A SpaceX apresentou nesta terça-feira (4) seu primeiro balanço trimestral desde a abertura de capital, com receita e Ebitda acima das expectativas de Wall Street, mas os prejuízos nas operações espaciais e de inteligência artificial seguiram pressionando o humor dos investidores.
Entre abril e junho, a companhia registrou receita de US$ 7,8 bilhões, alta de 92% na comparação com o primeiro trimestre e acima do consenso de US$ 6,9 bilhões compilado pela Bloomberg. O Ebitda somou US$ 3,5 bilhões, superando com folga a projeção de US$ 2 bilhões.
O prejuízo líquido foi de US$ 541 milhões, uma melhora em relação à perda de US$ 1 bilhão registrada anteriormente.
Mesmo assim, as ações da companhia chegaram a cair 5% no after market em Nova York. No pregão regular, os papéis haviam encerrado o dia com alta de 9,53%, a US$ 125,44, mas seguem abaixo dos US$ 135 do IPO realizado em junho e acumulam queda desde a estreia.
Starlink sustenta resultados
A principal fonte de receita — e também de lucro — da SpaceX continua sendo a Starlink.
O serviço de internet via satélite, vendido para consumidores, empresas, governos e forças militares, foi novamente o principal motor financeiro da companhia.
A base de assinantes alcançou 12 milhões de usuários, dobrando em relação ao mesmo período do ano passado e crescendo 17% frente ao primeiro trimestre.
Por outro lado, a expansão internacional continua pressionando a monetização do serviço. A receita média por usuário (ARPU) permaneceu em US$ 66, abaixo dos US$ 85 registrados um ano antes.
“O crescimento da receita acelerou em todos os nossos segmentos de negócios e entregamos forte alavancagem operacional, com uma expansão significativa da margem liderada pelos nossos novos acordos de computação de IA”, afirmou o CFO Bret Johnsen, em comunicado.
IA continua consumindo caixa
Apesar da forte expansão da receita, a inteligência artificial segue sendo o principal foco de preocupação do mercado.
A unidade de IA registrou prejuízo operacional de US$ 1,26 bilhão no trimestre, enquanto a divisão espacial perdeu outros US$ 542 milhões. Grande parte dessas perdas está relacionada ao avanço dos investimentos em infraestrutura computacional.
Os desembolsos com IA saltaram para US$ 15,8 bilhões entre abril e junho, praticamente o dobro dos US$ 7,7 bilhões registrados no trimestre anterior.
Ao todo, os investimentos (capex) da companhia atingiram US$ 18,37 bilhões no período, ligeiramente abaixo da expectativa de US$ 18,58 bilhões.
A SpaceX afirma que esses investimentos sustentam sua estratégia de longo prazo após a fusão com a xAI, concluída em fevereiro. O objetivo é desenvolver infraestrutura de inteligência artificial que, futuramente, inclua centros de dados em órbita.
O mercado, porém, segue questionando se o elevado volume de investimentos em IA será capaz de gerar retorno suficiente para justificar o consumo de caixa — preocupação que também tem atingido gigantes como Alphabet, Meta e Oracle.
Caixa reforçado após IPO
A abertura de capital fortaleceu significativamente a posição financeira da companhia. O caixa e equivalentes encerraram o trimestre em US$ 93,5 bilhões, ante US$ 24,7 bilhões três meses antes.
Ao mesmo tempo, as obrigações relacionadas a financiamentos e arrendamentos aumentaram para US$ 36,8 bilhões, frente aos US$ 22 bilhões registrados no fim do primeiro trimestre.
Starship segue como aposta de longo prazo
Embora ainda não tenha entrado em operação comercial, a Starship permanece no centro da estratégia da empresa.
O foguete reutilizável deverá ampliar a capacidade de lançamento de satélites Starlink e servir de base para a futura infraestrutura de computação orbital da companhia.
Investidores acompanham de perto a evolução dos testes, a reutilização dos veículos e o cronograma para início das operações comerciais, considerados fatores importantes para reduzir custos de lançamento e acelerar o crescimento da empresa.
Parceria com Nvidia
Junto com os resultados, a SpaceX anunciou uma parceria com a Nvidia para desenvolver a carga útil Starmind AI-1.
O projeto utilizará as GPUs Rubin e as CPUs Vera da fabricante de chips para levar “computação de classe de data center” ao espaço.
Segundo a companhia, a iniciativa elevará a capacidade máxima de processamento de cada satélite para até 250 kW e faz parte da estratégia de integrar infraestrutura orbital ao desenvolvimento de inteligência artificial.
* Com informações de Reuters e Seu Dinheiro