Empréstimos em DeFi caem 40% e mercado perde quase US$ 25 bilhões

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Empréstimos em DeFi caem 40% e mercado perde quase US$ 25 bilhões

O mercado de finanças descentralizadas fechou o primeiro semestre de 2026 em forte retração. É o que mostra o relatório DeFi Outlook, do BTG Pactual.

O documento analisa quatro pilares do setor: empréstimos, corretoras descentralizadas, derivativos e staking. Os dados vêm das plataformas DefiLlama e Artemis. A análise é assinada pelos analistas Matheus Parizotto e Vinícius Bitelo.

DeFi é o conjunto de serviços financeiros que funciona sem bancos ou intermediários. As operações rodam em contratos automáticos dentro de blockchains. Quando o capital sai desses contratos, é sinal de que a demanda por cripto está fraca.

Empréstimos onchain perdem quase metade do capital depositado

O valor total depositado nos protocolos de empréstimo caiu de US$ 61,3 bilhões para US$ 36,4 bilhões. A retração foi de 40,6% no semestre.

Os empréstimos ativos recuaram na mesma proporção. Saíram de US$ 39,6 bilhões em janeiro para US$ 23,8 bilhões em junho, queda de 39,9%.

O BTG aponta o enfraquecimento da demanda por criptoativos como causa principal. O período também foi marcado pela desvalorização dos ativos usados como garantia nos empréstimos. Essas garantias são chamadas de colaterais. O índice NCI, referência citada no relatório, caiu 36% no período.

Aave lidera empréstimos em DeFi, mas token cai 43%

A Aave continua como maior protocolo do segmento. Fechou junho com US$ 10 bilhões em empréstimos ativos, quase três vezes o volume da segunda colocada.

O desempenho, porém, foi negativo. Os empréstimos ativos da Aave caíram 54% no semestre. O token do protocolo se desvalorizou 43%.

O destaque positivo foi a Morpho. O protocolo ampliou os empréstimos ativos em 10% e viu seu token subir 72%, a maior alta do segmento.

A Spark também cresceu, com avanço de 21% nos empréstimos. Ainda assim, seu token recuou cerca de 20%, queda menor que a média do setor.

Do outro lado, a Fluid registrou retração de 49% na atividade, a Euler de 46% e a Compound de 37%.

Volume das DEX cai 45% e Uniswap fica com 36% do mercado

As corretoras descentralizadas seguiram o mesmo caminho. Conhecidas como DEX, são plataformas de negociação que operam sem uma empresa central, com liquidez fornecida pelos próprios usuários.

O volume mensal negociado no segmento caiu de US$ 7,8 bilhões em janeiro para US$ 4,3 bilhões em junho. A queda foi de 45%.

A Uniswap manteve a liderança. Concentrou cerca de 36% do volume total do setor, com US$ 285,4 bilhões negociados no semestre. A PancakeSwap veio em seguida, com US$ 177,3 bilhões.

Apesar da liderança operacional, o token UNI foi um dos que mais recuaram no setor, com desvalorização de 52%. A atividade no protocolo caiu 29% no período.

Aerodrome e Orca foram as exceções. A Aerodrome ampliou o volume em 23% e seu token subiu 2%. A Orca teve retração de 18% no volume, bem abaixo da média do setor, e seu token avançou 6%.

Derivativos resistem e Hyperliquid negocia US$ 1,23 trilhão

O segmento de contratos futuros perpétuos foi o mais resiliente. Perpétuos são contratos que permitem apostar na alta ou na baixa de um ativo sem data de vencimento.

O volume negociado caiu 37% entre janeiro e junho. A retração foi mais moderada que a dos demais segmentos, mesmo após o pico de atividade registrado no fim de 2025.

O BTG atribui parte dessa sustentação à negociação de ativos tradicionais dentro dessas plataformas, como ações, commodities e índices.

A Hyperliquid seguiu na liderança isolada. Encerrou o semestre com US$ 1,23 trilhão em volume negociado, cerca de 2,5 vezes o total da Aster, segunda colocada com US$ 487,7 bilhões.

O token da Hyperliquid valorizou 168% no semestre, a maior alta entre os protocolos analisados. O relatório cita a expansão para ativos tradicionais e o crescimento de plataformas que distribuem seus produtos, como a TradeXYZ.

A ApeX ganhou espaço como alternativa, com avanço de 32% no volume. O movimento não se refletiu no token, que caiu 47%.

Opções onchain dobram de tamanho e Derive fica com 93%

O único segmento em expansão foi o de opções. Opções são contratos que dão o direito de comprar ou vender um ativo por um preço definido em uma data futura.

O volume nominal passou de US$ 780 milhões em janeiro para US$ 1,6 bilhão em junho. A alta foi de 105%.

O mercado ainda é pequeno perto dos demais segmentos. E a concentração é alta. A Derive respondeu por 93,1% do volume. Aevo, com 2,3%, e CallPut, com 1,4%, aparecem em seguida.

O relatório cita a implementação do HIP-4 pela Hyperliquid, ainda em estágio inicial, como possível catalisador para a expansão do segmento no segundo semestre.

Staking e restaking recuam com queda de Ethereum e Solana

O valor depositado em liquid staking caiu 42% no semestre. O restaking recuou 54%.

Staking é o processo de travar criptomoedas em uma rede para ajudar a validar transações e receber recompensas. No liquid staking, o usuário recebe um token que representa o depósito e pode continuar usando esse token em outras aplicações. Já o restaking permite reaproveitar ativos já depositados para dar segurança a outros serviços, em troca de rendimento adicional.

Como o capital do segmento está concentrado em Ethereum e Solana, a queda dos preços explica boa parte do movimento. O Ethereum caiu 47% no período. A Solana recuou 40%.

O liquid staking praticamente acompanhou a desvalorização dos ativos. O total depositado saiu de US$ 53,3 bilhões em janeiro para US$ 30,8 bilhões em junho. O restaking caiu mais, de US$ 18 bilhões para US$ 8,2 bilhões. Para o BTG, isso indica também um enfraquecimento da demanda pelo segmento.

A Lido seguiu como maior protocolo, com US$ 14,3 bilhões depositados. EigenCloud e Ether.fi vêm em seguida, ambas com US$ 2,6 bilhões.

O destaque foi a Jito, cujo token valorizou 88%. A alta é atribuída ao anúncio da JTX, plataforma de negociação da Jito que deve operar contratos futuros perpétuos no segundo semestre.

Valuation em DeFi mostra distância entre líderes e retardatários

O relatório também compara os protocolos pelo múltiplo FDV sobre taxas. O FDV é o valor de mercado considerando a oferta máxima de tokens em circulação. O múltiplo indica quanto o mercado precifica o protocolo em relação às taxas que ele gera.

A Hyperliquid lidera a amostra com cerca de 90 vezes. Aster, com 34,3 vezes, e Lighter, com 32,2 vezes, vêm na sequência.

No extremo oposto, Marinade, Lido, Meteora e Euler negociam abaixo de 1 vez. Segundo o BTG, isso reflete a alta dependência dos ciclos de preço dos criptoativos e margens mais baixas.

O banco avalia que Lido, Uniswap e Aave, líderes em seus segmentos, apresentam múltiplos relativamente atrativos após um semestre de menor atividade no mercado.

O BTG destaca que o material tem caráter informativo e não configura recomendação de investimento.

Leia a história original Empréstimos em DeFi caem 40% e mercado perde quase US$ 25 bilhões por Lucas Espindola em br.beincrypto.com