Por que as chuteiras rosas dominaram a Copa do Mundo de 2026 — e o que isso revela sobre a disputa entre as fabricantes

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Quem acompanha os jogos da Copa do Mundo de 2026 provavelmente já percebeu um detalhe curioso recorrente nos gramados: as chuteiras rosas.

O fenômeno não é resultado de uma ação coordenada entre fabricantes nem de alguma exigência da Fifa. Na prática, ele reflete uma estratégia semelhante adotada pelas principais marcas esportivas do mundo para aumentar a visibilidade de seus produtos durante o maior evento do futebol global.

Nike, Adidas, Puma e New Balance chegaram ao torneio com coleções lançadas em tons bastante próximos de rosa vibrante, criando a impressão de uma tendência dominante entre atletas de diferentes seleções.

A lógica é simples: quanto mais chamativa a chuteira, maior a chance de ela se destacar em transmissões de TV, fotografias, replays e vídeos compartilhados nas redes sociais. O contraste entre o rosa e o verde do gramado ajuda a tornar o produto mais visível mesmo em jogadas rápidas.

Segundo Odinga Nimako, integrante da equipe global de desenvolvimento de chuteiras da Nike, a escolha também responde a uma demanda crescente dos próprios atletas por cores mais ousadas.

Em entrevista ao The Athletic, o executivo afirmou que tons vibrantes costumam transmitir confiança aos jogadores e gerar maior identificação com consumidores. O rosa surgiu justamente como uma das cores com maior potencial de destaque visual.

“O contraste com o verde do campo faz com que a chuteira seja facilmente percebida tanto por quem está no estádio quanto por quem acompanha a partida pela televisão”, explicou Nimako.

A estratégia ganhou ainda mais força porque nenhuma seleção participante utiliza uniformes predominantemente rosas, o que permite que os calçados se destaquem ainda mais nas imagens transmitidas para o mundo inteiro.

Tendência

A aposta faz parte de uma transformação que vem ocorrendo há décadas no mercado de material esportivo. Até os anos 1990, predominavam modelos pretos. A partir dos anos 2000, fabricantes passaram a investir em versões amarelas, laranjas, verdes e azuis fluorescentes para diferenciar produtos em um mercado cada vez mais competitivo.

Hoje, a chuteira é vista não apenas como equipamento esportivo, mas também como uma ferramenta de comunicação e marketing.

Seleção norte-americana também usou chuteiras cor-de-rosa/ Reprodução @cmpulisic

Em um ambiente dominado por transmissões em alta definição e conteúdo digital, cada detalhe visual ganha importância. A Copa do Mundo, acompanhada por milhões de pessoas ao redor do planeta, funciona como uma vitrine privilegiada para as fabricantes exibirem seus lançamentos.

O resultado é que uma decisão tomada por diferentes empresas, de forma independente, acabou produzindo o mesmo efeito: transformar o rosa na cor dominante dos gramados do Mundial de 2026.

Quanto custa?

Essa tendência nos gramados se traduz diretamente no mercado consumidor e nos preços dos produtos. Para os fãs que desejam replicar o visual dos craques, os valores das chuteiras variam significativamente entre as marcas:

• Uma versão inteiramente cor-de-rosa da Chuteira Campo Tiempo Maestro Elite da Nike custa cerca de R$ 2.185.

• A Adidas oferece a F50 Hyperfast League sem cadarço por aproximadamente R$ 2.500.

• A New Balance apresenta a Tekela Elite Low FG V5 em tom rosa vibrante, na faixa dos R$ 2 mil.

• Outros modelos incluem a Alpha III Japan da Mizuno por R$ 2.000 e a Future 9 Ultimate Unissex da Puma por R$ 1.800.

Esses valores destacam o valor agregado percebido e o potencial de receita que as marcas conseguem extrair da visibilidade e do desejo gerados por um evento de tamanha magnitude global.

A dominância das chuteiras rosas na Copa do Mundo de 2026, portanto, transcende a moda, representando uma sofisticada jogada de mercado das empresas esportivas para maximizar a exposição da marca, ditar tendências de consumo e impulsionar suas vendas.