Até onde vai a Bolsa? Bancos projetam alta de até 45%

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Até onde vai a Bolsa? Bancos projetam alta de até 45%

O Ibovespa, principal índice de ações da B3, a Bolsa brasileira, renovou sua máxima histórica nesta segunda-feira (5). O movimento veio após o resultado do primeiro turno das eleições presidenciais. Mesmo depois da disparada, grandes bancos ainda veem espaço para mais alta.

Morgan Stanley, JPMorgan, BTG Pactual e UBS divulgaram projeções para a Bolsa. As estimativas apontam de 11% a 45% de valorização adicional. Todas dependem, porém, de sinais concretos na área fiscal.

Ibovespa bate recorde e passa dos 209 mil pontos

Por volta das 13h40, o Ibovespa subia 8,48%, aos 208.402 pontos. Mais cedo, o índice havia tocado 209.606 pontos, o maior nível da sua história. Na sexta-feira (2), o fechamento foi de cerca de 192 mil pontos.

O dólar também reagiu. A moeda americana recuava mais de 4% e chegou a ser negociada abaixo de R$ 5.

A reação ocorre depois que Flávio Bolsonaro (PL) terminou o primeiro turno à frente de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) neste domingo (4). O senador teve 47,03% dos votos válidos, contra 45,16% do presidente. Investidores esperavam uma disputa apertada, mas com Lula na liderança.

Algumas ações tiveram ganhos expressivos. Magazine Luiza, Cosan, Cyrela e B3 chegaram a subir mais de 20% pela manhã. O BTG Pactual também aparecia entre as maiores altas.

Morgan Stanley vê Ibovespa a 250 mil pontos

O Morgan Stanley espera que o índice se aproxime dos 250 mil pontos no curto prazo. Esse é o cenário otimista do banco. A condição é que a chance de mudança na política econômica continue alta.

Antes do pregão desta segunda, o alvo representava alta de cerca de 30% sobre o fechamento de sexta. Partindo da máxima de 209,6 mil pontos, o ganho ainda seria de aproximadamente 19%.

Antes da eleição, o Ibovespa estava no meio do caminho entre os cenários do banco para 2027. O pessimista aponta 130 mil pontos. O otimista, 250 mil. No cenário base, a referência é de 215 mil pontos.

Os 250 mil pontos partem de três premissas. A primeira é um múltiplo preço/lucro de cerca de 11,6 vezes. Esse indicador mostra quantos anos de lucro o investidor paga pelo preço atual de uma ação. As outras são o dólar a R$ 4,50 e a Selic, a taxa básica de juros do país, em 9,75%.

Para o banco, o mercado financeiro tende a reagir mais rápido que a economia real. Um plano fiscal crível poderia reduzir o prêmio de risco. Esse prêmio é o retorno extra que o investidor exige para aplicar em ativos mais arriscados.

O mesmo plano fortaleceria o real e abriria espaço para cortes de juros. Tudo isso antes mesmo de uma melhora efetiva no resultado primário, que é o saldo das contas do governo sem contar os juros da dívida.

JPMorgan eleva recomendação para ações do Brasil

O JPMorgan mudou sua visão sobre o país. O banco havia passado para neutro em agosto. Agora, voltou a classificar o Brasil como overweight dentro da América Latina. Na prática, isso significa recomendar uma exposição acima da média ao mercado brasileiro.

A projeção é de alta de cerca de 12% no curtíssimo prazo para o MSCI Brazil. Esse índice reúne as principais ações brasileiras acompanhadas por investidores internacionais. Depois, os ganhos poderiam chegar a 20%. Segundo os estrategistas, é o maior potencial entre os mercados da América Latina monitorados pelo banco.

A Bolsa brasileira negociava a 8,9 vezes o lucro projetado para os próximos 12 meses. Com menor percepção de risco, o múltiplo poderia subir rapidamente para cerca de 10,9 vezes. Para o banco, ao menos metade dessa reprecificação pode acontecer de imediato.

Num cenário mais otimista, com entendimento político e reformas estruturais, o múltiplo chegaria a cerca de 13 vezes. Foi o que aconteceu em 2016. Mas isso exigiria um ambiente externo favorável.

Bolsa pode subir até 45%, calcula o BTG Pactual

O BTG Pactual apresenta o intervalo mais amplo. Antes da votação, a Bolsa negociava a cerca de 10 vezes o lucro esperado em 12 meses, sem contar Petrobras e Vale. Esse nível está 0,7 desvio padrão abaixo da média histórica. O desvio padrão é uma medida estatística que mostra o quanto um valor se afasta da média.

O banco considera uma vitória de Flávio no segundo turno, com o mercado esperando medidas mais firmes na área fiscal. Nesse caso, as ações poderiam voltar rapidamente à média histórica de 11,9 vezes o lucro. O potencial seria de cerca de 20%.

Se o múltiplo chegar a 14,5 vezes, um desvio padrão acima da média, a alta poderia alcançar 45%.

O BTG também fez uma conta mais conservadora, usando apenas os últimos dez anos. Nesse período, a média é de 11,1 vezes, o que implica alta de 11%. Um desvio padrão acima dessa média, ou 13,2 vezes, levaria o potencial a 32%.

UBS projeta alta acima de 30% para a Bolsa

O UBS também vê espaço para o rali continuar. Segundo o banco, a Bolsa negociava a 8,7 vezes o lucro projetado. A média de dez anos é de 9,7 vezes.

Se a melhora fiscal se confirmar, o múltiplo poderia chegar perto de 11,8 vezes ao longo do tempo. Somado ao efeito de juros reais menores sobre os lucros das empresas, o potencial passaria de 30% nos próximos meses. Juros reais são a taxa de juros descontada a inflação.

Outro fator que pode ajudar é o posicionamento dos investidores. Para o UBS, ele ainda é relativamente baixo. Isso porque grandes volumes de capital doméstico deixaram as ações no início do ano.

Quais ações podem liderar a próxima etapa do rali?

Para o UBS, a principal aposta seria trocar ações de petróleo por papéis cíclicos domésticos. Cíclicas são empresas cujo desempenho acompanha o ritmo da economia local, como varejo e construção.

A lógica é que as petroleiras já embutem preços altos da commodity por mais tempo. Além disso, perderiam parte do papel de proteção contra o risco doméstico.

O banco cita bancos, varejo, construtoras, utilities, educação, saúde e small caps como os setores mais sensíveis ao cenário. Utilities são empresas de serviços essenciais, como energia e saneamento. Small caps são companhias de menor valor de mercado.

O BTG destaca varejistas, construtoras de média e alta renda, empresas ligadas ao mercado de capitais e companhias alavancadas, ou seja, com dívida elevada. Entre os nomes citados estão Renner, C&A, Assaí, Cyrela, B3, XP e Localiza. O banco também sugere trocar Sabesp por Equatorial ou Energisa e Motiva por Ecorodovias.

O JPMorgan prefere BTG Pactual e XP entre as financeiras e vê potencial nos bancos digitais. No varejo, aponta Assaí, Magazine Luiza, Renner, C&A e Riachuelo. Nas construtoras, Cyrela e Eztec.

O Morgan Stanley lista Nubank, XP, BTG Pactual, B3, Petrobras, Banco do Brasil, Cyrela, Axia Energia, Rumo e Motiva, entre outras, como ações ligadas a uma mudança na política econômica.

Rali da Bolsa depende do cenário fiscal

O UBS lembra que, em ciclos eleitorais anteriores, a reprecificação das ações durou todo o primeiro ano do novo governo. Isso aconteceu conforme reformas avançavam no Congresso e o mercado ganhava confiança na política econômica.

Os bancos, porém, fazem ressalvas. O Morgan Stanley diz que seus cenários mais otimistas exigem um plano fiscal crível e um ambiente internacional estável. No câmbio, o banco vê espaço para o dólar cair abaixo de R$ 4,90. A queda até R$ 4,50, no entanto, depende dessa combinação.

O JPMorgan condiciona uma alta mais forte a uma agenda com disciplina fiscal, reformas estruturais e cenário externo favorável. Já o UBS afirma que o potencial acima de 30% depende de melhora fiscal confirmada e de juros reais menores.

Em resumo, a eleição pode retirar rapidamente parte do prêmio de risco embutido nos preços. Para a alta continuar depois disso, será preciso entregar fundamentos que justifiquem múltiplos maiores.

Leia a história original Até onde vai a Bolsa? Bancos projetam alta de até 45% por Lucas Espindola em br.beincrypto.com