O que está por trás da queda de 6% da Brava (BRAV3), um dia antes do leilão da OPA?

A Brava Energia ( BRAV3) estende as perdas da véspera nesta terça-feira (4), acompanhando o movimento de queda do petróleo, que afeta todas as petroleiras brasileiras no Ibovespa (IBOV) . Na avaliação de analistas, a baixa da commodity e o leilão de oferta pública de aquisição (OPA) da Brava pesam nas ações hoje.

A Brava apresenta recuo mais acentuado do que outras petroleiras. Por volta das 10h43 (horário de Brasília), Petrobras (PETR3 ; PETR4 ) e Prio ( PRIO3 ) tinham perdas de 2%, enquanto BRAV3 recuava 6%.

O leilão de OPA da Brava pela Ecopetrol está marcado para esta quarta-feira (5), às 15h (horário de Brasília). A oferta busca adquirir 25% das ações ordinárias da companhia ao preço de R$ 23.

Na mínima, BRAV3 derreteu 6,55% (R$ 18,56).



O que está no radar de BRAV3?

Para o economista e head de renda variável da Fami Capital, Gustavo Bertotti, o principal vetor da queda da Brava hoje envolve a possibilidade de um acordo entre Estados Unidos e Irã pelo controle de Ormuz após as sinalizações do secretário do Tesouro norte-americano, Scott Bessent. As falas derrubaram as cotações do petróleo.

Por volta de 11h13 (horário de Brasília), os contratos mais líquidos do Brent, referência para o mercado internacional, para outubro recuavam 4,99%, a US$ 79,59 o barril, na Intercontinental Exchange (ICE), em Londres.

Já os contratos do petróleo West Texas Intermediate (WTI) para setembro tinham queda de 5,54%, a US$ 75,89 o barril, na New York Mercantile Exchange (Nymex), nos EUA, no mesmo horário.

Com a queda do petróleo, os ativos de risco ficam mais atrativos e a curva de juros praticamente se fecha, o que favorece a entrada dos investidores, tanto estrangeiros quanto domésticos, em ações consideradas mais voláteis e sensíveis a juros, explica Bertotti.

O head de renda variável da Fami Capital destaca um relatório da XP Investimentos sobre a produção de julho da Brava, com a parada programada no campo de Papa-Terra pressionando o desempenho da Brava no período.

“O investidor pode estar, em parte, analisando isso, justamente pelo fundamento e pela questão da produção, que é bem sensível para essas empresas privadas menores, além da queda do barril e da correção no setor”, afirma Bertotti.

O sócio da Fatorial Investimentos Fábio Lemos considera que os preços do Brent também pesa para a Brava e o setor como um todos, mas a OPA da Ecopetrol também está no radar hoje.

“Com o leilão marcado para amanhã, investidores que montaram posições de arbitragem vêm desmontando parte dessas operações. Além disso, quem comprar a ação hoje dificilmente conseguirá participar da OPA de amanhã, porque as ações não devem estar liquidadas e habilitadas a tempo do leilão”, detalha.

Lemos considera que a elevada volatilidade implícita das opções de venda também indica que o mercado segue buscando proteção para o período pós-OPA da Brava.

De acordo com Lemos, como a oferta é limitada a cerca de 25% do capital e poderá haver rateio, caso a adesão supere 116,1 milhões de ações, muitos investidores podem não conseguir vender toda a posição pelo preço da oferta (R$ 23) e, consequentemente, permanecer expostos ao Brent e à execução da companhia.