Méliuz encerra compra e venda de Bitcoin no aplicativo e mantém tesouraria na cripto

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Méliuz encerra compra e venda de Bitcoin no aplicativo e mantém tesouraria na cripto

A Méliuz vai desligar a função de compra e venda de Bitcoin dentro do seu aplicativo. A decisão foi divulgada nesta quarta-feira (7). Clientes com saldo na ferramenta têm até 30 de outubro para liquidar as posições.

A empresa de cashback citou as novas exigências do Banco Central como motivo. A reserva corporativa em Bitcoin, porém, continua de pé.

Por que a Méliuz vai tirar o Bitcoin do app?

O motivo é regulatório. As novas regras do Banco Central para empresas que oferecem cripto ao consumidor final aumentaram o custo de manter o serviço.

Segundo a Méliuz, a companhia conseguiria cumprir os requisitos. A escolha, no entanto, foi priorizar produto e estratégia. A avaliação foi que o retorno não compensaria o esforço neste momento.

A empresa classificou o recurso como acessório. De acordo com a própria companhia, só uma pequena parte da base de usuários usava a ferramenta.

“Era uma operação pequena que não vai afetar os resultados da companhia”, afirmou a Méliuz em posicionamento público. A empresa acrescentou que a decisão pode ser reavaliada.

O que as regras do Banco Central exigem das empresas de cripto?

O Banco Central publicou em novembro de 2025 o pacote de regras para o setor. As normas criaram as sociedades prestadoras de serviços de ativos virtuais. São as empresas que intermedeiam, guardam ou negociam cripto em nome de clientes.

Essas companhias precisam de autorização do Banco Central para funcionar. Também devem cumprir exigências de governança, segurança, controles internos e prevenção à lavagem de dinheiro. As regras entraram em vigor em 2 de fevereiro de 2026. O prazo de adaptação vai até novembro de 2026.

O que acontece com quem tem Bitcoin no app da Méliuz?

Quem ainda tem saldo na ferramenta precisa liquidar as posições até 30 de outubro. Liquidar, nesse caso, significa zerar o saldo em Bitcoin mantido no aplicativo.

Depois dessa data, a função deixa de existir dentro do app.

Méliuz mantém tesouraria em Bitcoin?

Sim. A Méliuz separou os dois assuntos. A função voltada ao cliente sai do ar. A tesouraria corporativa, não.

Tesouraria é a reserva financeira da empresa. Em maio de 2025, os acionistas aprovaram a transformação da Méliuz na primeira empresa listada no Brasil a ter o Bitcoin como principal ativo dessa reserva.

“Continuamos acreditando no bitcoin como uma reserva de valor de longo prazo”, afirmou a companhia.

A Méliuz também reforçou o compromisso de gerar BTC Yield. A métrica mede a variação da quantidade de Bitcoin por ação ao longo do tempo. O indicador foi popularizado pela Strategy, empresa de Michael Saylor e maior detentora institucional de Bitcoin.

Redução de capital e recompra: os outros movimentos da Méliuz

Na segunda-feira (5), a Méliuz divulgou fato relevante. Fato relevante é o comunicado obrigatório que empresas de capital aberto enviam ao mercado sobre decisões importantes.

O documento informou que os acionistas aprovaram a redução do capital social em R$ 160 milhões. O valor foi destinado à formação de uma reserva de capital. Não houve cancelamento de ações nem distribuição de dinheiro aos acionistas. A empresa justificou a operação como ajuste de capital excessivo.

Na mesma assembleia, foi aprovado um novo plano de opção de compra de ações. O modelo substitui o plano de 2020. Opção de compra de ações é um benefício que dá a executivos o direito de comprar papéis da empresa a um preço definido.

Em agosto, a companhia já havia anunciado um novo programa de recompra de ações. Recompra é quando a empresa compra os próprios papéis na bolsa. O programa mira até 10% das ações em livre circulação e vai até fevereiro de 2028.

Na mesma ocasião, a Méliuz ampliou a estratégia de tesouraria com derivativos de Bitcoin. Derivativos são contratos cujo valor depende do preço de outro ativo. Segundo a empresa, as operações são feitas sem alavancagem, ou seja, sem uso de dinheiro emprestado.

Leia a história original Méliuz encerra compra e venda de Bitcoin no aplicativo e mantém tesouraria na cripto por Lucas Espindola em br.beincrypto.com