Os investidores brasileiros avaliam que pautas globais devem ser os principais drivers dos mercados emergentes daqui para frente, afirma o Bank of America (BofA).
Entre os temas destacados, estão o ambiente global, a trajetória do dólar e uma maior convicção sobre a atuação do novo presidente do Federal Reserve (Fed, o banco central dos Estados Unidos), Kevin Warsh , no comando do BC norte-americano.
Além disso, os investidores locais enxergam uma melhora no quadro inflacionário, favorecida pela queda dos preços do petróleo, o que pode permitir que o Banco Central (BC) realize mais um corte de 25 pontos-base na taxa Selic em agosto.
Foco no Fed
Segundo o BofA, ainda há pouca convicção em relação à atuação de Kevin Warsh, mas a maioria dos investidores acredita que o Fed dificilmente elevará os juros este ano ou, ao menos, tentará adiar essa decisão o máximo possível.
“A combinação de preços mais baixos do petróleo e da dissipação dos efeitos das tarifas sobre o índice de inflação ao consumidor (CPI) dos Estados Unidos é vista como um fator favorável”, afirma.
O banco complementa que muitos investidores acreditam que Warsh adotou um discurso surpreendentemente mais duro com o objetivo de manter os juros de longo prazo elevados e fazer com que o próprio mercado promova um aperto das condições financeiras, sem que o Fed precise efetivamente elevar os juros.
De acordo com o BofA, enquanto não houver maior clareza sobre esse cenário, a maioria dos investidores prefere permanecer à margem.
Otimismo com juros no Brasil
Na avaliação do BofA, a continuidade da queda dos preços do petróleo, combinada com leituras de inflação melhores do que o esperado, uma composição mais favorável dos índices de preços e dados mais fracos do mercado de trabalho aumentaram o otimismo quanto a novos possíveis cortes de juros no Brasil.
Enquanto há algumas semanas o mercado precificava o fim do ciclo de flexibilização monetária — em linha com nossa visão —, agora passou a atribuir aproximadamente dois terços de probabilidade a um novo corte de 25 pontos-base em agosto, afirma o banco.
Além disso, o BofA diz que outro fator citado pelos investidores locais é a mudança do horizonte relevante utilizado pelo Banco Central para 2028, o que, na visão deles, também favorece pelo menos mais um corte de juros.
Poucos gatilhos na bolsa brasileira
Para o banco, embora novos cortes de juros possam favorecer o desempenho da bolsa brasileira no curto prazo, as taxas ainda tendem a permanecer em patamares elevados, aumentando os riscos negativos para os lucros das empresas em 2026.
Adicionalmente, o BofA considera que as redações nas estimativas de crescimento do Produto Interno Bruto ( PIB ) para 2027 também representam um fator de pressão sobre os resultados corporativos.
“A recente correção dos preços das ações oferece um ponto de entrada mais atrativo, mas as avaliações ( valuations ) ainda não parecem particularmente baratas”, diz.
Além disso, o forte fluxo de recursos direcionado às ações ligadas à inteligência artificial (IA), também conhecido como trade de IA, nos Estados Unidos — e em outros mercados — continua limitando o interesse dos investidores estrangeiros pelas ações brasileiras.
Em relação aos fundos locais de ações e multimercados, eles seguem registrando resgates líquidos semana após semana.
Eleições no radar
De acordo com o BofA, as pesquisas eleitorais e os levantamentos mais recentes já começam a aumentar a volatilidade dos ativos brasileiros.
Ainda assim, os investidores locais evitam montar posições estruturais neste momento, diante das incertezas sobre o cenário internacional e da expectativa de uma disputa eleitoral bastante acirrada no Brasil.