Cacau atinge máxima de 7 meses em Londres; açúcar bruto alcança máxima de quase 2 meses

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Os futuros de cacau de Londres na ICE atingiram máximas de sete meses nesta quarta-feira, com o mercado ainda preocupado com um fenômeno climático El Niño forte ou potencialmente muito forte, enquanto o açúcar bruto subiu para níveis próximos às máximas de dois meses, acompanhando a trajetória do petróleo.

Os futuros de cacau em Londres fecharam em alta de £228, ou 5,3%, a £4.493 por tonelada, após atingirem uma máxima de sete meses de £4.613.

“Os participantes do mercado estão se perguntando de onde poderia vir uma nova pressão de venda no cacau. No mínimo, a Costa do Marfim já está com grande parte da safra pré-vendida”, disse um corretor.

A agência meteorológica das Nações Unidas elevou sua previsão para o El Niño para “forte” na sexta-feira e alertou que poderia revisá-la novamente para “muito forte”.

O El Niño representa um risco especial para o cacau. Os preços desse ingrediente do chocolate quase triplicaram em 2024, quando a safra da África Ocidental foi prejudicada em meio a um El Niño de intensidade moderada a forte que se estendeu de meados de 2023 a meados de 2024.

O contrato de futuros de cacau de Nova York subiu 5,1%, para US$ 6.052 a tonelada, após atingir uma máxima de seis meses de US$ 6.224 a tonelada.

Açúcar

O açúcar bruto ficou praticamente inalterado em 15,11 centavos por libra-peso, após ter atingido anteriormente uma máxima em quase dois meses de 15,39.

O analista de açúcar Michael McDougall disse que vê o mercado tendendo a subir no curto prazo, dado o risco de preços do petróleo ainda mais altos.

Preços mais altos de energia são favoráveis ao açúcar, pois impulsionam a demanda por biocombustíveis à base de cana, reduzindo a produção de açúcar.

No Brasil, uma reunião do Conselho Nacional de Política Energética (CNPE), que poderia aprovar um aumento na taxa de mistura de etanol, foi novamente adiada, sem que uma nova data tenha sido definida.

Embora o impacto adverso do El Niño no Brasil e na Índia tenha dado uma pausa nos últimos dias, os riscos para as safras associados ao fenômeno climático ainda não terminaram, afirmou McDougall.

O mercado global de açúcar apresentará um déficit modesto de 600.000 toneladas na safra 2026/27, informou a corretora e empresa de serviços de cadeia de suprimentos Czarnikow.

O preço do açúcar branco subiu 1%, para US$ 480,60 por tonelada.

Café

O café arábica fechou em queda de 7,8 centavos, ou 2,5%, a US$ 3,098 por libra-peso, após ter fechado em queda de 9% na terça-feira, em uma reversão acentuada em relação à forte alta de 16% registrada na segunda-feira.

Os corretores afirmaram que a alta de segunda-feira foi impulsionada por especuladores e que mais quedas estão previstas, à medida que os agricultores, que atualmente colhem uma safra excepcional no Brasil — maior produtor mundial —, entram no mercado para vender.

“Espero que os produtores comecem a vender mais café em grandes volumes se os preços dos futuros começarem a se estabilizar”, disse Ilya Byzov, trader quantitativo da Sucafina, empresa especializada em commodities agrícolas.

“No entanto, não tenho certeza de que a realocação de capital para o complexo de commodities agrícolas já tenha ocorrido”, acrescentou ele.

O café robusta caiu 3,4%, para US$ 3.741 a tonelada.