ABToken vai pedir ao Banco Central regras claras sobre custódia de cripto no exterior

BeInCrypto
Open on BeInCrypto
ABToken vai pedir ao Banco Central regras claras sobre custódia de cripto no exterior

A ABToken vai encaminhar ao Banco Central uma consulta formal com dúvidas levantadas por suas empresas associadas sobre a aplicação das normas para prestadoras de serviços de ativos virtuais. A associação representa companhias de tokenização e ativos digitais no Brasil.

Dois pontos concentram a maior parte dos questionamentos. O primeiro é o início das obrigações de reporte para empresas que já operam no mercado. O segundo são os requisitos práticos do mecanismo de redundância quando a custódia dos ativos envolve prestadores fora do país.

Redundância, neste contexto, é o plano alternativo que garante a recuperação e o controle dos ativos caso o sistema principal de custódia falhe ou fique indisponível.

Quais prazos de reporte a regulação cripto ainda não define?

O artigo 88 da Resolução BCB nº 520/2025 prevê o envio de determinadas informações a partir do protocolo do pedido de autorização junto ao regulador.

A Resolução BCB nº 589/2026 alterou parte desse desenho. As mudanças têm entrada em vigor prevista para 1º de janeiro de 2027. A ABToken vai pedir esclarecimento sobre quais prazos e qual periodicidade valem durante esse período de transição.

A associação também quer saber se haverá ajustes nas instruções de envio e em dois documentos específicos do Banco Central.

O documento 5710 trata das provas de reservas e das operações de staking. Prova de reservas é o mecanismo pelo qual uma empresa demonstra que mantém de fato os ativos dos clientes sob sua guarda. Já staking é a prática de bloquear criptomoedas em uma rede blockchain para ajudar a validar transações e receber recompensas por isso.

O documento 5711 é o relativo à custódia de ativos virtuais.

Como funciona a custódia de ativos virtuais no exterior?

A ABToken vai solicitar que o Banco Central detalhe o que espera da administração, no Brasil, do mecanismo de redundância. A dúvida aparece quando existe um custodiante estrangeiro ou quando a tecnologia de custódia fica sediada fora do país.

A consulta aborda os procedimentos de recuperação dos instrumentos de controle dos ativos. Esses instrumentos são o que permite movimentar e acessar as criptomoedas sob guarda.

Outro ponto são as condições para assegurar ao regulador acesso tempestivo a informações e documentos necessários à supervisão.

O pedido busca esclarecer como esse mecanismo deve funcionar na prática. A associação considera que a prestadora brasileira permanece responsável pelas atividades que contrata de terceiros, inclusive no exterior.

O que mais entra na consulta ao Banco Central?

A pauta enviada ao regulador reúne outros seis temas operacionais.

Um deles é a oferta de contas de pagamento durante a análise dos pedidos de autorização e também a clientes não residentes no Brasil.

Outro ponto é a distinção entre provedores de liquidez e intermediários. Provedores de liquidez são agentes que disponibilizam recursos para que as ordens de compra e venda sejam executadas. Intermediários conectam comprador e vendedor sem necessariamente assumir essa função.

A consulta trata ainda da retenção cautelar de operações por até 24 horas, dos procedimentos relativos ao Siscoaf e da contratação de serviços relevantes executados, total ou parcialmente, por empresas no exterior.

O Siscoaf é o sistema do Conselho de Controle de Atividades Financeiras usado para comunicar operações suspeitas de lavagem de dinheiro.

Por que as empresas cripto pedem mais clareza agora?

Para a associação, a definição dos requisitos é condição para o planejamento de investimentos das empresas.

"As empresas precisam conhecer os requisitos operacionais e os prazos aplicáveis para investir em sistemas, controles e equipes com segurança. Nosso objetivo é colaborar com o Banco Central para uma implementação consistente das regras e para a proteção dos clientes", afirma Regina Pedroso, diretora executiva da ABToken.

A entidade vai solicitar uma manifestação escrita ou uma reunião com a área técnica do Banco Central. O objetivo é apresentar ao regulador os modelos operacionais ligados às dúvidas levantadas.

Leia a história original ABToken vai pedir ao Banco Central regras claras sobre custódia de cripto no exterior por Lucas Espindola em br.beincrypto.com