O Bitcoin acabou de absorver um choque de US$ 390 milhões, e um alerta emitido pelo JPMorgan em abril explica o motivo. Instituições retiraram esse valor dos ETFs de Bitcoin à vista na semana passada, enquanto o preço do petróleo disparava e o Estreito de Hormuz permanecia fechado.
O preço do Bitcoin se mantém próximo de US$ 63.500 apesar desses saques, no entanto, as vendas seguem uma linha direta desde a obstrução da rota marítima até a inflação, chegando aos livros de ordens das criptos.
Por que o choque do petróleo voltou e por que o Bitcoin é afetado?
O Brent retomou níveis acima de US$ 88 por barril na semana até 15 de agosto, alta superior a 5%, após os EUA afirmarem que o bloqueio naval ao Irã pode seguir indefinidamente enquanto as negociações para reabertura do Estreito de Hormuz continuam travadas.
BREAKING: Oil prices are climbing again as hopes for a U.S. Iran breakthrough fade and shipping through the Strait of Hormuz slows dramatically, Reuters reports.
— The Iranian Letter (@TheIranianzg3z) August 17, 2026
Brent rose as much as 1% to .40 a barrel, while WTI reached .83. Both benchmarks gained more than 5% last week…
O mesmo bloqueio não afeta apenas o petróleo bruto. O Oriente Médio exporta quase um quarto da ureia mundial através do Hormuz, e o JPMorgan apontou que as referências de fertilizantes nitrogenados saltaram de 25% a 50% após o início do conflito. Com o índice de fertilizantes do Banco Mundial próximo ao maior patamar desde 2022, a instituição enxerga essa reação elevando a inflação global dos alimentos para entre 4% e 5%.
More; w/ X AI™️:
— Connor Fleming (@connormfleming) August 17, 2026
Disruptions from Middle East conflict and Strait of Hormuz closure have cut key nitrogen fertilizer exports like urea by over 30% of global trade volume; whilst driving prices up sharply; leaving farmers vulnerable to reduced application rates that could lower… https://t.co/K9hdLhX2b0
Esses preços recuaram em relação ao pico de abril nas últimas semanas, mas ainda estão bem acima dos níveis de antes da guerra, e a nova alta do petróleo desta semana junto a ataques renovados em Hormuz ameaçam pressionar esses valores novamente.
Para o Bitcoin, a relação se resume a uma palavra: inflação.
Fed funds futures, per Bloomberg:
— junkbondinvestor (@junkbondinvest) August 17, 2026
~32% odds of a hike at the September meeting.
Roughly one full hike priced by December.
Almost 1.5 by mid-2027, implied rate touching 4%. pic.twitter.com/zRbDpIoQmw
Custos persistentes de energia e alimentos dão ao Federal Reserve motivos para manter juros elevados, e taxas altas drenam a liquidez barata da qual ativos de risco dependem.
Com isso, um choque iniciado em uma rota marítima chega aos livros de ordens das criptos, e o colapso do cessar-fogo entre EUA e Irã mantém essa pressão crescente.
Baleias do Bitcoin estão vendendo diante do medo da inflação?
Os primeiros a agir com base nesse cenário foram as baleias. Considerando o mesmo sinal macroeconômico, carteiras com mais de mil BTC atingiram o pico de 1.963 em 31 de julho, segundo dados da Glassnode, e diminuíram gradualmente durante agosto conforme o preço do petróleo subia.
A tendência resume toda a situação. A variação de 30 dias desse grupo ficou negativa por volta de 10 de agosto, justamente na semana em que o petróleo acelerou a alta, indicando que os maiores investidores reduziram exposição conforme o temor inflacionário se agravava.
Quando o capital mais informado se retira primeiro, investidores mais lentos costumam seguir o movimento. Mas as baleias não foram as únicas.
Por que US$ 390 milhões saíram dos ETFs de Bitcoin?
ETFs de Bitcoin à vista registraram saída de cerca de US$ 390 milhões na semana até 14 de agosto, logo após o movimento das baleias, representando o maior volume semanal negativo desde o início de julho e uma reversão expressiva frente aos US$ 853 milhões absorvidos na semana anterior.
Spot Bitcoin ETFs Saw 0 Million in Net Outflows Last Week; Spot Ethereum ETFs Saw .26 Million
— Wu Blockchain (@WuBlockchain) August 17, 2026
From August 10 to August 14 (ET), spot Bitcoin ETFs recorded 0 million in net outflows, led by Fidelity’s FBTC with 3 million. Spot Ethereum ETFs recorded .26 million in… pic.twitter.com/eYlGPbNx62
Essa ordem é o ponto central de todo o contexto.
O temor macroeconômico atingiu primeiro as baleias e depois os fundos, assim, as vendas partiram do Hormuz, passaram pela inflação e chegaram ao Bitcoin em questão de semanas.
Mesmo assim, o preço do Bitcoin permaneceu próximo de US$ 63.500, em vez de desabar, o que indica um movimento gradual de redução de risco e não pânico.
Como o preço reagiu a conflitos anteriores?
Se essa sequência parece preocupante, o histórico apresenta um contraponto. Quando a Rússia invadiu a Ucrânia em fevereiro de 2022, o Bitcoin caiu cerca de 9% em dois dias. Depois, recuperou aproximadamente 15% em cinco semanas. A guerra entre Israel e Hamas em 2023 gerou pouco impacto sobre a moeda. Além disso, o confronto entre Israel e Irã em junho de 2025 provocou retração de cerca de 4% do BTC antes de um cessar-fogo estimular nova valorização.
Portanto, o clima de guerra não costuma pressionar o mercado por muito tempo. Em várias ocasiões, a primeira queda funcionou como filtro, revertida logo que o cenário se acalma. Essa lógica foi detalhada em nossa análise sobre a Ucrânia. Se houver nova onda de distensão, as cotações do Bitcoin podem voltar a apontar para recuperação. Contudo, tanto as baleias quanto os gestores de ETFs não enxergam, agora, um desfecho otimista para o quadro atual.
Análise do especialista: A partir deste ponto, o desdobramento admite dois caminhos. Se a tensão no Golfo recuar ou investidores institucionais e baleias retomarem as compras, a perda tende a ser rapidamente revertida, tal qual nos eventos anteriores. Assim, a discussão sobre o fundo do mercado desaparece tão rápido quanto surgiu. Especialistas que acompanham as movimentações em blockchain já identificam uma zona de acúmulo, ainda que reconheçam que o piso definitivo não foi atingido.
Bitcoin is in an accumulation zone, but the bottom has not yet been confirmed via @cryptoquant_com
— Axel 💎🙌 Adler Jr (@AxelAdlerJr) August 3, 2026
https://t.co/jv3wQKiHxz pic.twitter.com/5UUflDfuNA
O outro cenário é mais desafiador. Caso a saída de capital dos ETFs de Bitcoin continue até agosto, historicamente um dos meses mais frágeis para o Bitcoin, e as baleias permaneçam vendendo em vez de recompor suas posições, a capitulação poderá se intensificar, formando um verdadeiro piso no mercado só após a exaustão dos vendedores. Em resumo, o fundo real pode estar próximo, mas depende de o clima de apreensão piorar antes de melhorar.
Leia a história original Bitcoin acaba de sofrer um impacto de US$ 390 milhões: um alerta do JPMorgan em abril explica o motivo por Ananda Banerjee em br.beincrypto.com