Dólar mais forte deve reduzir apetite por ações da América Latina, mas BofA vê diferenciais que ‘protegem’ o Brasil

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O Bank of America (BofA) considera que os riscos de um dólar mais forte estão aumentando, diante da expectativa de novos aumentos de juros nos Estados Unidos — o banco projeta três altas de 0,25 ponto percentual pelo Federal Reserve .

Esse movimento, segundo a instituição, pode compensar os possíveis benefícios de um acordo entre EUA e Irã para os mercados emergentes, ainda que o pacto não implique necessariamente em um enfraquecimento da moeda.

Segundo o banco, à medida que esses riscos aumentam, o apetite por ações da América Latina tende a diminuir. “No entanto, vemos as ações brasileiras como relativamente protegidas graças aos juros locais elevados e ao fato de que setores sensíveis aos juros já estão bastante descontados — small caps acumulam queda de 18% em dólares desde os picos”, explica o BofA.

No relatório assinado por David Beker, Paula Andrea Soto, Mateus Conceição e Anna Clara Malheiros, é destacado que o diferencial de juros entre a Selic e os Fed Funds, de 11%, está no maior nível nos últimos 20 anos.

Além de proteger a bolsa brasileira, essa diferença de juros também pode continuar dando suporte ao real, avalia o banco.

Outro fator mencionado pelo BofA é que, a despeito do impacto negativo do fortalecimento do dólar sobre os exportadores de commodities, o choque do petróleo recente pode ajudar países exportadores de energia, como o Brasil.

Implicações macroeconômicas

Caso ocorra uma desvalorização de 10% do real, o BofA — citando estudo do Banco Central —estima que a inflação pode subir cerca de um ponto percentual. Ainda assim, o banco afirma que a resiliência do real, sustentada pelos juros reais elevados, pode limitar essas pressões.

Em relação à dívida brasileira, a instituição diz que ela está relativamente protegida contra um dólar mais forte, uma vez que sua maior parte é em real. “Cerca de 87% da dívida está em reais, o que reduz a vulnerabilidade direta à valorização do dólar”, detalha o banco.

Por outro lado, o BofA aponta que o principal risco está no custo de carregamento da dívida, uma vez que cerca de três quartos dela possuem taxas flutuantes, vinculadas principalmente à Selic ou à inflação.

“Além disso, a participação de investidores estrangeiros no mercado de dívida local brasileiro vem diminuindo nos últimos anos”, acrescenta.