Única plataforma a vender anúncio eleitoral fatura R$ 357 milhões em 90 dias

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Única plataforma a vender anúncio eleitoral fatura R$ 357 milhões em 90 dias

A Meta faturou R$ 357,35 milhões com propaganda política no Brasil nos últimos 90 dias. O número vem da Biblioteca de Anúncios da própria empresa, repositório público que registra todo anúncio sobre eleições, política e temas sociais veiculado no Facebook, no Instagram e no Messenger. O levantamento do BeInCrypto considera o relatório fechado em 21 de setembro.

A dona do Facebook e do Instagram recebeu esse dinheiro de 45.182 anunciantes, que colocaram 1.145.942 anúncios no ar. A média por anunciante ficou em R$ 7.909.

Nem todo esse faturamento é eleitoral. A base também cataloga publicidade institucional e campanhas sobre temas sociais. Ao menos 5.197 anunciantes se identificam explicitamente como campanhas de 2026 no rótulo obrigatório de transparência, e sozinhos eles pagaram R$ 219,83 milhões à empresa, em 528.233 anúncios.

Por que a Meta fica com todo o mercado?

A concentração do faturamento tem uma explicação regulatória. O Google decidiu manter nas eleições de 2026 a política adotada em 2024 e não vende anúncios eleitorais no Brasil. A restrição vale para o YouTube, a busca e a rede de display da companhia.

A empresa justificou a decisão pelas resoluções do Tribunal Superior Eleitoral que passaram a exigir das plataformas um repositório de anúncios auditável em tempo real, com valores, responsáveis pelo pagamento e perfil do público atingido.

Com o Google fora, a Meta ficou como a única grande plataforma a oferecer o serviço. Impulsionamento é o pagamento feito à rede social para ampliar o alcance de uma publicação além dos seguidores do perfil.

Quem mais pagou à Meta?

O maior anunciante do período não é um candidato. É o Governo do Brasil, com R$ 5,43 milhões em apenas 132 anúncios. Publicidade institucional de governo entra na base porque trata de temas sociais.

Entre as campanhas, a maior fonte de receita para a empresa é o presidente Lula (PT), com R$ 4,93 milhões distribuídos em 968 anúncios. Uma segunda página ligada à candidatura dele pagou outros R$ 601,8 mil.

Na sequência aparecem Elmano de Freitas (PT), candidato à reeleição no Ceará, com R$ 3,70 milhões, e Tarcísio de Freitas (Republicanos), candidato à reeleição em São Paulo, com R$ 2,13 milhões. A coligação de Fernando Haddad em São Paulo pagou R$ 1,51 milhão e Ciro Gomes (PSB), R$ 1,50 milhão.

Entre os demais presidenciáveis, os valores caem bruscamente. Flávio Bolsonaro (PL) pagou R$ 702,79 mil. Ronaldo Caiado (PSD) desembolsou R$ 202,89 mil, Augusto Cury (Avante), R$ 136,17 mil, Romeu Zema (Novo), R$ 101,17 mil, e Renan Santos (Missão), R$ 93,67 mil.

A receita da empresa é pulverizada. Os dez maiores anunciantes respondem por apenas 6,9% do total e os cem maiores, por 23,1%. Na outra ponta, 25.740 anunciantes pagaram R$ 100 ou menos no trimestre.

Dinheiro público sustenta o faturamento

A maior parte do dinheiro que chega à Meta sai do orçamento da União. Segundo dados extraídos do DivulgaCandContas, sistema oficial do TSE, os cinco candidatos à Presidência com contas publicadas arrecadaram R$ 134,69 milhões até esta quinta-feira (24).

Desse total, R$ 119,45 milhões vieram do Fundo Especial de Financiamento de Campanha e do Fundo Partidário. São 88,7% de dinheiro público.

Lula arrecadou R$ 66,86 milhões, sendo R$ 65,15 milhões de fundos públicos, ou 97,4% do total. Já declarou R$ 65,68 milhões em gastos. Flávio Bolsonaro arrecadou R$ 56,89 milhões, com R$ 49,35 milhões vindos dos fundos, e gastou R$ 56,20 milhões.

Os demais operam em outra escala. Zema arrecadou R$ 5,30 milhões, Cury, R$ 3,12 milhões, e Renan Santos, R$ 2,52 milhões. Renan Santos é o único sem qualquer recurso público declarado.

De onde vem a receita no mapa?

O faturamento não se distribui de forma uniforme pelo país. Anúncios entregues em São Paulo renderam R$ 89,38 milhões à empresa nos 90 dias, exatos 25% do total nacional.

O Rio de Janeiro vem em segundo, com R$ 32,19 milhões. Minas Gerais aparece com R$ 26,15 milhões e o Paraná, com R$ 24,80 milhões. O Ceará, palco de uma disputa estadual cara, gerou R$ 19,17 milhões, à frente de Pernambuco, com R$ 17,33 milhões.

Na outra ponta da tabela estão Amapá, com R$ 1,23 milhão, e Acre, com R$ 1,28 milhão.

Reta final multiplica a receita diária por quatro

O ritmo acelerou de forma acentuada nos últimos dias. Em 24 horas, o relatório diário da Biblioteca de Anúncios registrou R$ 16,69 milhões pagos por 9.208 anunciantes, com 234.623 anúncios no ar.

O valor equivale a 4,2 vezes a média diária do trimestre, de R$ 3,97 milhões. Ou seja, um único dia da reta final rende à empresa o mesmo que quatro dias do período anterior.

A liderança também muda no recorte de 24 horas. Elmano de Freitas pagou R$ 227,3 mil no dia, à frente de Lula, com R$ 180,6 mil, e de Tarcísio de Freitas, com R$ 81,7 mil.

O que o TSE fiscaliza?

Partidos e candidatos entregaram à Justiça Eleitoral, entre 9 e 13 de setembro, a prestação de contas parcial. O documento cobre a movimentação financeira desde o início da campanha até 8 de setembro e foi enviado pelo Conta+JE, sistema oficial de prestação de contas.

A Resolução TSE nº 23.607/2019 trata como falta grave a entrega fora do prazo ou o envio de informações que não reflitam a movimentação real. A irregularidade é avaliada no julgamento das contas finais, salvo justificativa aceita pela Justiça Eleitoral.

O primeiro turno acontece em 4 de outubro. Como os candidatos ainda podem declarar despesas após a votação, o total pago à empresa no ciclo deve subir.

Leia a história original Única plataforma a vender anúncio eleitoral fatura R$ 357 milhões em 90 dias por Lucas Espindola em br.beincrypto.com