmente inferiores aos dos fundos tradicionais. Com isso, esses produtos passaram a disputar espaço diretamente com aplicações como Tesouro Direto, CDBs e fundos de renda fixa.

Outro diferencial que tem ajudo essa classe de ativos no “boom” recente está na tributação. Ao contrário dos fundos tradicionais, os ETFs não estão sujeitos ao mecanismo de come-cotas semestral. Além disso, a maior parte dos ETFs de renda fixa conta com alíquota única de 15% de Imposto de Renda, independentemente do prazo da aplicação, o que pode representar uma vantagem para investidores de médio e longo prazo.

Modelo fee-based impulsiona ETFs

Na avaliação de Laís Costa, analista da Empiricus Research, a expansão dos ETFs também é consequência de uma mudança estrutural no mercado de investimentos. Segundo ela, o avanço do modelo fee-based, em que consultores e assessores são remunerados pelo serviço prestado ao cliente, e não pela comissão de distribuição de produtos específicos, tem alinhado os incentivos em favor de veículos mais eficientes e de menor custo.

Ela explica que quando o assessor é remunerado pelo serviço prestado, e não pelo produto vendido, faz mais sentido para o profissional recomendar instrumentos com taxas menores e maior eficiência, como os ETFs.

Costa destaca ainda que outro fator tem acelerado os lançamentos nos últimos anos: a percepção entre as gestoras de que quem chega primeiro tende a conquistar uma vantagem competitiva. “Existe uma percepção de que a primeira gestora a lançar um ETF de determinada classe de ativos ou tema sai na frente”, afirma.

Como os ETFs costumam replicar os mesmos índices e apresentam estruturas muito semelhantes, o pioneirismo pode ser decisivo para atrair patrimônio, ganhar liquidez e se consolidar como referência naquela categoria. Essa dinâmica ajuda a explicar tanto a concentração dos recursos em poucos produtos quanto a corrida das gestoras para lançar novos ETFs.

Bradesco e BTG Pactual na ponta

O estudo mostra que, apesar da expansão da indústria, o mercado de novos ETFs continua concentrado em poucas casas. A Bradesco Asset lidera o patrimônio líquido dos ETFs lançados desde 2025, com R$ 14,5 bilhões, seguida pela BTG Pactual Asset, com R$ 12,6 bilhões, e pela Itaú Asset, com R$ 6 bilhões. Juntas, as três administram aproximadamente R$ 33 bilhões, praticamente todo o patrimônio dos novos fundos listados no período.

Na sequência aparecem a XP Allocation, com R$ 3,1 bilhões, a Investo (R$ 1,17 bilhão) e a Galapagos Capital (R$ 850 milhões). A Nu Asset também figura entre as principais gestoras, com cerca de R$ 740 milhões em patrimônio nos ETFs lançados desde janeiro de 2025.