Wall Street inicia uma semana decisiva depois da forte queda de sexta-feira (30). O Nasdaq recuou 2,86%, o pior desempenho desde o início de junho, enquanto o S&P 500 caiu 1,82%.
Agora, analistas alertam que as eleições de meio de mandato, os temores de gastos em IA e balanços importantes podem provocar oscilações ainda maiores.
O que desencadeou o temor de “Stock-Pocalypse”?
“Stock-pocalypse” é um termo informal para uma venda repentina e intensa de ativos no mercado. Jim Cramer usou a expressão para classificar o pregão de sexta em Wall Street.
It is a stock-pocalypse
— Jim Cramer (@jimcramer) October 30, 2026
O catalisador foi o alto consumo de caixa em IA. As ações da Intel caíram quase 29%, e a Amazon decepcionou. Antes disso, a Alphabet já havia perdido cerca de US$ 500 bilhões em valor de mercado.
Os resultados aumentaram as dúvidas sobre o retorno, no curto prazo, dos grandes investimentos em infraestrutura de IA, o mesmo debate da bolha que murcha. Além disso, o Financial Times informou que a Anthropic pode receber um rating de alto risco após sua abertura de capital, o que intensificou as preocupações com o aumento das dívidas no setor.
Enquanto isso, o hack recorde de US$ 6,3 bilhões na Binance reforçou o clima de aversão ao risco. Os preços do petróleo também seguiram elevados por causa da tensão no Oriente Médio, o que continua pressionando as expectativas de inflação.
The Kobeissi Letter destacou que a queda do Nasdaq coincidiu com o aumento das chances de vitória dos democratas nas eleições de meio de mandato. “A próxima semana será, no mínimo, interessante”, afirmou.
The timing of today's market crash is noteworthy.
— The Kobeissi Letter (@KobeissiLetter) October 30, 2026
As selling pressure spreads, the Nasdaq 100 is now down nearly -5% on the day.
Meanwhile, the market-implied odds of a Democrat "sweep" in the Midterms next week has surged from 65% to 72% today, a record high.
That's +7…
Até onde as ações podem cair, segundo analistas
As previsões são divergentes. Mike Wilson, do Morgan Stanley, enxerga “eventos de ajuste” que podem levar o S&P 500 a cerca de 9% abaixo do recorde, na região de 7,1 mil pontos. Ele avalia o recuo como oportunidade de compra e mantém a projeção de 8 mil pontos para o fim do ano.
De forma semelhante, Michael Hartnett, do Bank of America, adota uma postura “de cautela tática” até meados de novembro. Ele prevê novos recuos diante dos riscos políticos e de IA.
Já o economista Peter Schiff aponta para uma possível queda expressiva antes das eleições de 3 de novembro. Entre os fatores, cita avaliações elevadas, rendimento dos títulos em alta, inflação persistente e um mercado de trabalho enfraquecido.
If the stock market crashes on Monday, it would cement a Democratic sweep on Tuesday. Ironically, a crash that helps Democrats win may be driven by investors pricing in that outcome, as Democrats will likely raise corporate taxes and be more fiscally reckless than Republicans.
— Peter Schiff (@PeterSchiff) October 30, 2026
O cenário mais extremo veio de Dario Perkins, da TS Lombard. Segundo o modelo de crash de IA dele, o S&P 500 pode cair pelo menos 30%. Uma retração desse tamanho apagaria cerca de US$ 20 trilhões em valor de mercado. Mesmo assim, ele não considera o movimento atual como o gatilho definitivo.
O que está no radar desta semana?
As eleições desta terça (3) nos EUA podem redefinir a regulação de IA, enquanto Apple, AMD e Palantir divulgam seus resultados financeiros. O relatório de empregos sai na sexta (6). Alguns investidores enxergam um ajuste saudável, mas outros temem que a queda de sexta tenha sido apenas o começo.
https://www.youtube.com/watch?v=Hbb5FoIun8oLeia a história original Wall Street teme “Stock-pocalypse” e analistas divergem em semana decisiva por Luís De Magalhães em br.beincrypto.com