O julgamento da Meta sobre a segurança infantil começou no tribunal federal de Oakland na terça-feira, e as ações da Meta Platforms caíram 4,45% para US$ 543,67.
Quatro estados dos EUA acusam a empresa de atrair adolescentes por meio de um design considerado viciante. Um documento da própria Meta sugeriu que a multa teórica poderia chegar a US$ 1,4 trilhão.
De onde vem o valor de US$ 1,4 trilhão no julgamento da Meta?
Califórnia, Colorado, Kentucky e Nova Jersey abriram o processo. No entanto, os estados nunca exigiram de fato os US$ 1,4 trilhão. Esse valor foi apresentado pela própria Meta em julho, ao responder ao parecer dos estados sobre como as penalidades deveriam ser calculadas.
A Meta considerou tais cálculos exagerados e sem precedentes na aplicação de regras de proteção ao consumidor. Por outro lado, os estados afirmaram ao juiz que o número mais provável é de aproximadamente US$ 200 bilhões.
O procurador-geral da Califórnia, Rob Bonta, apresentou o caso sob a ótica da restituição e não de danos. A juíza Yvonne Gonzalez Rogers lidera o julgamento, que deve durar cerca de seis semanas.
A queda desta terça-feira amplia um movimento de baixa mais longo. A META já acumula retração de 6,38% em cinco dias e 16,06% no último mês. O papel também apresenta desvalorização de 29,86% em relação a um ano atrás.
Por que as medidas judiciais ameaçam mais as ações do que a multa?
Os estados alegam que a Meta implementou rolagem infinita, reprodução automática e filtros de beleza para incentivar o uso compulsivo. Também argumentam que a companhia tinha conhecimento dos impactos à saúde mental e comunicou pouco publicamente sobre o tema.
“…a Meta afirmou priorizar a segurança em vez do lucro, mas… o lucro prevaleceu.”
Megan O’Neill, vice-procuradora-geral da Califórnia, conforme NPR
Assim, o risco de medidas liminares preocupa mais do que o valor máximo citado. Os estados buscam forçar a Meta a apagar dados obtidos de usuários com menos de 13 anos, eliminar modelos de IA treinados com essas informações e remover funções consideradas viciantes. Qualquer decisão nesse sentido afetaria os sistemas de recomendação da Meta, usados principalmente para publicidade.
Essas receitas financiam a aposta da Meta em IA, incluindo investimento recorde em infraestrutura de IA, acordo de contrato de computação com a Anthropic e iniciativas de código aberto para superinteligência, como Muse e Glimmer. O balanço do segundo trimestre já indicava queda nas margens.
A Meta nega as acusações e destaca padrões mais rígidos de privacidade para adolescentes, além do alerta de uso de uma hora no Instagram. Seus advogados também recorrem à Primeira Emenda e à Seção 230 do Communications Decency Act, dispositivo que protege plataformas contra responsabilidade por publicações de usuários.
Jim Cramer atribui a venda desta terça-feira ao local do julgamento da Meta, e não ao mérito do processo.
Meta trial in the worst possible district for corporate defendants, hence why the stock is being hammered. But the case, while strong enough, might not survive a supreme court review. Contrary view but i didn't go to law school for nothing
— Jim Cramer (@jimcramer) August 18, 2026
Há precedentes para ambas as partes. Um júri do Novo México considerou a Meta responsável em março e determinou multa de US$ 375 milhões, valor inferior aos US$ 1,9 bilhão pleiteados no caso. Na ocasião, as penalidades foram de US$ 5 mil por violação, critério que, em larga escala, justifica os valores trilionários agora debatidos.
Mark Zuckerberg deve depor, assim como o ex-engenheiro da Meta e delator Arturo Bejar. Enquanto isso, investidores acompanharão se o julgamento da Meta irá apresentar documentos tão comprometedores quanto a declaração inicial.
Leia a história original Meta enfrenta ameaça de US$ 1,4 trilhão, ação cai enquanto começa julgamento histórico por Phil Haunhorst em br.beincrypto.com