SpaceX (SPCX): BTG inicia cobertura com recomendação de compra e projeta receita de US$ 1 trilhão até 2031

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O BTG Pactual iniciou a cobertura da SpaceX (SPCX) com recomendação de compra e preço-alvo de US$ 225 por ação, o que implica um potencial de aproximadamente 40% ante os níveis atuais. No mês passado, as ações da empresa de Elon Musk estrearam na bolsa de valores norte-americana ( Nasdaq ) após a maior oferta pública inicial (IPO) já registrada.

A equipe de analistas pondera que toda tese que escrevem se resume a duas perguntas: qual é o tamanho da oportunidade e quão defensável é a posição da empresa para capturá-la. Na leitura do banco, a SpaceX é “um caso raro em que ambas as respostas estão no limite do que é possível”.

O mercado endereçável da SpaceX abrange praticamente todo o espaço, pontuam os analistas, acrescentando que a capacidade da empresa de colocar carga em órbita a uma fração do custo dos concorrentes configura uma posição competitiva tida como “excepcional”.

“Existem empresas com fossos competitivos extraordinários, mas normalmente atuando em mercados mais restritos. Também existem empresas expostas a mercados endereçáveis gigantescos, porém com barreiras competitivas mais frágeis. A SpaceX é rara porque reúne as duas características: um mercado potencial estruturalmente enorme e aquilo que acreditamos ser um dos maiores diferenciais competitivos da indústria moderna”, diz o BTG.

Na avaliação do banco, quando esses dois aspectos coexistem, o intervalo de resultados possíveis se torna muito amplo e o modelo do banco projeta que a companhia alcance US$ 1 trilhão em receita até 2031.

Os principais motores desse crescimento, segundo os analistas, são uma capacidade média instalada de computação de 62 GW (gigawatt) ao longo de 2031, monetizada a aproximadamente US$ 11 por watt, além da Starlink atingir 135 milhões de assinantes de banda larga e 832 milhões de assinantes móveis, com receitas médias mensais por usuário (ARPU) de US$ 35 e US$ 16, respectivamente.

Além da tecnologia, experiência

Os analistas do BTG recordam que, quando o primeiro Falcon 9, principal foguete da companhia, voou, em 2010, ele reduziu o custo de lançamento para US$ 2,7 mil por quilograma, 85% abaixo da média histórica do setor.

Desde então, essa vantagem vem aumentando, com a capacidade da SpaceX de recuperar e reutilizar rotineiramente o primeiro estágio do Falcon 9.

O banco destaca que a reutilização não é um marco binário (que simplesmente acontece ou não acontece), mas sim uma curva de aprendizado cumulativa. Em 2019, quatro anos após o primeiro pouso bem-sucedido de um propulsor, a SpaceX realizou 13 missões com o Falcon, seguidas de 25, depois 31, chegando a 165 voos da família Falcon em 2025, configurando quase um lançamento a cada dois dias.

“Mesmo que um concorrente desenvolvesse hoje um primeiro estágio reutilizável de forma rotineira, ainda estaria pelo menos uma década atrás da SpaceX em experiência operacional, conhecimento sobre recondicionamento, aprendizado com falhas, otimização da cadeia de fornecedores, dados de voo e ritmo de lançamentos”, ponderam os analistas.

Neste cenário, o “fosso competitivo”, não é apenas tecnológico, mas também baseado em experiência. Na leitura do BTG, esse fator está incorporado em milhares de decisões de engenharia, centenas de campanhas de lançamento e uma cadência operacional que os concorrentes sequer conseguiram se aproximar de replicar.

Com a missão de tornar a vida multiplanetária, o próximo passo é a Starship, o veículo de nova geração da companhia. Com sua entrada em operação, a SpaceX pretende reduzir em aproximadamente 99% o custo de acesso à órbita em relação ao padrão histórico da indústria, levando o custo marginal para a casa de poucas centenas de dólares por quilograma.

“Tendo colocado em órbita mais de 80% de toda a massa colocada em órbita no mundo nos últimos anos, não há dúvidas de que a SpaceX detém, na prática, um quase monopólio tecnológico sobre o acesso ao espaço, posicionando-se de forma única para capturar valor em praticamente qualquer atividade que exija a implantação significativa de ativos além da Terra”, dizem os analistas.

Oportunidades trilionárias

Além do negócio de lançamentos, o BTG incorporou ao modelo duas oportunidades trilionárias construídas sobre a ampla vantagem competitiva que a SpaceX detém.

A primeira é conectividade, com a Starlink atendendo mais de 10 milhões de assinantes em mais de 160 países por meio de uma constelação de cerca de 10 mil satélites, o equivalente a aproximadamente 75% de todos os satélites atualmente em órbita.

A segunda é inteligência artificial, uma camada de monetização mais recente, mas potencialmente muito maior. Nesse segmento, a empresa encerrou março com 1 GW de capacidade terrestre de computação para IA, construída em um ritmo sem precedentes.

Além de treinar os modelos Grok e Cursor, essa infraestrutura já vem sendo monetizada a preços elevados por meio de contratos com Anthropic e Google.

No entanto, a maior parte do valor no modelo, que adota premissas conservadoras para a camada de aplicações, está no negócio de data centers orbitais, um segmento em que a SpaceX larga em posição privilegiada para vencer, na visão dos analistas.

“À medida que a demanda por capacidade computacional continua acelerando e a infraestrutura terrestre enfrenta restrições crescentes relacionadas à disponibilidade de energia, refrigeração, terrenos e licenciamento, a capacidade de instalar computação, infraestrutura energética e sistemas de comunicação em órbita pode se tornar uma vantagem estratégica significativa”, diz o banco.