O mercado financeiro reagiu com força nesta segunda-feira (5) ao resultado do primeiro turno das eleições. O Ibovespa ultrapassou os 200 mil pontos pela primeira vez na história. O dólar recuou mais de 5%.
O movimento veio depois de Flávio Bolsonaro (PL) terminar o primeiro turno na frente de Lula (PT). Pelos dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Flávio teve 47,03% dos votos válidos, contra 45,16% de Lula. As últimas pesquisas apontavam Lula numericamente à frente.
Ibovespa hoje bate recorde histórico
O Ibovespa é o principal índice de ações da bolsa brasileira, a B3. Ele reúne as empresas mais negociadas do país, como Petrobras, Vale e grandes bancos.
Às 10h15, o índice superou os 200 mil pontos pela primeira vez. Dois minutos depois, subia 4,88%, aos 201.536 pontos, segundo o acompanhamento em tempo real do InfoMoney. Na sexta-feira (2), último pregão antes da eleição, o Ibovespa havia fechado em 192.115 pontos.
Boa parte das ações ainda estava em leilão no início do pregão. Leilão é a fase em que a negociação de um papel fica suspensa por alguns minutos quando o preço oscila demais, para a bolsa organizar as ofertas.
O otimismo apareceu antes mesmo da abertura. O Ibovespa futuro, contrato que funciona como uma aposta no valor do índice numa data à frente, começou a ser negociado às 9h. Na abertura, chegou à máxima histórica de 211.015 pontos.
Em Nova York, o EWZ, fundo que replica ações brasileiras, subia 12,86% antes da abertura do mercado americano, por volta das 9h.
Dólar hoje cai mais de 5%
O dólar abriu em forte queda. Às 10h19, a moeda americana era cotada a R$ 4,959, recuo de 5,04% em relação ao fechamento de sexta-feira (2), de R$ 5,222.
Quando o dólar cai, o real se valoriza. O movimento indica que investidores estrangeiros voltaram a comprar ativos brasileiros após o resultado das urnas.
Bancos estrangeiros revisaram suas projeções logo cedo. Segundo o InfoMoney, o JPMorgan prevê que a bolsa pode subir até 11% no curto prazo e projeta o dólar perto de R$ 4,95. O Goldman Sachs avalia que o dólar pode chegar a R$ 4,50.
Mercado precifica execução, não resultado de urna
Analistas lembram que a eleição ainda será decidida no segundo turno, no domingo (25). Para eles, o comportamento dos ativos daqui em diante depende das sinalizações sobre as contas públicas.
"Mercado não precifica resultado de urna, precifica execução. O que move preço não é quem vence, é a composição da equipe econômica, o desenho do Orçamento e a trajetória de despesa obrigatória, e essas definições vêm depois", afirmou André Matos, CEO da MA7 Capital.
Sidney Lima, analista da Ouro Preto Investimentos, segue a mesma linha. Ele cita o prêmio fiscal, que é o retorno extra que o investidor cobra para emprestar a um país com contas públicas consideradas arriscadas.
"Se o próximo governo apresentar rapidamente uma trajetória crível para dívida e despesas, o prêmio fiscal tende a cair, abrindo espaço para dólar mais comportado, inflação menor e cortes adicionais de juros. Sem isso, o efeito eleitoral se dissipa e a Selic pode permanecer elevada por mais tempo", disse.
Juros longos e câmbio devem reagir primeiro
Para Gustavo Assis, CEO da Asset, o primeiro termômetro do resultado eleitoral deve ser a curva de juros de longo prazo. A curva mostra as taxas que o mercado cobra para emprestar dinheiro por vários anos e reflete a confiança na economia do país.
"O que pode reagir mais rapidamente ao resultado eleitoral é a curva de juros de longo prazo", afirmou. "Uma redução consistente do prêmio de risco tende a favorecer o real e contribuir para a desinflação, criando melhores condições para a continuidade dos cortes da Selic."
Fábio Murad, consultor da Wiser Asset, aponta o dólar como o indicador mais rápido dessa relação. "O dólar será o termômetro mais rápido dessa interação. O Focus projetava R$ 5,28 para 2027. Se houver melhora fiscal no Brasil e estabilidade dos juros americanos, vejo espaço para uma faixa próxima de R$ 5,00 a R$ 5,15", disse.
O Focus é o boletim semanal do Banco Central com as projeções de economistas do mercado. Nesta segunda-feira (5), o dólar já opera abaixo da faixa citada por Murad.
Bitcoin sobe em dólar, mas cai em reais
O Bitcoin teve comportamento diferente conforme a moeda de referência. Às 10h20, a cripto valia US$ 86.164, alta de 1,17% em 24 horas, segundo a CoinGecko.
Em reais, o movimento foi o inverso. O Bitcoin era negociado a R$ 429.684, queda de 3,17% no mesmo período. A diferença se explica pela valorização do real: com o dólar mais barato, a cripto também fica mais barata para o investidor brasileiro.
Durante a apuração, na noite de ontem (4), o Bitcoin havia subido 1,22% em dólar entre as 17h e as 20h05.
Esta matéria está em desenvolvimento e será atualizada ao longo do pregão.
Leia a história original Bolsa brasileira bate recorde e real dispara após primeiro turno por Lucas Espindola em br.beincrypto.com